Abre em uma nova aba
Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=

Inteligência artificial e rastreabilidade ganham espaço na cadeia do pescado

Especialistas destacam o papel da tecnologia na conservação, na eficiência produtiva e na sustentabilidade.

A inteligência artificial (IA), a conectividade e as tecnologias de rastreabilidade estão entre as ferramentas que podem impulsionar a modernização da cadeia produtiva do pescado no Brasil. O tema esteve em debate no Seafood Talk Show, durante a Seafood Show Latin America 2026, realizado na última semana no Distrito Anhembi, em São Paulo, com especialistas defendendo a integração entre inovação, conservação dos produtos e gestão sustentável dos recursos pesqueiros.

No painel “Da IA à conservação inteligente”, os participantes destacaram que a adoção de novas tecnologias pode contribuir para melhorar a eficiência da pesca e da aquicultura, ampliar o monitoramento ambiental e reduzir perdas ao longo da cadeia. Para que os avanços se traduzam em resultados, porém, será necessário integrar equipamentos, processos e informações, além de garantir a conservação adequada do pescado desde a captura até o consumidor final.

Segundo Leandro Kanamaru, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, um dos desafios é tornar essas ferramentas acessíveis e ampliar sua utilização sem comprometer a qualidade do produto. Ele também ressaltou a importância da aproximação entre setor produtivo, mercado e universidades para desenvolver soluções adaptadas às diferentes realidades da atividade.

Embalagem e conectividade ampliam a rastreabilidade

A embalagem também foi apontada como um elemento estratégico para a conservação e a segurança dos alimentos. Antonio Cabral, coordenador da Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem do Instituto Mauá de Tecnologia, destacou que ela vai além da apresentação comercial e pode funcionar como um sistema de informação que conecta os diferentes elos da cadeia.

Entre os recursos disponíveis estão os QR Codes, que permitem ao consumidor acessar informações sobre o produto por meio do celular. A tecnologia pode ampliar a transparência e facilitar o acesso a dados de origem e características do pescado.

Já Anita Dedding, gerente divisional de Tecnologia e Inovação e secretária executiva da Abimaq, ressaltou que a indústria brasileira dispõe de condições para avançar na transformação digital. O desafio, segundo ela, está em identificar as necessidades prioritárias diante da variedade de tecnologias disponíveis e integrar máquinas e equipamentos já instalados.

Nesse contexto, a conectividade e a formação de profissionais capazes de integrar diferentes soluções são fatores importantes para aumentar a eficiência industrial.

Sustentabilidade e gestão dos estoques pesqueiros

A conservação dos recursos naturais também esteve no centro dos debates. No talk “O Pescado no Centro da Economia Azul: sustentabilidade, financiamento e acesso a mercados”, Cíntia Miyaji, diretora-executiva da Paiche Consultoria, alertou para os riscos da exploração sem gestão adequada dos estoques oceânicos.

A especialista destacou a necessidade de ampliar as estatísticas e o monitoramento pesqueiro, com instrumentos que contribuam para o planejamento da atividade, incluindo o controle do número de embarcações, a concessão de licenças e a definição de períodos de pesca.

O fortalecimento dessas medidas é considerado importante para conciliar a atividade econômica com a conservação dos recursos marinhos. O debate também abordou iniciativas de monitoramento e políticas públicas voltadas à organização do setor.

Cíntia Miyaji, Dariane Schoffen Enke e Sarah de Oliveira.

Preço e disponibilidade são desafios para ampliar o consumo

Além da sustentabilidade, o setor precisa avançar na competitividade e na distribuição para ampliar a presença do pescado na alimentação dos brasileiros.

Dariane Schoffen, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), observou que o consumo vem crescendo de forma gradual, mas que preços competitivos e maior disponibilidade são fundamentais para estimular a inclusão do pescado na dieta com mais frequência, inclusive em substituição a outras proteínas animais, como frango e suíno.

A dificuldade de acesso também foi destacada por Sarah de Oliveira, da Lex Experts. Segundo ela, o pescado ainda não está facilmente disponível em muitos açougues, pequenos mercados de bairro e estabelecimentos localizados nas periferias.

A especialista defendeu maior equidade no acesso a políticas públicas e financiamento para os diferentes segmentos que dependem dos recursos marinhos, especialmente os pescadores artesanais. Para ela, é necessário aprimorar os mecanismos de acesso aos instrumentos já existentes.

Mudanças no consumo abrem oportunidades para produtos de maior valor

Outro tema discutido no evento foi o potencial de crescimento do mercado de pescado diante das mudanças nos hábitos alimentares e da popularização de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras.

No painel “Menos volume, mais valor”, Elane Correia, CEO da EC Consultoria, apontou que o setor ainda explora pouco as oportunidades associadas a essa transformação do consumo.

Kesly Gomes, da Worldpanel by Numerator, também destacou a mudança nas dinâmicas de compra e o interesse por alimentos com maior densidade nutricional e produtos premium. Nesse cenário, o pescado pode ampliar sua participação como fonte de proteína, desde que o setor consiga comunicar seus atributos e oferecer produtos adequados às novas demandas.

A discussão reforça a necessidade de aproximar indústria, distribuição e consumidores, com estratégias que combinem conveniência, qualidade, disponibilidade e valor agregado.

IA e conservação inteligente Leandro Kanamaru, Anita Dedding e Antonio Cabral.

Tecnologia e acesso ao mercado devem caminhar juntos

Os debates da Seafood Show Latin America 2026 evidenciaram que o desenvolvimento da cadeia do pescado depende de uma combinação de fatores: inovação tecnológica, conservação, rastreabilidade, sustentabilidade dos estoques e acesso ao mercado.

A inteligência artificial e a conectividade podem melhorar o monitoramento e a eficiência operacional, enquanto embalagens inteligentes e QR Codes ajudam a aproximar produtores e consumidores. Ao mesmo tempo, o avanço do setor exige políticas de gestão dos recursos pesqueiros, financiamento acessível e iniciativas para tornar o pescado mais competitivo e disponível.

O desafio, portanto, é transformar inovação e sustentabilidade em ganhos concretos para toda a cadeia produtiva, da pesca e aquicultura à indústria e ao consumo final.

Você está em
Texto 100%