As exportações brasileiras de ovos, considerando produtos in natura e processados, ganharam ritmo em setembro. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques alcançaram 2,686 mil toneladas no mês, volume 29,4% superior às 2,076 mil toneladas registradas em setembro de 2025.
A receita também avançou, embora em ritmo menor. As vendas externas movimentaram US$ 5,866 milhões, alta de 6% na comparação anual, ante US$ 5,536 milhões no mesmo mês do ano passado.
O desempenho mensal contrasta com os resultados acumulados de 2026. De janeiro a setembro, o Brasil exportou 22,669 mil toneladas de ovos, queda de 34,1% em relação às 34,378 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025. A receita acumulada foi de US$ 49,769 milhões, retração de 38,4% frente aos US$ 80,832 milhões registrados um ano antes.
Estados Unidos distorcem comparação
Segundo a ABPA, a queda acumulada precisa ser analisada considerando a excepcionalidade das compras realizadas pelos Estados Unidos em 2025. Naquele período, o mercado norte-americano enfrentava impactos da Influenza Aviária sobre a oferta doméstica e ampliou significativamente as importações de ovos brasileiros.
Entre janeiro e setembro de 2025, os Estados Unidos compraram 19,515 mil toneladas de ovos do Brasil. No mesmo período de 2026, foram apenas 168 toneladas.
Quando os embarques para o mercado norte-americano são retirados da comparação, o cenário muda. As exportações brasileiras cresceram 51,4% entre janeiro e setembro, passando de 14,863 mil toneladas em 2025 para 22,501 mil toneladas em 2026.
O resultado evidencia o avanço das vendas brasileiras para outros mercados e reduz o peso da comparação com a base atípica registrada no ano passado.
Chile amplia compras de ovos brasileiros
A diversificação dos destinos aparece com força nos dados de setembro. O Chile foi o principal mercado para os ovos brasileiros no mês, com 1,204 mil toneladas, alta de 201,3% em relação às 400 toneladas embarcadas em setembro de 2025.
O Japão ficou na segunda posição, com 351 toneladas, queda de 49,3% sobre as 692 toneladas registradas um ano antes. Na sequência aparecem Equador, com 300 toneladas, sem registros de embarques em setembro de 2025; México, com 244 toneladas, retração de 2,6%; e Serra Leoa, com 135 toneladas, também sem embarques no mesmo mês do ano passado.
Para a ABPA, a expansão das vendas para diferentes mercados demonstra o processo de diversificação da presença internacional do ovo brasileiro.
“O crescimento registrado em setembro e a expansão das vendas para mercados como Chile e Equador demonstram a diversificação dos destinos dos ovos brasileiros”, afirma o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Segundo ele, a retração observada no acumulado do ano está diretamente relacionada ao desempenho excepcional das exportações para os Estados Unidos em 2025. “Quando retiramos esse efeito da comparação, observamos crescimento superior a 50%, o que confirma o avanço consistente da presença internacional do produto brasileiro”, avalia.

Mercado externo em transformação
Os números de setembro reforçam a importância da diversificação dos destinos para a cadeia brasileira de ovos. Apesar da queda no acumulado geral, o desempenho excluindo os Estados Unidos aponta crescimento expressivo e mostra que outros mercados vêm ampliando a participação nas exportações.
Para o setor de proteína animal, o movimento representa uma oportunidade de consolidar o ovo brasileiro no comércio internacional, ampliar mercados e reduzir a dependência de situações conjunturais que podem provocar grandes oscilações nos volumes embarcados de um ano para outro.



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