A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), por meio do Sistema Faesp/Senar, mobilizou sindicatos rurais para orientar avicultores a reforçar a biosseguridade após a confirmação, em 18 de outubro, de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste de Santa Catarina. A medida busca reduzir o risco de disseminação do vírus para outros plantéis.
Entre as recomendações aos produtores paulistas estão controlar o acesso de pessoas e veículos, desinfetar equipamentos e caminhões, utilizar roupas exclusivas nas instalações e manter barreiras para evitar contato com aves de vida livre. A entidade também orienta o cumprimento dos protocolos sanitários e a comunicação imediata de sinais suspeitos ou mortalidade anormal ao serviço de defesa agropecuária.
Emergência sanitária e medidas de controle
Em Santa Catarina, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) declarou emergência zoossanitária por 60 dias em Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. O despovoamento sanitário da propriedade atingida foi concluído em 20 de outubro. As equipes seguem com limpeza, desinfecção, vigilância epidemiológica e controle do trânsito de animais na região.
Restrições comerciais e regionalização
O foco também provocou restrições ao comércio exterior. Conforme atualização do Mapa em 21 de outubro, Malásia e México suspenderam a importação de determinados produtos avícolas procedentes de todo o Brasil. Arábia Saudita, China e Chile restringiram categorias específicas de produtos originários de Santa Catarina.

Diante dessas medidas, a Faesp defende a regionalização das restrições sanitárias, para diferenciar áreas afetadas das regiões sem ocorrência confirmada. A posição busca limitar os efeitos comerciais sobre produtores de outros estados. O Mapa informa que a carne de aves e os ovos submetidos à inspeção oficial permanecem seguros para consumo.
Produção paulista evidencia importância da prevenção
A dimensão econômica da atividade em São Paulo ajuda a explicar a preocupação. Segundo números apresentados pela Faesp, o estado produziu 14,98 bilhões de ovos em 2025, equivalentes a 25,2% do total brasileiro. No primeiro semestre de 2026, a produção paulista alcançou 7,32 bilhões de unidades.
Na avicultura de corte, os frigoríficos do estado abateram 753,8 milhões de aves em 2025, com produção de 1,69 milhão de toneladas e exportações de US$ 545,47 milhões. De janeiro a junho de 2026, foram abatidas 382,1 milhões de aves, resultando em 870,7 mil toneladas.
A doença de Newcastle é altamente contagiosa entre aves, o que torna a prevenção nas propriedades e a identificação rápida de suspeitas essenciais para conter novos focos. Em caso de alterações clínicas ou mortalidade fora do padrão, os produtores devem acionar imediatamente o serviço veterinário oficial.



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