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Alta da inadimplência redefine perfil do crédito rural e impulsiona uso da CPR registrada

Financiadores adotam prazos mais longos e demandam mais garantias em meio à elevação do risco no setor agropecuário
Por Marcelo Macaus
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O avanço da inadimplência entre empresas do agronegócio está redesenhando as condições do crédito rural no Brasil. Com maior aversão ao risco e exigência de garantias mais robustas, financiadores têm optado por prazos mais longos e pela consolidação da Cédula de Produto Rural (CPR) como principal instrumento de crédito privado. A análise é da Vertrau, empresa de tecnologia voltada à infraestrutura financeira e criadora da plataforma AgroTrust, especializada em gestão e registro digital de CPRs.

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De acordo com Israel Malheiros, head de operações da Vertrau, a inadimplência das pessoas jurídicas subiu 26,7% em março, na comparação anual, segundo dados da CNDL/SPC Brasil. “A alta dos juros, a queda da renda agrícola e o aperto nas margens compõem um cenário que pressiona a capacidade de pagamento no campo”, afirma.

Essa conjuntura impactou diretamente os prazos de financiamento. Dados do Banco Central revelam que o prazo médio das concessões subiu de 19,4 para 31,9 meses entre abril de 2024 e abril de 2025, uma alta de 64%. Nas operações com taxas reguladas, o crescimento foi ainda maior: 92%.

A CPR, especialmente na versão digital e registrada, ganhou protagonismo. O estoque de CPRs saltou de R$ 34 bilhões em 2021 para R$ 484 bilhões em março deste ano, segundo o Ministério da Agricultura. Já o volume movimentado por esse instrumento nos últimos 12 meses chegou a R$ 325 bilhões, alta de 43%.

Israel Malheiros conta que inadimplência das pessoas jurídicas subiu 26,7% em março, na comparação anual, segundo dados da CNDL/SPC Brasil (Foto: Divulgação)

Para dar suporte a essa nova dinâmica, plataformas tecnológicas vêm ganhando espaço. A Vertrau, por exemplo, desenvolveu o AgroTrust, sistema que oferece segurança, rastreabilidade e integração com registradoras. “A CPR passou de um título para uma base estruturante do crédito rural moderno”, ressalta Israel Malheiros.

A expansão do crédito privado no agro também reforça o papel das CPRs. Segundo o Mapa, o estoque de instrumentos como CPR, LCA, CRA, CDCA e Fiagro somou R$ 1,2 trilhão em novembro de 2023 – crescimento de 31,5% em um ano. “Com menos recursos públicos disponíveis, a eficiência e flexibilidade do crédito privado, ancorado na CPR, se tornaram essenciais”, conclui.

Fonte: Lumi Comunicação, adaptado pela equipe FeedFood

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