A Defesa Agropecuária de São Paulo reuniu representantes de **oito Serviços Veterinários Oficiais (SVOs) para discutir estratégias de vigilância, gestão de informações e prevenção de doenças que afetam a produção animal. O primeiro Seminário Epidemiológico da instituição foi realizado entre os dias 22 e 24, em Campinas (SP), com participação de profissionais do Acre, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Promovido pela Divisão de Epidemiologia da Defesa Agropecuária, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, o encontro contou com apoio da Associação Paulista de Avicultura (APA) e participação de professores da Universidade de São Paulo (USP).
A programação teve como foco a importância da qualidade e da precisão dos dados coletados em campo para o planejamento das ações de defesa sanitária e para a tomada de decisões pelos serviços públicos.
Vigilância baseada em risco
No primeiro dia, os professores José Soares Ferreira Neto e Fernando Ferreira, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, abordaram temas relacionados aos sistemas de vigilância em saúde animal, vigilância baseada em risco e análises econômicas aplicadas à defesa sanitária.
As discussões incluíram cenários de introdução ou reintrodução de doenças de importância veterinária e de zoonoses, incluindo enfermidades que podem provocar emergências zoossanitárias, como Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e Febre Aftosa.
Para Erika Ramos Mello, diretora da Defesa Agropecuária, a reunião dos serviços veterinários estaduais permite compartilhar experiências e buscar soluções para desafios comuns à defesa agropecuária.
Dados como ferramenta de prevenção
No segundo dia, a programação abordou a identificação de informações relacionadas ao risco sanitário diretamente nos estabelecimentos rurais. Participaram gestores de programas voltados à vigilância de Febre Aftosa, sanidade avícola, animais aquáticos, Brucelose e Tuberculose, saúde das abelhas e sanidade equídea e suídea.
Outro eixo do encontro foi o uso estratégico dos dados. Os participantes discutiram desde a organização das informações até sua aplicação na tomada de decisões, com destaque para georreferenciamento, trânsito de animais e dados epidemiológicos.
O objetivo é transformar as informações coletadas pelos serviços de campo em ferramentas capazes de orientar ações de vigilância, educação sanitária e comunicação com o setor produtivo.
Aproximação entre ciência e defesa sanitária
A integração entre universidades e serviços veterinários oficiais também foi destacada durante o seminário. Para Izabelle Mariane Cordeiro, chefe da Divisão de Epidemiologia, a aproximação permite incorporar conhecimento científico às ações de vigilância e, ao mesmo tempo, aproximar a pesquisa das necessidades enfrentadas no campo.
No último dia, a programação incluiu uma apresentação sobre as atividades da Divisão de Epidemiologia e uma palestra do professor Ademar de Lucas, da Esalq/USP, sobre comunicação com o produtor rural.
A atividade trabalhou situações práticas e estratégias para reduzir ruídos na comunicação entre os serviços veterinários oficiais e os produtores.
Segundo Izabelle, o encontro superou as expectativas e a troca de experiências entre os estados contribuiu para identificar oportunidades de melhoria na gestão e no uso das informações epidemiológicas.
Para as cadeias de aves, suínos, bovinos e demais proteínas animais, o fortalecimento dos sistemas de vigilância e a qualidade dos dados são elementos importantes para a prevenção e resposta rápida a eventos sanitários que podem afetar a produção, o comércio e a movimentação de animais e produtos.



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