Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
As exportações de milho e soja do Brasil em 2024 alcançaram números expressivos, apesar de desafios climáticos, consolidando o país como um dos maiores fornecedores globais desses grãos, segundo o Anuário Agrologístico 2025, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O relatório destaca o papel crescente dos portos do Arco Norte na logística agropecuária, reduzindo custos e impulsionando a competitividade do agronegócio brasileiro.
De acordo com o documento, as exportações de soja atingiram 98,8 milhões de toneladas em 2024, uma leve queda de 3% em relação ao ano anterior, devido a problemas climáticos que afetaram a safra. Já as exportações de milho totalizaram 39,8 milhões de toneladas, uma redução de 28,8%, também impactada por adversidades climáticas e pela diminuição da área plantada. Apesar dessas quedas, o Brasil manteve sua relevância no mercado global, com destaque para a participação de estados como Mato Grosso, que respondeu por 68,3% das exportações de milho e foi o maior produtor de soja, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Os portos do Arco Norte, como Itaqui (MA), Barcarena (PA) e Santarém (PA), foram fundamentais, escoando 38% das exportações de soja e milho em 2024, um aumento significativo em relação aos 37% de 2020 para a soja e estabilidade em torno de 46% para o milho. O Porto de Itaqui, em particular, saltou de 12,1 milhões de toneladas exportadas em 2020 para 22,2 milhões em 2024, um crescimento de 70,3%, impulsionado por investimentos em infraestrutura e acessos rodoviários, ferroviários e hidroviários. O Porto de Santos (SP) continuou liderando, com 36,7% das exportações de soja, seguido por Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).
A eficiência logística do Arco Norte trouxe vantagens econômicas, como fretes mais baixos. A rota de Sorriso (MT) para Santarém (PA) teve custos até R$ 1,50 por tonelada inferiores em comparação com Santos (SP), beneficiando os produtores. O relatório também destaca a diversificação dos mercados importadores, com a China como principal destino da soja, enquanto Vietnã e Irã se destacaram nas importações de milho.
Apesar dos avanços, o Anuário aponta desafios, como a dependência do transporte rodoviário e a necessidade de ampliar a capacidade de armazenamento, que cresceu apenas 16,8% em relação à produção agrícola. Regiões como MATOPIBA demandam mais investimentos em armazéns para sustentar o crescimento da produção de grãos.
Com a consolidação dos portos do Arco Norte e investimentos em modais ferroviários e hidroviários, o Brasil está moldando uma nova configuração logística para o agronegócio, garantindo maior eficiência e competitividade nas exportações de milho e soja, fundamentais para a segurança alimentar global.
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