Camila Santos, de São Paulo (SP)
O município de Sorriso, no Mato Grosso, é um dos destaques como exemplo de potência agrícola e gestão sustentável no Global Agribusiness Festival (GAFFFF). Em entrevista exclusiva, o secretário municipal de Agricultura, Clóvis Filho, ressalta que Sorriso é hoje o maior produtor de soja do mundo e o maior produtor de milho do Brasil, com uma estrutura capaz de processar cerca de 3 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol — cujo subproduto, o DDG, alimenta cadeias de suinocultura e bovinocultura locais.
De acordo com ele, o município conta com 206 mil cabeças de suínos e um rebanho confinado de 101 mil cabeças de gado. Esse avanço na produção animal tem como base a sólida estrutura agrícola da região e o aproveitamento eficiente de recursos, que tornam Sorriso um dos principais polos do agronegócio brasileiro. “A cidade está madura, com grande capacidade de integração entre agricultura e pecuária”, destaca.

Ele comenta que Sorriso é uma cidade jovem, fruto de políticas de ocupação e incentivo à abertura de terras na década de 1980. “Com clima favorável e solo fértil, o município rapidamente se destacou na produção de arroz, soja e milho. Com o tempo, as exigências ambientais se intensificaram e Sorriso se adaptou, construindo uma matriz produtiva equilibrada. Hoje, cerca de 37% da área municipal está em reservas legais, todas em propriedades privadas”, explica.
Essa maturidade ambiental é visível: 25% da produção de soja do município já conta com certificação RTRS (Round Table on Responsible Soy), selo internacional de produção sustentável. Além disso, cerca de 30 mil hectares são irrigados por pivôs centrais, permitindo até três safras anuais em algumas propriedades. “Chegamos a um estágio de grande responsabilidade ambiental, sem perder produtividade”, enfatiza o secretário.
Os gargalos, segundo Clóvis, ainda existem — com destaque para a infraestrutura logística e o fornecimento de energia elétrica. No entanto, a gestão local já trabalha em soluções. A previsão é que até 2030 novos modais logísticos, como ferrovias ligando Sorriso ao Sul, Leste e Norte do país, estejam operando. A expansão energética também está em negociação para acompanhar o crescimento acelerado da região.
Além dos dados produtivos, o GAFFFF também trouxe à tona o aspecto humano por trás da força do agro em Sorriso: uma população majoritariamente formada por migrantes do Sul do Brasil, que ajudou a consolidar o município como um dos pilares do agronegócio nacional. “Estamos à disposição para trocar experiências e mostrar como é possível crescer com responsabilidade”, finaliza Clóvis.
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