Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O Brasil alcançou um marco estratégico em sua política de ampliação de mercados para a carne bovina. No último dia 28 de junho, a planta frigorífica da JBS em Mozarlândia (GO) tornou-se a primeira unidade brasileira autorizada a exportar carne bovina ao Vietnã, após aval oficial das autoridades sanitárias do país asiático.
A autorização é resultado de meses de negociações técnicas, auditorias e construção de confiança institucional entre os dois governos. A expectativa é que esse movimento abra caminho para um fluxo comercial consistente com um dos mercados mais promissores da Ásia. O Vietnã importa cerca de 300 mil toneladas de carne bovina por ano, e o Brasil mira conquistar entre 30% e 50% desse total, o que pode representar uma receita anual estimada entre R$ 450 milhões e R$ 590 milhões, de acordo com valores médios praticados atualmente no comércio exterior.
O acesso formal ao mercado vietnamita foi oficializado em março de 2025, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Hanói. Desde então, o setor pecuário e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) intensificaram esforços técnicos e diplomáticos para garantir a habilitação de plantas brasileiras, priorizando unidades com alto grau de controle sanitário e capacidade produtiva.
“Esse é um resultado concreto de um trabalho silencioso, mas estratégico. Estivemos presentes em todas as etapas, construindo confiança com as autoridades vietnamitas”, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa. “O Vietnã representa um mercado de alto valor para a proteína brasileira e consolida nossa posição como fornecedor global.”

Novas habilitações à vista
Atualmente, outras 34 plantas frigoríficas brasileiras aguardam avaliação para habilitação pelo Vietnã. A expectativa é de que ao menos 12 novas unidades sejam aprovadas nos próximos dias, em ocasião simbólica durante a visita oficial do primeiro-ministro vietnamita Phạm Minh Chính ao Brasil, prevista para acontecer paralelamente à cúpula dos BRICS. Há inclusive previsão de um ato oficial para marcar o envio do primeiro embarque de carne bovina ao país asiático, a partir da unidade já habilitada.
A planta da JBS em Mozarlândia é uma das mais modernas da companhia e possui forte histórico de atendimento a exigências sanitárias de mercados exigentes. A empresa, por sua vez, já exporta carne para mais de 100 países e vê o Vietnã como um ponto estratégico para ampliar sua presença no Sudeste Asiático.
Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Vietnã somou US$ 7,7 bilhões, com destaque para exportações brasileiras de soja, algodão, carne de frango e carne suína. A inclusão da carne bovina nesse portfólio reforça o potencial de diversificação e ganho de valor agregado nas vendas externas.
Além do Vietnã, o setor pecuário brasileiro também projeta avanços em outros mercados asiáticos. Uma missão técnica do Japão finalizou recentemente a inspeção dos sistemas de controle sanitário do Brasil, e um relatório técnico sobre a possível habilitação de exportações deve ser publicado ainda em julho.
A entrada no mercado vietnamita não apenas representa um ganho econômico, mas também fortalece a imagem da carne brasileira como produto seguro, sustentável e competitivo. O reconhecimento de um país asiático com altos padrões de segurança alimentar funciona como um selo de qualidade que pode abrir portas para outras nações da região.
“Estamos construindo uma base sólida de confiança com os mercados internacionais. Essa habilitação é um selo de credibilidade para toda a cadeia produtiva da carne brasileira”, reforçou Perosa.
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