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RABOBANK: Conflito no Oriente Médio ameaça encarecer fertilizantes no Brasil

Tensão no Estreito de Ormuz pode dobrar o preço da ureia no Brasil. Banco alerta para riscos logísticos e impacto no agronegócio nacional.
Por Caroline Mendes
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Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

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A crescente tensão geopolítica no Oriente Médio, especialmente com a ameaça do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, acendeu o alerta no agronegócio global. Segundo análise do Rabobank, um eventual bloqueio dessa passagem estratégica poderia provocar aumentos drásticos nos preços dos fertilizantes — com impactos especialmente severos para países altamente dependentes de importações, como o Brasil.

Com cerca de 45% das exportações globais de ureia passando pelo Estreito de Ormuz, o relatório destaca que o segmento de nitrogênio seria o mais impactado, seguido pelos mercados de fosfato e enxofre. Esses insumos são essenciais para a agricultura e compõem boa parte da estrutura de custo da produção agrícola.

fertilizantes
Com cerca de 45% das exportações globais de ureia passando pelo Estreito de Ormuz, o relatório destaca que o segmento de nitrogênio seria o mais impactado, seguido pelos mercados de fosfato e enxofre.

Brasil na linha de frente

O Brasil figura entre os países mais vulneráveis a essa crise. O país importa mais de 90% da ureia que consome e cerca de 95% dos macronutrientes utilizados nas lavouras. Segundo o Rabobank, se o Estreito for totalmente bloqueado por um período de três meses, os preços da ureia no Brasil podem mais que dobrar — com aumento previsto de até +100%. Mesmo em um cenário de fechamento parcial, o país enfrentaria alta de até 35% nos três primeiros meses.

Além da dependência estrutural, o calendário agrícola agrava o problema: a demanda por fertilizantes aumenta entre junho e novembro, período que coincide com o risco de interrupção logística. Isso pode comprometer diretamente a safrinha de milho, cuja produtividade está fortemente atrelada à adubação nitrogenada.

Impactos globais nos fertilizantes

Índia e União Europeia também seriam fortemente afetadas. A Índia, segundo maior importador global de ureia, poderia enfrentar altas de até 80% nos preços, enquanto a UE, que já lida com tarifas contra fertilizantes russos, teria que buscar novos fornecedores em regiões igualmente instáveis, como o norte da África e o Oriente Médio.

Nos Estados Unidos, embora os impactos sejam menores devido à menor dependência de importações no segundo semestre, os preços ainda podem subir até 70% em caso de fechamento total.

Efeitos em cascata

Os reflexos não se limitam à ureia. O Rabobank alerta que cerca de 30% das exportações globais de enxofre e até 20% dos volumes de DAP e MAP também dependem da região. Como o enxofre é matéria-prima para a produção de ácido sulfúrico — essencial na fabricação de fosfatados —, um gargalo logístico afetaria todo o complexo de fertilizantes.

A Arábia Saudita, que vem ganhando protagonismo como fornecedora global de fosfatos, exporta via Ras Al Khair, no Golfo Pérsico. A impossibilidade de escoamento por essa rota pode gerar aumentos de até 40% nos preços dos fosfatados no Brasil.

Reações e possíveis soluções

O estudo aponta que o aumento de preços pode incentivar a reativação de unidades de produção inativas ao redor do mundo, além de ajustes nas práticas agrícolas para reduzir a demanda. Acordos bilaterais também surgem como solução estratégica: Brasil e Índia, por exemplo, podem buscar garantir volumes estáveis com países como Marrocos e repúblicas ex-soviéticas.

Apesar de o fechamento do Estreito de Ormuz ser improvável no momento, o cenário reforça a vulnerabilidade do mercado global de fertilizantes a choques geopolíticos. A lição, segundo o Rabobank, é clara: diversificação de fornecedores, estoques estratégicos e políticas públicas de estímulo à produção interna serão cada vez mais determinantes para a segurança alimentar mundial.

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