Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mercado brasileiro de grãos iniciou a semana com comportamentos opostos para os principais produtos. Enquanto a soja tem seus preços sustentados pela firme demanda para o esmagamento, o milho começa a interromper o movimento de queda que vinha predominando nas últimas semanas, com compradores e vendedores em compasso de espera.
De acordo com dados do Cepea divulgados nesta segunda-feira (21), os preços da soja registraram leve alta em importantes praças do país. Mesmo com uma expectativa de oferta global recorde, a forte procura da indústria – especialmente para o processamento do grão – tem evitado recuos mais expressivos. Na parcial de julho (até o dia 17), os Indicadores CEPEA/ESALQ subiram 1,3% no Paraná e 1,8% no porto de Paranaguá (PR), reflexo da boa movimentação nos negócios envolvendo a oleaginosa.
A sustentação dos preços, no entanto, encontra resistência nos dados da nova safra mundial. O USDA estima que a produção global de soja deve saltar de 421,99 milhões de toneladas na temporada 2024/25 para 427,68 milhões em 2025/26, o que reforça o cenário de ampla oferta no mercado internacional. Ainda assim, a necessidade de abastecimento do parque esmagador interno tem mantido a competitividade da soja brasileira, especialmente nos portos.

Já o milho apresenta uma situação distinta. Após semanas de retração nos preços, o mercado começa a dar sinais de estabilização em algumas regiões. A colheita da segunda safra segue avançando, ainda que em ritmo inferior ao de anos anteriores. Em algumas praças, os produtores reduziram o ritmo das ofertas, apostando em melhores condições de comercialização mais adiante.
Apesar disso, a liquidez continua baixa no spot, já que muitos compradores seguem abastecidos com contratos fechados anteriormente, e o ritmo de exportações está aquém do esperado. O cenário de safra recorde no Brasil também pesa sobre as negociações, limitando qualquer recuperação mais significativa nos preços.
Especialistas apontam que o comportamento do milho nas próximas semanas deve depender do andamento da colheita e do desempenho das exportações no curto prazo. Enquanto isso, a soja segue com maior firmeza, sustentada por uma demanda industrial ativa e pelo posicionamento estratégico dos produtores.
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