A Arábia Saudita anunciou 27 acordos que preveem investimentos de 2,57 bilhões de riais sauditas, aproximadamente US$ 687 milhões, para ampliar e modernizar sua indústria avícola. Os compromissos foram firmados em 4 de outubro, durante a abertura da quinta edição da Middle East Poultry Expo, em Riad, com a presença do ministro do Meio Ambiente, Água e Agricultura, Abdulrahman Al-Fadley.
Segundo o ministério saudita, os investimentos têm como objetivos aumentar a eficiência produtiva, fortalecer as cadeias de abastecimento e ampliar a produção doméstica de proteína animal. O comunicado, entretanto, não detalha o cronograma de execução dos projetos nem informa quanto dos recursos já foi efetivamente desembolsado.
Produção nacional e autossuficiência
A ampliação da produção faz parte da estratégia saudita de reduzir a dependência de fornecedores externos. Em balanço divulgado no encerramento da feira, em 6 de outubro, o governo informou produção de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de frango de corte em 2026 e mais de 9 bilhões de ovos.
De acordo com o ministério, a autossuficiência alcançou 80% para carne de aves e 100% para ovos de consumo, considerando os indicadores apresentados pelo governo saudita.

Entre as iniciativas voltadas ao desenvolvimento da atividade estão projetos de fabricação local de vacinas avícolas, produção de matrizes reprodutoras e aprimoramento dos sistemas de produção. A feira reuniu mais de 400 empresas e entidades expositoras de 45 países.
Brasil mantém presença no mercado saudita
A expansão da avicultura local também interessa ao Brasil, um dos fornecedores de carne de frango para a Arábia Saudita. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país importou 38,3 mil toneladas do produto brasileiro em setembro de 2026, crescimento de 7,4% em relação às 35,7 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025.
No período, as exportações brasileiras totais de carne de frango alcançaram 500,3 mil toneladas, alta anual de 3,7%, com receita de US$ 984,2 milhões.
Expansão pode alterar dinâmica comercial
O fortalecimento da produção saudita pode modificar as condições de concorrência no mercado internacional, principalmente para países exportadores de proteína avícola. Entretanto, o aumento da capacidade produtiva não representa necessariamente redução imediata das importações.
O impacto sobre os embarques brasileiros dependerá da execução dos investimentos, da evolução da demanda saudita, dos preços e das condições comerciais entre os dois países.



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