O preço médio do leite cru captado por laticínios permaneceu praticamente estável em agosto, mesmo com o avanço da oferta em importantes regiões produtoras. Na “Média Brasil” líquida do Cepea, o valor chegou a R$ 2,8869 por litro, alta real de 0,7% frente a julho e de 9,18% em relação a agosto de 2025.
Captação avança com recuperação no Sul
O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) cresceu 3,86% entre julho e agosto, refletindo a recuperação da produção, especialmente no Sul. Apesar da maior disponibilidade, a demanda ainda relativamente firme e a sustentação de alguns derivados limitaram quedas mais intensas na remuneração ao produtor.
As diferenças regionais também aparecem nas cotações. Em agosto, Minas Gerais registrou o maior preço líquido médio entre os estados acompanhados, de R$ 3,0446 por litro. Na outra ponta, o Rio Grande do Sul ficou em R$ 2,6545 por litro, enquanto Santa Catarina registrou R$ 2,7758.

Ao mesmo tempo, os custos voltaram a subir. O Custo Operacional Efetivo avançou 0,63% em agosto, puxado principalmente pela alimentação do rebanho. Os concentrados ficaram 1,2% mais caros, refletindo as valorizações anteriores de milho e soja.
Importações permanecem elevadas
As importações brasileiras de lácteos recuaram 2,54% frente a julho, mas permaneceram em patamar elevado, somando 230,3 milhões de litros em equivalente-leite. O volume foi quase 40% superior ao registrado em agosto de 2025. O leite em pó respondeu por 72,3% das compras externas, com 166,58 milhões de litros em equivalente-leite.
No mercado de derivados, agosto ainda apresentou alta de 4,65% para o leite UHT e de 1,80% para o leite em pó em São Paulo, enquanto a muçarela avançou 0,62%. Em setembro, porém, a maior disponibilidade de matéria-prima já começou a pressionar as negociações no atacado.
Para o Cepea, a recuperação da oferta nacional e a permanência das importações em volumes elevados devem pressionar o leite cru em setembro, com possibilidade de continuidade do movimento em outubro.



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