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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
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Indicador do Boi Gordo DATAGRO mostra mercado equilibrado e desafios para 2025/26

Com forte participação de fêmeas nos abates e clima favorável, setor vê equilíbrio entre oferta e demanda, mas mantém atenção à liquidação de rebanhos e aos estoques regionais

Indicador boi gordo

Camila Santos, de São Paulo (SP)

O painel “Atualizações sobre o indicador do boi gordo DATAGRO e perspectivas de mercado 2025/26” reuniu especialistas em São Paulo para discutir o cenário atual e as projeções para a pecuária de corte no Brasil. Moderado por João Otávio de Assis Figueiredo, Líder da Área de Pecuária da DATAGRO, o evento contou com a participação de Guilherme Jank, analista da DATAGRO Pecuária.

João Otávio iniciou a apresentação destacando a importância de dados precisos para o mercado. “Acompanhamos semanalmente as operações, notas e nosso Bipol, trazendo aos clientes uma visão realista da oferta, demanda e preços, cada vez mais conectados ao mercado internacional, o que aumenta a complexidade da análise”, afirmou. Ele lembrou ainda o ano passado, marcado por forte volatilidade: o preço do boi chegou a 352 reais em apenas quatro meses, impulsionado pela alta do dólar, que passou de 5,40 para 6,20 reais, apoiando as exportações.

Para o final do ano, segundo João, o mercado interno se equilibrou entre 320 e 330 reais por arroba, com margens de confinamento positivas e clima favorável, o que permitiu melhor utilização da escala produtiva. “O Brasil performa muito bem nas exportações, com abertura de novos mercados como Indonésia, Filipinas e Japão”, complementou.

Guilherme Jank trouxe uma análise mais detalhada das tendências e fundamentos do mercado. “É natural acreditar que preços elevados continuarão, mas o mercado não opera por inércia. Hoje, ele está equilibrado, quase tão bem ofertado quanto demandado, com destaque para margens de engorda historicamente altas”, explicou. Ele ressaltou que fatores como juros reais próximos de 10% e variações cambiais influenciam diretamente o consumo interno e, consequentemente, a dinâmica de oferta.

O analista também destacou a heterogeneidade regional do mercado. “Não existe um mercado único no Brasil. Enquanto o Mato Grosso do Sul está com preços mais altos que São Paulo, o Norte do país apresenta redução dos diferenciais de base. Isso indica uma inflexão de oferta que precisa ser observada”, disse.

Indicador boi gordo
Painel debateu o cenário atual e as projeções para a pecuária de corte no Brasil (Foto: FeedFood)

Outro ponto central foi a participação de fêmeas no abate. Guilherme explicou que a base econômica da cria depende de pasto suficiente para viabilizar o ciclo de produção. Com quatro anos consecutivos de abate de fêmeas em liquidação de rebanho, o mercado enfrenta restrições de estoque e mantém atenção à retenção futura. “O prêmio de venda de bezerros chegou a 30% a 35% em algumas regiões, reforçando o incentivo para a retenção de fêmeas e a produção futura”, disse.

Segundo os dados da DATAGRO, cerca de 80% dos animais abatidos em maio foram terminados com ração, evidenciando a forte presença de engorda intensiva em determinadas praças, enquanto outras regiões operam próximas das máximas históricas. A diversificação regional e a sazonalidade climática impactam diretamente os preços e o ritmo de abate, tornando o mercado mais complexo, porém equilibrado.

Para 2025/26, Guilherme Jank ressaltou que o incentivo à criação e à engorda continuará a influenciar o setor, especialmente em função do tempo necessário para reprodução e crescimento do gado, com gestação média de nove a dez meses. “Todos os players aumentaram a capacidade de abate e confinamento nos últimos dois anos, mas a liquidação de fêmeas gera um efeito que só será sentido plenamente no futuro”, finalizou.

O painel evidenciou, portanto, que o mercado de boi gordo no Brasil permanece equilibrado entre oferta e demanda, com atenção especial à participação das fêmeas, à heterogeneidade regional e às condições climáticas, fatores essenciais para as projeções do ciclo 2025/26.

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