A adoção de baias coletivas para matrizes suínas durante a gestação alcançou 45,1% do plantel reprodutivo monitorado no Brasil, avanço de apenas 0,2 ponto percentual em relação a 2025. O dado faz parte da sétima edição do Observatório Suíno, divulgado pela organização Alianima, que acompanha as políticas de bem-estar animal de empresas fornecedoras e compradoras de carne suína.
O levantamento indica que os custos de adaptação das granjas continuam sendo um dos principais obstáculos à transição. A mudança exige investimentos em instalações, adequações no manejo e planejamento da estrutura produtiva, fatores que dificultam a implementação das medidas por parte dos fornecedores.
Entre as empresas consultadas, 80% apontaram dificuldades de financiamento como uma barreira para avançar na adoção de baias coletivas. A precificação do produto final foi mencionada por 70% dos participantes, enquanto 60% destacaram desafios relacionados ao planejamento das instalações.
As baias coletivas permitem que as porcas gestantes permaneçam alojadas em grupos, em vez de confinadas individualmente durante esse período. A prática integra as iniciativas voltadas à melhoria das condições de bem-estar animal na suinocultura.
Empresas apresentam diferentes níveis de avanço
O estudo identificou diferenças significativas no ritmo de implementação das medidas entre os fornecedores avaliados. JBS e Ecofrigo informaram que 100% de suas matrizes já são mantidas em baias coletivas durante a gestação. A Pamplona declarou ter alcançado 97%.
A Alegra Foods e a Alibem registraram os maiores avanços em relação ao ano anterior, com aumento de 12 pontos percentuais cada na adoção do sistema.
Em contrapartida, Aurora Coop, Frimesa e MBRF estabeleceram 2026 como prazo para concluir a transição, mas, segundo a Alianima, o ritmo de implementação é insuficiente para o cumprimento das metas no período previsto.
A sétima edição do Observatório Suíno ouviu dez dos 11 fornecedores convidados, reunindo informações sobre o alojamento das matrizes e outras práticas relacionadas ao bem-estar animal na produção de carne suína.
Uso de antibióticos como promotores de crescimento
O relatório também avaliou a utilização de antibióticos como promotores de crescimento, substâncias empregadas para favorecer o ganho de peso dos animais.
De acordo com o levantamento, 60% dos fornecedores consultados já baniram essa prática, enquanto 20% pretendem eliminá-la. Os outros 20% não têm planos declarados de banimento.
A Alegra Foods e a Aurora Coop foram apontadas como as únicas empresas que mantêm o uso desses antibióticos sem intenção declarada de eliminá-lo. A Frimesa adiou de 2027 para 2028 o prazo previsto para o fim da prática, enquanto a Pif Paf passou a declarar intenção de banimento, ainda sem estabelecer uma data.
Espaço na maternidade e enriquecimento ambiental são desafios
Outras medidas de bem-estar também apresentam avanços limitados. Embora 60% dos fornecedores tenham planos para ampliar o espaço destinado às matrizes durante a maternidade, as iniciativas estão restritas à construção de novas instalações.
O enriquecimento ambiental é outro ponto de atenção. Segundo a Alianima, 70% das empresas não oferecem recursos como materiais que permitam aos suínos expressar comportamentos naturais, incluindo atividades relacionadas à construção do ninho.
A prática é considerada uma medida importante para melhorar as condições de criação, ao proporcionar estímulos ambientais aos animais.
Corte de cauda segue amplamente adotado
O levantamento também identificou resistência à eliminação do corte da cauda dos suínos, procedimento utilizado na produção e associado a questões de manejo e bem-estar animal.
Segundo o relatório, 80% dos fornecedores não pretendem abandonar a prática. A JBS, por sua vez, passou a integrar o grupo de empresas que declaram intenção de eliminá-la, ao lado da MBRF.
Os resultados do Observatório Suíno mostram que, apesar dos avanços registrados por algumas empresas, a adoção de práticas de bem-estar animal ainda enfrenta desafios estruturais e financeiros na cadeia produtiva da carne suína brasileira. A evolução das políticas do setor dependerá, entre outros fatores, da capacidade de investimento dos produtores, da adaptação das instalações e do estabelecimento de metas de implementação compatíveis com as condições de produção.



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