As exportações brasileiras de carne bovina perderam força em agosto diante da forte redução das compras chinesas. O Brasil embarcou 233,5 mil toneladas no mês, queda de 22,2% frente a agosto de 2025, enquanto a receita recuou 15,2%, para US$ 1,36 bilhão, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Foi o menor volume mensal registrado em 2026. No recorte oficial do MDIC apenas para carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, os embarques somaram 195,7 mil toneladas, retração de 27,1% na comparação anual. A diferença ocorre porque o levantamento da ABIEC considera também produtos industrializados, salgados, miúdos, gorduras e tripas.
China reduz compras em quase 90%
A China recebeu 18,9 mil toneladas em agosto, volume 88,2% inferior ao de igual mês de 2025. A receita caiu 88,6%, para US$ 101,9 milhões.
A desaceleração ocorre em meio à aproximação do limite da salvaguarda chinesa. Em 10 de agosto, o Ministério do Comércio da China informou que 90% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas já havia sido utilizada. Acima do limite, incide tarifa adicional de 55%. A ABIEC avalia que, considerando os embarques e cargas ainda em trânsito, o volume disponível já estava integralmente comprometido.

Outros destinos avançam
Com a retração chinesa, os Estados Unidos lideraram as compras em agosto, com 35,3 mil toneladas, alta de 276%. A União Europeia recebeu 23,4 mil toneladas, avanço de 108,6%; a Rússia chegou a 22 mil toneladas, crescimento de 54,5%; e o Chile, a 17,4 mil toneladas, alta de 44,4%.
O avanço europeu, porém, ganhou um novo obstáculo em setembro. Desde o dia 3, a União Europeia suspendeu as importações de carnes brasileiras após questionamentos relacionados às garantias exigidas pelo bloco para o uso de antimicrobianos na produção animal.
Acumulado permanece acima de 2025
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 2,202 milhões de toneladas de carne bovina, alta de 5,3%, com receita de US$ 12,79 bilhões, avanço de 21,7%.
Mesmo com o recuo recente, a China permanece como principal destino, com 899,2 mil toneladas e participação de 40,8% no volume acumulado. Os Estados Unidos aparecem em seguida, com 269,1 mil toneladas, crescimento de 28,7%.



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