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Zootecnia completa 50 anos de exercício profissional regulamentado no País

Especialista garante a segurança alimentar e nutricional de toda população

Natália Ponse, da redação

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Todas as peças são importantes no trabalho em equipe, cada um representa uma pequena parcela do resultado final. Por trás de um grande sucesso, existe sempre um grande time. As exportações brasileiras do agronegócio, por exemplo, se recuperaram e atingiram volume recorde em 2017, com destaque para os embarques de carne bovina, mesmo em um ano crítico para o setor. De janeiro a novembro do ano passado, a avicultura embarcou 3,9 milhões de toneladas de carne de frango (volume total, considerando-se carne processada e in natura); e a suinocultura conquistou volumes próximos de 700 mil toneladas.

Tanto para o mercado externo quanto para o interno, existe um profissional que é denominador comum para todas essas conquistas do Brasil: o zootecnista. O profissional é responsável por contribuir para o avanço do setor agropecuário na produção animal, por meio de seus conhecimentos no campo científico e tecnológico. Ele trabalha na criação animal, nutrição, manejo, pesquisa, bem-estar, melhoramento genético e gestão da produção animal, contribuindo para o desenvolvimento produtivo e sustentável.

“Sua importância se dá pelo significado do seu trabalho para a nação, onde conjuntamente com outras categorias profissionais tornou a pecuária brasileira competitiva e reconhecida mundialmente, com geração de divisas, empregabilidade e desenvolvimento das regiões do país e, sobretudo, para a melhoria de vida dos produtores rurais diretamente e indiretamente a melhoria de vida das pessoas da sociedade por contribuir essencialmente para a produção de proteína de origem animal”, comenta o presidente da Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ, Brasília/DF), Marinaldo Divino Ribeiro.

Histórico. Fundamental para a eficiência da profissão, o ensino de zootecnia no Brasil surgiu em 1966, quando em 13 de maio foi realizada a aula inaugural do primeiro curso no Brasil, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS, Porto Alegre/RS), no Campus Uruguaiana. Desde então, são 52 anos de existência formal deste ensino como formação em nível superior e profissional no País.

No início da década de 70 tudo começou, quando os primeiros profissionais genuinamente zootecnistas se formaram. “Naquela oportunidade, um fato histórico para a época e até para os dias de hoje é que ainda em 1968 foi feita a regulamentação da profissão, por meio da Lei nº 5.550, de 04 de dezembro de 1968, quando ainda não se tinha profissionais formados. Logo, nesse ano, a Zootecnia brasileira celebra 50 anos do jubileu da lei e de regulamentação do exercício profissional”, celebra o presidente da ABZ.

O que mudou desde então. Desde o início da profissão, a entidade classifica como mudanças principais o significado da importância do zootecnista para o País, na medida em que é um dos atores da transformação da pecuária nacional de extensiva para intensiva e de alta competitividade; o paradigma da empregabilidade no cenário da criação animal, quando antes se tinha um profissional especializado em saúde ou produção vegetal com algum conhecimento em produção animal e hoje se tem um especialista; o reconhecimento notório de sua competência pela sociedade e sua valorização/inserção profissional em diferentes áreas de atuação; a capacidade de empreender e desenvolver negócio pecuário diferenciado; a mudança de perfil de formação do profissional rígido para o dinâmico, de visão de mundo para interação com o meio onde é inserido, de percepção do tratamento com os animais e com as questões de meio ambiente; o entendimento dos direitos legais de exercício profissional e, por fim, a forma de organização e congregação dos profissionais em torno de grupamentos de classe.

A última novidade para a classe foi a sanção presidencial da Lei nº: 13,596, em 08 de janeiro de 2018, que institui o Dia Nacional do Zootecnista. O presidente da Associação Brasileira de Zootecnia considera este um marco histórico esperado há muito tempo pela comunidade tanto formada quanto graduanda. “Se antes o dia do zootecnista era comemorado de forma empírica e baseado na tradição do dia da primeira aula do ensino formal (13 de maio), mas agora é um dia oficial, transformado em um instrumento jurídico constitucional”, comemora, destacando três significados importantes para a celebração oficial:

  1. Inserir oficialmente no calendário da república um dia dedicado ao profissional e deste modo ter, por parte da união, o reconhecimento do seu valor e de sua contribuição para a nação;
  2. Incluir no imaginário das pessoas e da sociedade a existência desse profissional de relevância para vida, já que é diretamente agente da produção de proteína de origem animal;
  3. Consolidar nos profissionais e nos estudantes o sentimento de pertencimento ao mundo do trabalho legal de forma reconhecida jurídica e simbolicamente.

Fundamental. Ribeiro complementa dizendo que o zootecnista é o único profissional com a competência necessária para produzir proteína de origem animal no sentido de garantir a segurança alimentar e nutricional das pessoas de forma tecnicamente eficiente, economicamente viável e socialmente justa – inclusive do ponto de vista ético da criação dos animais -, além de ambientalmente correta: “Isto porque é ele que reúne as habilidades e competências necessárias para fazer uso do conhecimento, inovar e aplicar as tecnologias mais adaptadas aos sistemas de criação animal”.

Os profissionais atuantes são fundamentais para reportar às coordenações e às instituições mantenedoras dos cursos as demandas de atualização de formação, especialmente em novas áreas de competência técnica e de exigências de perfil do profissional atual. “Da mesma forma, tem papel decisivo na defesa dos espaços conquistados, na abertura de novos espaços de trabalho em áreas não comum como a de gestão e controle de insetos em armazéns de grãos destinados à alimentação animal, a criação de insetos edíveis e a comunicação rural especializada”, diz Ribeiro.

Associativismo que luta. Até hoje, seis presidentes passaram pela ABZ: Luiz Augusto Müller (RS), que também foi fundador; Jorge Luiz Correia de Oliveira (SP), Marcos Elias Traad da Silva (PR), Severino Benone Paes Barbosa (PE), Walter Motta Ferreira (MG) e Célia Regina Orlandelli Carrer (SP). O atual presidente, Marinaldo Divino Ribeiro, de Goiás, salienta que desde a sua fundação a ABZ tem se destacado como a entidade que efetivamente congrega e defende os interesses profissionais dos zootecnistas pelo País nas diferentes instâncias e níveis próprios.

Dentre as principais conquistas da associação ao longo desses 29 anos, ele destaca a organização da zootecnia brasileira como entidade de classe; a defesa intransigente dos interesses dos zootecnistas em diferentes situações, especialmente no que se refere à atuação profissional; a contribuição da disseminação dos cursos em diferentes regiões do País; a criação da reunião anual de ensino para reflexão do processo de ensino e aprendizagem em nível de graduação; a construção e encaminhamento das Diretrizes Curriculares Nacionais e o assessoramento às instituições para sua implementação; a criação e realização do Congresso Brasileiro de Zootecnistas; o estabelecimento de parcerias com entidades congêneres; a criação do Fórum Nacional de Entidades de Zootecnistas para refletir e apontar diretrizes de atuação de forma colegiada e representativa das diferentes agremiações, entidades e instituições que orbitam a zootecnia; a colaboração com a antiga Comissão Nacional de Ensino de Zootecnia, em diferentes gestões e períodos, vinculadas ao Conselho de Classe, para elaboração das áreas de atuação profissional do Zootecnista; o estabelecimento de prêmios e outorga dos mesmos para reconhecimento de mérito dos zootecnistas; a contribuição para a inserção do Zootecnista no cenário político e de tomada de decisões em diferentes setores e instâncias do negócio da pecuária nacional e outras.

O futuro. Os próximos passos para a profissão, por parte da associação, incluem ações estruturantes com a criação e implantação do Museu Virtual da Zootecnia Brasileira; a implantação da Academia Brasileira de Zootecnia, do Observatório da Zootecnia nos Países Ibero-americanos e da Confederação Ibero-americana de Zootecnistas.

“Além disso, queremos propor a revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais, atualização da sinopse dos cursos de graduação em zootecnia, ampliação das ações coordenadas nos Estados e intensificação das parcerias com as coordenações de curso de graduação”, destaca o presidente da ABZ.

Outros planos incluem a ampliação do reconhecimento de mérito profissional, o aprofundamento das relações institucionais, especialmente com o Sistema CFMV/CRMV’s, a ampliação da formação de novas lideranças, criação do Sistema de Conselhos Federal e Regionais de Zootecnia e adequação da lei 5.550/1968, além da eliminação de restrições de anotação de responsabilidade técnica profissional.

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