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Sustentabilidade na produção avícola

Novo cenário, com transparência e qualidade para as atuais demandas

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Novo cenário, com transparência e qualidade para as atuais demandas

A sociedade vem apresentando preocupações relevantes com respeito à sustentabilidade do nosso planeta. Mas, a palavra sustentabilidade, por si só, pouco diz. Na verdade, o que a sociedade está preocupada é com os caminhos que os segmentos produtivos seguirão e que possibilitarão seus desenvolvimentos, de maneira sustentável. Em 1987, a Comissão Burtland definiu desenvolvimento sustentável como “aquele que atende às necessidades das gerações atuais, sem comprometer às necessidades das gerações futuras”. Mas, o que torna esta definição mais complexa é que ela prevê que os processos devem ser avaliados, dando atenção às sustentabilidades ambiental, econômica e social das atividades produtivas, simultaneamente. Avançando sobre este tema, em 2015, as Nações Unidas definiram os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, que deverão ser alcançados em 2030. Aqueles mais próximos da produção agropecuária são “ fome zero e agricultura sustentável (2) e consumo e produções responsáveis (12)”.

Dentro deste contexto, como a produção agropecuária atenderá todas estas demandas da sociedade? Certamente, terá que  estar mais próxima do consumidor, identificando suas preferências e o que representarão as novas gerações dentro deste novo contexto. De um lado, jovens com propostas mais minimalistas e do outro, cidadãos mais longevos, vivendo sós. Ambos segmentos estarão em busca de facilidades de compra e de consumo. Claro que tudo isto para uma sociedade, independente do país em questão, que terá capacidade econômica de consumo e, por consequência, a possibilidade de escolha. Por outro lado, a produção pecuária terá que seguir produzindo uma proteína de preço baixo, e que possa atender um percentual maior de consumidores, onde o custo é mais relevante do que as especificações dos produtos. Ainda mais, esta dicotomia não poderá ser endereçada de forma excludente. Serão clientes distintos, procurando produtos e oportunidades distintas. No momento, quando se fala em alimentar o planeta, é de conhecimento geral que o que não permite que isto ocorra é a falta de capacidade econômica dos indivíduos, da capacidade de distribuição dos alimentos e das perdas, inerentes a um consumo desorganizado. A FAO mostrou que 1/3 dos alimentos produzidos, diariamente, são desperdiçados e a mesma instituição também mostrou que 10% da população mundial não consome energia e nutrientes para atender suas necessidades diárias. Assim, com isto já é possível estabelecer a complexidade da aplicação da definição de desenvolvimento sustentável em um ambiente global com diferenças sociais e econômicas imensas.

E como a produção avícola se posicionará dentro de todo este novo contexto? A primeira importância significativa da produção avícola (carne e ovo) é que proporciona produtos de custos relativamente baixos, quando comparados com as demais fontes de proteína. Segundo, a carne e o ovo possibilitam os mais variados tipos de cardápios, atendendo as preferências de todas as culturas e religiões. Isto continuará tendo um impacto muito importante pois os mercados consolidados são bastante conhecidos em suas preferências. Entretanto, mercados emergentes (Ásia, África e América Latina), que estão tendo aumentos significativos de consumo de proteína, pelo aumento do poder aquisitivo, passarão a demandar produtos que atendam suas necessidades de preço e hábitos de consumo. Nestes mercados, as estatísticas são claras, para demonstrar o quanto de espaço tem a proteínas de aves (carne e ovo) e os consumos, tudo indica, continuarão lineares e positivos. O que surgirá como um grande desafio é compatibilizar o que no início foi comentado, com respeito ao desenvolvimento sustentável, respeitando às necessidades ambientais, sociais e econômicas. É aqui que começam os conflitos. A sociedade quer alimento barato e/ou com especificações bem definidas, e ao mesmo tempo pede que a produção seja menos intensiva. A sociedade está preocupada com o bem estar animal, o que está correto, e termina defendendo formas de produção menos eficientes e mais poluidoras, como, por exemplo, a produção de frangos de crescimento lento. Uma parte da sociedade se posiciona que os animais, da forma que são produzidos, de forma cruel, não devem ser consumidos ou seus sub produtos usados no vestuário, por exemplo (veganos). Agora surgem as alternativas vegetais, com o intuito de substituir as proteínas de origem animal (carne, ovo, leite). Este movimento tem um caminho longo para avançar, para que a produção possa ser comparada, quanto à sustentabilidade, com a produção animal.

Tudo isto são desafios normais, em uma sociedade informada, mesmo que nem sempre da forma correta. Na condição de quem produz proteína de origem animal, temos que continuar pro ativos, mostrando à sociedade que a sustentabilidade que defendemos é a do equilíbrio e não a dos extremos. Esta defesa é verdadeira pois todo o extremo, dentro do contexto ambiente/social/ econômico, favorecerá um dos pontos deste tripé, em prejuízo aos demais. Em aves, como nas demais espécies, toda a redução da eficiência zootécnica vem para comprometer a sustentabilidade. A perda de eficiência, faz o negócio menos eficiente, sob o ponto de vista econômico e do preço do produto final. Isto compromete a aproximação dos menos favorecidos às fontes de nutrientes e de energia, importantes e, por último, necessitam de mais insumos (alimentos, água, espaço físico, mão de obra, saúde animal, etc) para produzir a mesma quantidade de proteína. Como consequência final, tudo isto promove um aumento de poluentes que serão eliminados no ambiente.

Assim, com todos estes relatos, é possível concluir que a sociedade tem o direito de optar por todas as suas preferências, o que é legítimo. Entretanto, esta sociedade deve estar consciente que para atender suas necessidades específicas tem um custo, na manutenção da sustentabilidade esperada. Mais, se a sociedade tem como propósito colaborar com a expectativa proposta pelas Nações Unidas, de eliminar a fome, produzindo alimentos de forma responsável, qualquer inflexibilidade na avaliação dos ganhos e das perdas nos processos de produção, serão prejudiciais às expectativas propostas. Todos os movimentos defendidos pela população devem ser respeitados (one day protein free, slow growth chicken production, humanized production). Mas, a mesma sociedade tem que entender que neste jogo não tem só ganhador. O que a indústria deverá fazer e a sociedade colaborar, é que o alimento chegue a todas as mesas das famílias, com o menor custo ambiental, social e econômico, para que se alcance este sonho coletivo de reduzir a fome ao nível zero! Fora isto, se a sociedade preferir o consumo de alimentos com maior valor agregado, isto pode atender a uma preferência, mas, não obrigatoriamente, a sustentabilidade do planeta, como alguns pensam.

Concluindo, para nós zootecnistas, sustentabilidade de um processo de produção se traduz na eficiência com que os animais são produzidos. Animais em condições adequadas de produção, expressam suas potencialidades genéticas e com menor variabilidade. Nestas condições, os animais devem estar em um ambiente de bem estar apropriado.  Agora, toda a vez que o ser humano interpreta bem estar animal, com seus paradigmas, a isto se chama de postura antropomórfica, e não obrigatoriamente corresponde ao que a animal está respondendo.

Assim, estamos frente a um entroncamento onde a sustentabilidade discutida muitas vezes está longe da sustentabilidade possível, considerando que o tripé ambiente/social/econômico, da sustentabilidade, deve ser tratado em busca do melhor para todos e não para alguns.

Apresentado na Conferência Facta WPSA-Brasil 2019.

Fonte: Diretor Global para contas estratégicas da Cargill Animal Nutrition & Health, Antônio Mário Penz Junior.

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