Em sua sexta edição, o Confina Brasil mantém o objetivo de documentar e divulgar práticas inovadoras na pecuária de corte em diferentes regiões do país. Com apoio de parceiros estratégicos, a expedição busca ampliar o conhecimento sobre métodos que vêm transformando o setor. Entre 28 de julho e 21 de agosto, a terceira rota visitou propriedades em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, destacando o uso de coprodutos e grão reidratado, automação e softwares de gestão, integração lavoura-pecuária, protocolos de qualidade, programas de bonificação e avanços genéticos voltados a animais superprecoces.
Em Mato Grosso, a rota concentrou-se em Rondonópolis e municípios próximos, como Itiquira, Pedra Preta e Poxoréu. Um dos destaques foi o modelo de Recria Intensiva a Pasto (RIP), seguido de Terminação Intensiva a Pasto (TIP). Na primeira fase, os animais pastejam e recebem suplementação em uma praça central, cercada por piquetes manejados por pastejo rotacionado. Na segunda, o acesso ao pasto é interrompido, transformando o espaço em baia de confinamento, otimizando infraestrutura e garantindo transição alimentar eficiente.
A terminação de fêmeas F1 Angus em sistemas TIP e a expansão da produção voltada a protocolos de carne premium também se destacaram, impulsionadas por programas de bonificação que valorizam carcaças padronizadas, de animais jovens e com acabamento de gordura superior. O avanço genético observou o uso do tricross (F1 Angus x Nelore inseminadas com Charolês), combinando rusticidade zebuína, precocidade e qualidade da carne britânica e musculatura do continental, resultando em animais de alto desempenho e carcaças valorizadas por programas de bonificação. A desmama precoce trouxe benefícios adicionais, preservando a condição corporal das matrizes e aumentando a eficiência do sistema.

A nutrição nos confinamentos mato-grossenses é fortemente influenciada pela disponibilidade de coprodutos agroindustriais, especialmente do etanol de milho e do processamento do algodão. Entre os insumos do etanol, destacam-se WFS, DFS e HPDDG, utilizados estrategicamente de acordo com logística e perecibilidade. Produtos derivados do algodão, como caroço, torta, farelo, casca e capulho, foram observados em 60% das propriedades, reforçando a importância das cadeias industriais locais para a bovinocultura intensiva.
Em Mato Grosso do Sul, a expedição percorreu todo o estado, de Rio Verde de Mato Grosso a Itaquiraí, incluindo Aparecida do Taboado, destacando uma pecuária de alta escala e performance. A qualidade da reposição reforça a reputação do estado como berço do “melhor bezerro do Brasil”. Modelos de produção superprecoces demonstram como a seleção genética e cruzamentos com Angus permitem desmama aos 8 meses, seguida de confinamento e abate aos 13 meses, com machos atingindo 550 kg e fêmeas 460 kg.
Programas como a Cota Hilton e o estadual Novilho Precoce MS evidenciam a importância da rastreabilidade e gestão profissional. Ambos exigem padrões rigorosos de identificação, sanidade, gestão ambiental e controle de peso e maturidade das carcaças, com bonificações para animais que atendem aos critérios. Iniciativas como o bezerrotel fornecem flexibilidade estratégica para a recria, permitindo que os produtores protejam pastagens e desenvolvam bezerros durante períodos críticos de seca ou falta de forragem. Investimentos em pivôs de irrigação também garantem estabilidade na produção de alimento, minimizando impactos dos veranicos.
No Paraná, a expedição percorreu a região Oeste, identificando propriedades de menor escala, porém altamente tecnológicas e organizadas. O cooperativismo é central, com cooperativas agrícolas e pecuárias oferecendo acesso a insumos, programas de bonificação e integração completa da cadeia produtiva. O confinamento apresenta alta participação de fêmeas (62,3%), estratégia que reduz ciclos de terminação e melhora acabamento e marmoreio. Tecnologias de precisão, como ultrassonografia e softwares de classificação de carcaças, permitem otimizar o ponto de abate e a rentabilidade.
A infraestrutura das propriedades visitadas inclui silos-bolsa, currais cobertos, pistas concretadas e biodigestores que transformam esterco em biogás, fertilizando o milho usado na dieta animal, evidenciando como produtividade e sustentabilidade caminham lado a lado no avanço da pecuária intensiva nacional.
Fonte: Scot Consultoria, adaptado pela equipe FeedFood.
LEIA TAMBÉM:
Confina Brasil 2025 é lançado com curta-metragem ‘Sempre em Frente’ durante Encontro da Scot Consultoria
Silagem e nutrição ganham espaço nas discussões da ECR Scot Consultoria
Valcor: o lançamento da Zoetis durante ECR da Scot Consultoria





