O desempenho das vacas em lactação começa a ser definido muito antes da primeira ordenha. As fases de cria e recria exercem papel estratégico na formação das futuras matrizes e influenciam diretamente indicadores como idade ao primeiro parto, desempenho reprodutivo, produção de leite e longevidade do rebanho, segundo análise de Hilton do Carmo Diniz Neto, líder de Soluções para Clientes da Cargill Nutrição e Saúde Animal.
De acordo com o especialista, embora o potencial genético da fêmea seja estabelecido desde a concepção, sua capacidade de expressar esse potencial depende de fatores como nutrição, sanidade, manejo, qualidade das instalações e monitoramento contínuo durante o desenvolvimento.
Entre os principais indicadores utilizados para acompanhar a eficiência da cria e recria estão a transferência de imunidade passiva, os índices de morbidade e mortalidade, o ganho de peso, o crescimento corporal e a idade à inseminação. O acompanhamento desses parâmetros permite identificar falhas de manejo e ajustar estratégias para alcançar as metas de desenvolvimento das novilhas.

Apesar do amplo conhecimento técnico disponível, muitas propriedades ainda enfrentam dificuldades para transformar recomendações em resultados consistentes. Segundo Diniz Neto, o desafio está menos na falta de informação e mais na implantação de rotinas de monitoramento e na execução disciplinada dos protocolos de manejo.
Além dos impactos zootécnicos, a eficiência nas fases de cria e recria também influencia diretamente a rentabilidade da atividade leiteira. Sistemas mais eficientes conseguem reduzir o tempo necessário para recuperar os investimentos realizados na formação das novilhas, contribuindo para melhorar os resultados econômicos da propriedade.
A nutrição é apontada como um dos principais fatores para o sucesso desse processo. O planejamento alimentar deve considerar os objetivos da fazenda, a disponibilidade de alimentos, a infraestrutura e as condições de manejo. Na fase de aleitamento, a definição das metas de crescimento orienta o fornecimento da dieta líquida, da ração inicial e o processo de desaleitamento, enquanto nas etapas seguintes o equilíbrio entre proteína e energia torna-se fundamental para favorecer o desenvolvimento muscular sem comprometer a condição corporal.
O especialista destaca que programas de cria e recria devem ser continuamente ajustados de acordo com o desempenho dos animais e as condições de cada propriedade. Para ele, investir no desenvolvimento das futuras matrizes representa uma estratégia essencial para aumentar a produtividade, melhorar os índices reprodutivos e fortalecer a sustentabilidade econômica da pecuária leiteira.



