Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27

Mudança no perfil dos riscos desafia agronegócio e amplia demanda por proteção especializada

Eventos climáticos extremos e ameaças cibernéticas ganham peso nas estratégias de gestão de frigoríficos, cooperativas e agroindústrias.

As transformações no ambiente de negócios têm levado empresas da cadeia de proteína animal a revisar suas estratégias de gestão de riscos. Questões que antes eram tratadas como temas operacionais ou de compliance passaram a ocupar espaço nas decisões corporativas, impulsionadas pelo avanço das mudanças climáticas, da digitalização e da crescente complexidade das cadeias produtivas.

Segundo especialistas do mercado segurador, os riscos climáticos e cibernéticos estão entre os principais fatores que devem influenciar os investimentos e a competitividade do agronegócio nos próximos anos, exigindo novos mecanismos de proteção financeira e maior capacidade de adaptação por parte das empresas. “O entendimento dos riscos deixou de ser apenas uma medida de proteção para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão”, afirma Eduardo Lucena,  CEO da Lockton Brasil.

Clima pressiona produção e logística

O agronegócio brasileiro segue entre os principais motores da economia nacional. Em 2025, a cadeia agroindustrial respondeu por 29,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Cepea/USP.

Para a cadeia de proteína animal, entretanto, o aumento da frequência de eventos climáticos extremos tem ampliado os desafios operacionais. Secas prolongadas, ondas de calor e chuvas intensas afetam diretamente a disponibilidade de insumos, a produção de grãos destinados à alimentação animal, a logística de transporte e o planejamento das operações industriais.

Além dos impactos produtivos, o cenário também eleva a exposição financeira das empresas e aumenta a procura por instrumentos de proteção mais sofisticados.

Entre as alternativas que vêm ganhando espaço está o seguro paramétrico, modalidade baseada em indicadores objetivos, como índices de chuva, temperatura ou ocorrência de eventos climáticos específicos. Diferentemente dos modelos tradicionais, esse tipo de cobertura permite acionamento mais rápido das indenizações, oferecendo maior previsibilidade para produtores e empresas da cadeia agroindustrial.

A adoção crescente de sensores, ferramentas de monitoramento climático e plataformas de análise de dados também contribui para uma gestão mais precisa dos riscos no campo e abre espaço para soluções de seguros mais alinhadas às necessidades do setor.

O aumento da frequência de eventos climáticos extremos tem ampliado os desafios operacionais.

Digitalização amplia vulnerabilidades

Se as mudanças climáticas representam um desafio crescente para a produção agropecuária, a digitalização das operações trouxe uma nova preocupação para frigoríficos, cooperativas e agroindústrias: os ataques cibernéticos.

Com plantas industriais cada vez mais automatizadas e processos integrados por sistemas digitais, o risco tecnológico passou a ser considerado um fator econômico relevante para a cadeia de proteína animal.

Segundo dados da Fortinet, o Brasil registrou 314,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos apenas no primeiro semestre de 2025, concentrando a maior parte das atividades maliciosas identificadas na América Latina.

Para empresas do setor, um incidente cibernético pode interromper linhas de produção, comprometer sistemas logísticos, afetar rastreabilidade, causar vazamento de dados e gerar prejuízos financeiros e reputacionais significativos.

O avanço da inteligência artificial no agronegócio também tem ampliado o debate sobre segurança digital. Estudo global da PwC aponta que 80% dos executivos de empresas ligadas às tecnologias agrícolas demonstram preocupação com os riscos associados ao uso da IA, percentual superior às médias nacional e global.

Nesse contexto, especialistas destacam que os seguros cibernéticos vêm ganhando relevância, mas ressaltam que a proteção financeira precisa ser acompanhada por políticas de governança de dados, monitoramento contínuo de vulnerabilidades e planos estruturados de resposta a incidentes.

Mercado segurador amplia atuação consultiva

Diante da crescente complexidade dos riscos, o papel do mercado de seguros também passa por transformação. Além da tradicional função de transferência de riscos, seguradoras e corretoras têm ampliado sua atuação na análise de cenários e na construção de estratégias de mitigação para diferentes segmentos produtivos.

Na cadeia de proteína animal, isso inclui avaliações relacionadas à exposição climática, vulnerabilidades digitais, continuidade operacional, exigências regulatórias e riscos logísticos.

A tendência acompanha um movimento global. Estimativas do setor de resseguros apontam que as perdas econômicas associadas a eventos climáticos extremos já superam US$ 250 bilhões por ano em todo o mundo.

No Brasil, especialistas observam que ainda existe espaço significativo para a expansão do mercado segurador. Atualmente, o setor representa cerca de 6% do PIB nacional, índice inferior ao registrado em economias desenvolvidas.

Para empresas da proteína animal, o cenário reforça a necessidade de incorporar a gestão de riscos às estratégias de crescimento. Em um ambiente marcado por volatilidade climática, avanço tecnológico e maior exposição operacional, a capacidade de antecipar ameaças e estruturar mecanismos de proteção tende a se tornar um diferencial competitivo cada vez mais relevante.

LEIA TAMBÉM:

Investidor mais jovem e digital amplia interesse pelo agronegócio e fortalece agenda de inovação no campo

Alemanha registra mais de 60 casos da doença de Newcastle

Pantanal sediará 6º Fórum da Pecuária Sustentável com foco em inovação, rastreabilidade e transição verde

Você está em
Texto 100%