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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78▼
Bezerro SPR$ 3.182,01▼
Boi GordoR$ 338,65▼
Soja PRR$ 127,64▲
Soja PortoR$ 133,87▲
MilhoR$ 63,45▼
Suíno Carc.R$ 8,60▲
Suíno PRR$ 4,66▼
Suíno SCR$ 5,00▲
Suíno SPR$ 5,27▼
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Doenças emergentes na pecuária de corte

É fundamental compreender os principais fatores capazes de comprometer a sanidade dos rebanhos bovinos.

O Brasil ocupa a liderança no ranking mundial de exportação de carne bovina. Essa posição de destaque é resultado da adoção de tecnologias nos sistemas de produção, da melhoria dos índices produtivos e da intensificação do manejo e controle sanitário. Diante disso, para manter a relevância no mercado internacional, o país deve atender a rigorosos requisitos sanitários estabelecidos pelos países importadores, como a comprovação da situação sanitária dos rebanhos. Dessa forma, torna-se fundamental compreender os principais fatores capazes de comprometer a sanidade dos rebanhos bovinos, a fim de mitigá-los e reduzir o risco de emergência e reemergência de enfermidades, preservando, consequentemente, a competitividade da carne brasileira no mercado internacional.

Nesse contexto, as doenças emergentes representam um desafio cada vez mais relevante para a pecuária de corte. O termo é utilizado para enfermidades causadas por agentes recém-identificados ou que aparecem em uma população, região ou hospedeiro onde antes não eram registradas. Esse fenômeno não ocorre por acaso, e sim reflete o próprio ritmo de transformação da própria atividade pecuária, que altera o sistema de produção e o ambiente em que os animais estão inseridos. As mudanças climáticas alteram o regime de chuvas e temperaturas, favorecendo a proliferação de vetores como carrapatos, moscas e mosquitos, ampliando as áreas onde eles conseguem se estabelecer. A intensificação dos sistemas produtivos e as alterações nas práticas de manejo aumentam a pressão de contato entre indivíduos, facilitando a disseminação de patógenos. Junto a isso, soma-se a resistência a antimicrobianos, uma consequência direta do uso incorreto de medicamentos, que reduz a eficácia dos tratamentos convencionais e permite que agentes antes controláveis voltem a causar prejuízo. A interação entre animais domésticos e silvestres também merece atenção, principalmente javalis, morcegos e capivaras, já que podem atuar como reservatório de patógenos, como a leptospirose, brucelose, tuberculose e raiva. O resultado dessa combinação de fatores aparece diretamente na produtividade do rebanho: queda no ganho de peso, comprometimento dos índices reprodutivos e aumento da mortalidade. Em casos de maior impacto sanitário, as consequências ultrapassam a porteira, ocorrendo até mesmo a rejeição do produto por mercados importadores mais exigentes, reforçando que o tema deve ser prioridade na rotina do produtor.

Principais doenças emergentes e fatores de risco

Para garantir a segurança do rebanho, o produtor precisa conhecer as principais ameaças que atualmente demandam monitoramento:

– Febre Aftosa: segue como uma das maiores prioridades sanitárias do país. Mesmo após o Brasil ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em 2025, como território livre da doença sem vacinação, manter esse status depende de vigilância permanente e da notificação de qualquer suspeita pelo produtor, afinal, é essa condição que sustenta o acesso da carne brasileira aos principais mercados importadores.

– Tristeza Parasitária Bovina (TPB): por ser endêmica no rebanho nacional, continua sendo uma das doenças de maior impacto econômico direto, afetando especialmente as áreas de introdução de raças europeias em clima tropical, pois esses animais não possuem a mesma resistência natural ao carrapato e aos hemoparasitas que os zebuínos (Bos indicus).

– Diarreia Viral Bovina (BVD) e Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR): são as principais infecções virais amplamente disseminadas, enfermidades reprodutivas e respiratórias que podem provocar perdas de desempenho, abortos, infertilidade e problemas em bezerros.

– Doenças respiratórias bovinas: o complexo respiratório envolve diferentes vírus e bactérias e pode ser especialmente importante em sistemas intensificados, confinamentos e situações de estresse, pois reduz ganho de peso, aumenta a mortalidade e o custo de produção.

– Leptospirose: é uma infecção bacteriana contagiosa que causa grandes prejuízos econômicos na pecuária devido a problemas reprodutivos e quedas na taxa de desmama. Ocorre principalmente pelo contato com a urina de animais infectados (portadores ou roedores) que contaminam a água, o solo úmido, os bebedouros e as pastagens.

– Tricomonose bovina: doença de transmissão venérea, ganha relevância em sistemas de monta natural, ainda predominantes na pecuária de corte extensiva brasileira.

– Tripanossomíase bovina: transmitida por vetores hematófagos, também compromete a eficiência reprodutiva, apresenta ocorrência mais regional, dependente da presença do vetor.

– Influenza aviária: historicamente associada às aves, hoje representa um risco sobretudo indireto para a bovinocultura, tem exigido atenção redobrada de todo o setor pecuário diante de casos recentes de transmissão a mamíferos em diferentes países.

– Dermatite Nodular Contagiosa e Doença Hemorrágica Epizoótica: essas duas doenças ainda sem registro confirmado no Brasil já estão incluídas nas exigências sanitárias para importação de material genético bovino, como medida preventiva diante de sua presença em outros países.

Para garantir a segurança sanitária do rebanho e maximizar os índices produtivos, o produtor rural deve atentar-se às rigorosas exigências sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e estar familiarizado ao plano de contingência, de modo a responder rapidamente à possíveis adversidades sanitárias no rebanho.

 Nesse sentido, a adoção de medidas de biosseguridade torna-se fundamental para garantir a saúde do rebanho e reduzir os riscos de disseminação de patógenos emergentes em território nacional. Recomenda-se que novos lotes a serem introduzidos no rebanho, provenientes de outros estados, países e até mesmo de outras propriedades, permaneçam em quarentena e sejam monitorados durante o período de isolamento. O monitoramento permite a identificação imediata de qualquer anormalidade e possibilita a adoção de medidas de controle, por meio da notificação aos órgãos oficiais de defesa sanitária.

Além disso, para garantir transporte seguro e adequado dos animais, os órgãos de defesa agropecuária exigem a emissão obrigatória da Guia de Trânsito Animal (GTA), que acompanha o trânsito e apresenta a situação sanitária do rebanho transportado. A GTA reúne uma série de informações a serem preenchidas pelo produtor, incluindo os comprovantes de vacinação obrigatória e os exames exigidos pela defesa agropecuária. Por fim, é fundamental adotar práticas adequadas de manejo na rotina diária, visando assegurar a integridade sanitária da propriedade por meio do controle do trânsito de pessoas, da higiene e desinfecção das instalações e equipamentos, bem como do manejo adequado de materiais que possam representar risco sanitário.

O manejo sanitário do rebanho brasileiro e as exigências do mercado internacional permanecem alinhados, evidenciando a importância da adoção de práticas que assegurem a sanidade dos animais e a qualidade dos produtos exportados. Dessa forma, torna-se imprescindível a adoção contínua de boas práticas sanitárias e de biosseguridade para fortalecer a confiança dos mercados internacionais e, consequentemente, manter a posição de liderança na exportação de carne bovina nos próximos anos.

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