A necessidade de diversificar os destinos da carne bovina brasileira foi debatida na quarta-feira (14) pela Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP, em reunião voltada aos produtores paranaenses. Durante o encontro, Rafael Lima Filho, especialista da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apresentou alternativas diante da cota de importação chinesa e das restrições sanitárias impostas pela União Europeia.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil embarcou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e setembro de 2026, queda de 0,5% sobre igual período de 2025. A receita, porém, cresceu 14,1%, para US$ 14,17 bilhões, refletindo a valorização média do produto exportado.
Cota chinesa e barreiras europeias
O Brasil atingiu o limite anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecido pela China. Desde outubro, os volumes acima dessa cota estão sujeitos a uma sobretaxa de 55%, além da tarifa regular de 12%. A próxima cota anual, de 1,128 milhão de toneladas, está prevista para 2027, sem renovação automática em outubro.
Na União Europeia, restrições à entrada de produtos brasileiros de origem animal passaram a valer em 3 de setembro, por exigências ligadas ao controle do uso de antimicrobianos. Segundo o Sistema FAEP, a carne bovina ainda depende de adequações e de novas avaliações para a retomada das exportações.

Estados Unidos ampliam compras
Os Estados Unidos receberam 48,3 mil toneladas de carne bovina brasileira em setembro, conforme a Abiec, enquanto a China comprou 12,9 mil toneladas. No acumulado de janeiro a setembro, os norte-americanos importaram 317,4 mil toneladas, alta de 45%. A China, apesar do recuo recente, permaneceu como principal destino no acumulado, com 37,5% dos embarques.
Durante a reunião, Lima Filho citou Indonésia, Filipinas e Vietnã entre os mercados a explorar e destacou oportunidades de maior valor agregado em destinos asiáticos. Essas possibilidades dependem das exigências sanitárias e comerciais de cada país.
Paraná mira produtos diferenciados
O presidente da comissão, Rodolpho Botelho, defendeu a redução da dependência de compradores específicos: “É importante que o Brasil abra mais mercado, diminua o mercado chinês e não fique na dependência só da China”.
Para o Paraná, Botelho apontou a necessidade de ampliar a habilitação de frigoríficos, fortalecer a rastreabilidade e manter fornecimento regular de cortes de maior valor agregado. Segundo o Sistema FAEP, apenas 11 propriedades paranaenses estavam aptas a fornecer bovinos para a cadeia exportadora destinada à União Europeia, conforme as exigências do Sisbov, evidenciando os desafios de rastreabilidade e acesso a mercados mais exigentes.



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