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HoBiPeV predomina entre pestivírus detectados no Norte e no Paraná

Estudo analisou 20.267 amostras bovinas e identificou o vírus em 19 dos 21 resultados positivos, reforçando a necessidade de vigilância molecular

Um estudo publicado em 2026 na revista Transboundary and Emerging Diseases identificou o HoBi-like pestivirus (HoBiPeV) como o pestivírus mais frequente entre as amostras positivas de bovinos analisadas na Região Norte e no Paraná. O trabalho foi conduzido pelo Laboratório de Virologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ViroVet/UFRGS), em colaboração com pesquisadores da universidade e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Ao todo, foram avaliadas 20.267 amostras de soro bovino: 10.832 provenientes de Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima e 9.435 coletadas no Paraná. As análises utilizaram RT-qPCR, sequenciamento e avaliação filogenética para detectar e caracterizar os vírus.

Predomínio entre amostras positivas

O RNA de pestivírus foi encontrado em 21 amostras, equivalente a 0,10% do total analisado. Entre os resultados positivos, 19 eram HoBiPeV, participação de 90,5%. Portanto, o percentual não representa a prevalência do vírus em todos os animais avaliados, mas sua predominância entre os pestivírus efetivamente detectados.

Pesquisadora realiza análise molecular de amostras bovinas para identificar a circulação de pestivírus e apoiar estratégias de diagnóstico, vigilância e controle sanitário no país. Crédito: Imagem Gerada por IA.

No Paraná, o HoBiPeV respondeu por 93,3% das detecções. Segundo os autores, o Estado ainda não possuía dados de vigilância molecular em larga escala para o agente. Os resultados também reforçam evidências anteriores de circulação do vírus no Norte brasileiro.

Diagnóstico exige atenção

Os pestivírus bovinos podem causar problemas reprodutivos, imunossupressão, sinais respiratórios e digestivos, além de infecções persistentes. O HoBiPeV apresenta manifestações semelhantes às associadas ao BVDV-1 e ao BVDV-2, o que pode dificultar sua identificação sem testes específicos.

Os pesquisadores alertam que programas de diagnóstico concentrados apenas nos pestivírus bovinos mais conhecidos podem subestimar a circulação silenciosa do HoBiPeV. O estudo recomenda atualizar as abordagens diagnósticas e manter a vigilância genômica para orientar medidas de prevenção e controle.

A pesquisa integra uma linha desenvolvida há mais de uma década e amplia o conhecimento sobre as diferenças regionais na circulação de pestivírus no Brasil.

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