A Embrapa Pantanal, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), desenvolveu um modelo de galinheiro e protocolos sanitários para pequenas criações no Pantanal sul-mato-grossense. Realizada em parceria com a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e comunidades indígenas do povo Terena, em Aquidauana (MS), a iniciativa busca reduzir doenças nas aves e ampliar a oferta de ovos para consumo familiar.
O projeto está detalhado no Comunicado Técnico 125, publicado em maio de 2026. A estrutura foi planejada para até 100 galinhas poedeiras, com barreiras para limitar o contato com animais silvestres e controlar a circulação de pessoas. O documento também recomenda cuidados com limpeza, armazenamento dos ovos e instalação de um ninho para cada quatro aves.
Instalações e capacitação comunitária
Cada módulo tem custo estimado de R$ 18 mil em infraestrutura. Com recursos da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect), foram adquiridos materiais para quatro unidades. Uma instalação coletiva foi concluída na Terra Indígena Taunay-Ipegue, com participação da comunidade. Os outros três módulos individuais ainda não foram finalizados.
Além das instalações, o projeto oferece oficinas sobre prevenção de doenças, manejo sanitário e qualidade dos ovos. As atividades incluem orientações sobre sintomas respiratórios e neurológicos, controle de acesso aos criatórios e situações que exigem atendimento veterinário.

A pesquisadora da Embrapa Pantanal Raquel Soares Juliano relaciona essas medidas ao conceito de Saúde Única. “A integração entre a saúde humana, animal e ambiental constitui a base do conceito de Saúde Única”, afirma.
Moringa e mandioca na alimentação
Outra frente do trabalho envolve rações alternativas produzidas com moringa e mandioca. Segundo a Embrapa, formulações com esses ingredientes podem substituir até 50% do milho e do farelo de soja utilizados na alimentação das aves, diminuindo a dependência de insumos externos.
As comunidades estão sendo incentivadas a cultivar essas plantas nos próprios quintais. A substituição gradual dos ingredientes convencionais está prevista para começar em 2027, mas os resultados da adoção local ainda precisarão ser avaliados.
Prevenção da influenza aviária
Em parceria com a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), também são realizadas orientações para prevenir a influenza aviária e outras enfermidades. Entre as medidas estão o uso de equipamentos de proteção, a restrição do contato com aves silvestres e a identificação de sinais suspeitos.
A proposta é melhorar as condições sanitárias das criações familiares, reduzir perdas de aves e contribuir para a segurança alimentar das comunidades, mantendo a vigilância sobre doenças que podem afetar os plantéis e a saúde pública.



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