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SUSTENTABILIDADE: Agir com o próximo e permitir a sobrevivência dos próximos!

Rodrigo Miguel é vice-presidente da Asbram, organização associada da Mesa Brasileira
feedfood

O trocadilho do título propositalmente chama a atenção para dois pilares fundamentais do tema
Sustentabilidade:

• As ações devem seguir agora e de forma mais intensa
• É uma questão de sobrevivência e não somente de qualidade de vida

O objetivo deste artigo não é abordar temas técnicos e específicos sobre sustentabilidade, o que,
felizmente, temos em grande quantidade e qualidade (o desafio é aplicação), mas sim, no estilo
“back to the basic”, ajudar a sensibilizar mais e mais nossa cadeia produtiva sobre o tema que é
amplo e muito mais relacionado à sobrevivência do nosso dia a dia do que percebemos, ou pelo
menos demonstramos.
Considerando estatísticas verídicas e sem viés, sabemos do crescimento populacional. Em 2050, a
ONU prevê que seremos 10 bilhões de habitantes no mundo, ou seja, 25% de crescimento. Some-se
a isso o incremento anual do PIB no mundo, trazendo mais consumo de alimentos e, portanto,
gerando a necessidade de que aumentemos em 50% a produção para suprir a demanda neste
mesmo período.

Previsão de Crescimento do PIB das maiores economias até 20250 (Foto: divulgação)

O gráfico mostra que as principais economias crescerão de forma expressiva seu produto interno
bruto até 2050, sem falar nos países não listados neste exemplo e que estão sem cor no mapa, como o continente africano por exemplo, que tem a maior estimativa de crescimento populacional até
2050 (67%, fonte: INED 2024) e o segundo maior número absoluto (após a China) com +800 milhões
de habitantes até lá (China + 880 milhões)

Utilizando ainda dados de domínio público, a definição da ONU sobre sustentabilidade retrata
perfeitamente esse propósito: “sustentabilidade é atender às necessidades presentes sem
comprometer a capacidade das futuras gerações de suprir suas próprias demandas”.

É o equilíbrio delicado entre a preservação do meio ambiente, o uso responsável dos recursos
naturais e a obtenção de resultados duradouros para toda a cadeia.

Trazendo o tema para a nossa realidade do mercado produtor de alimentos e partindo para análise,
me permito abordar algumas visões daqui para adiante.

É impressionante como a definição acima é atemporal e pode ser adotada por cada um de nós no
dia a dia da produção, de nossas vidas pessoais e onde mais quisermos experimentar. Longe de
querer romantizar o tema, ele é sério e exige de nós compreensão profunda; mas exatamente por
este motivo, abordá-lo de forma simples, cotidiana e palpável, talvez seja um bom caminho para
termos cada vez mais consciência e engajamento e, por consequência, mais chances de termos
sucesso, ou melhor, futuro.

Abordar de maneira simples pode ser encarar a palavra SUSTENTÁVEL de uma forma mais ampla do
que ligá-la ao meio ambiente somente (a própria ONU não faz isso). Utilizando os dados anteriores,
podemos dizer que o crescimento da produção de alimentos é a forma de tornar o crescimento da
população sustentável; entendendo o mapa da produção global de alimentos e das condições
geoclimáticas de expansão da mesma, podemos afirmar que o crescimento da produção de
alimentos no Brasil, bem acima da média global e para suprir a necessidade de consumo dos outros
países, é tornar a missão de ter comida sustentável.

Há décadas aceitamos esta missão e vimos demonstrando competência; produzimos grãos e somos
protagonistas no cenário agrícola global, agregamos valor ao grão produzindo proteína animal e
somos referência em produtividade e qualidade de produção para o mundo. Entendemos e
cuidamos de nossas áreas de pastagens (com o conhecimento agrícola que temos), e temos a maior
pecuária verde de qualidade do planeta. Importante sempre ressaltar que esta performance não é
homogênea, assim como os resultados; porém, se a grande figura é a mostrada acima, fica fácil
compreender que os que não se enquadram nisso são minoria e é nosso dever ajudá-los a alcançar
este mesmo nível.

Saindo da sustentabilidade da produção de alimento propriamente dita, mas continuando no tema,
crescemos expressivamente nossas exportações de alimento nas últimas décadas por sermos
competitivos, o que, para este artigo, podemos chamar de Sustentabilidade em Custos; mas não
somente isso, a competitividade não está somente em nossas condições climáticas e de mão de obra
e do know how que temos na produção. Ela vem também da capacidade de adaptação dos nossos
produtores aos diferentes mercados e à própria evolução do consumidor, o que é Sustentabilidade
da relação entre a qualidade da Demanda e a Oferta.

Entrando com o tema no Meio Ambiente, também temos informação oficial e suficiente para
entendermos dois aspectos:

  1. Somos o país que preserva e que mais tem recursos naturais
  2. Ainda não é suficiente e o caminho é cada um de nós ser melhor no tema

Para aqueles familiarizados com o mundo comercial, das vendas, muito rapidamente vem à mente
aquela questão corriqueira: “ é como pedir para o maior vendedor vender mais e ajudar a cobrir o
GAP daquele que não performou”. Um pouco disso é verdade, como também é fato que poderíamos
ser bem maiores se a consciência tivesse amadurecido mais cedo e ajudado a melhorar muitas
práticas adotadas até aqui. E voltando ao nosso exemplo, se batermos a meta (mesmo que seja com
auxilio extra do maior vendedor), salvamos a empresa toda, no caso, nosso planeta.

Conectando isso à velocidade com que o mundo gira atualmente, muito impulsionada pela
disponibilidade de informação, fica claro que precisamos sim contar mais com os mais eficientes,
sensibilizar aqueles que também precisam colaborar e, principalmente, entender que o que nos
trouxe até aqui, não será suficiente para nos levar adiante.

Em um ano que ficou fácil conversar com pessoas sobre o aumento global da temperatura
(infelizmente), não podemos perder a oportunidade do calor do tema (desculpem o trocadilho) e
sensibilizar e engajar cada vez mais pessoas. A figura abaixo mostra onde podemos chegar em 3
diferentes situações de tratamento do nosso planeta por nós mesmos. Isso mesmo, não é mais
sobre responsabilizar este ou aquele pelo problema, e sim de tomar a responsabilidade e a liderança
das ações para si, individualmente e influenciando com exemplos o coletivo.

Quando se pensa em Sustentabilidade, como exercício, pode-se imaginar algo bastante natural, que
garantirá a sequência daquilo que fazemos. Por exemplo: sustentabilidade do relacionamento passa
por cuidar todos os dias da relação e de se preocupar com o futuro da mesma; sustentabilidade
financeira passa por gastar menos do que ganha e guardar algo para melhorar e garantir o futuro;
sustentabilidade profissional passa por entender o que se espera, executar para entregar o esperado
e surpreender para ser promovido; sustentabilidade no esporte requer muito treino e visão de
evolução de sua capacidade para calibrar os próximos exercícios; sustentabilidade no lazer passa por
entender o que te satisfaz e criar as condições necessárias para isso (organizar o tempo disponível,
não dirigir se for beber, etc….)

Como fica claro perceber, é algo intrínseco em nosso dia a dia e, por tal motivo, encarar o tema
desta forma leve é muito eficaz para engajar mais e mais pessoas.

Sustentabilidade não deve ser meta e sim consciência, algo como ética e valores, intrínseco, algo que
impulsiona e não a perseguir!!

Para todos os pontos acima, a maioria sabe que é necessário querer, internalizar, agir e ter disciplina
para manter constante. Assim como a maioria também sabe que, passado o tempo de adaptação, e
adentrando no período mais longo (o que faz parte do cotidiano), todos estes exemplos tornam-se
parte prazerosa e indispensável das nossas vidas; lembrando ainda que, grande parte passa a ter
enorme peso em nossos planos para o futuro.

Felizmente, nosso setor caminha no bom caminho em relação ao tema Sustentabilidade ambiental e
isso é louvável sob vários aspectos: a preservação do futuro em si, a garantia da demanda e da
oferta, a melhora da qualidade de vida global, a melhora da performance produtiva, para nos
atermos a estes.

A preservação do futuro fica clara na medida em que assegurarmos a manutenção do meio
ambiente é a única forma de seguirmos adiante

A garantia da demanda no sentido de que o consumidor, cada vez mais, considera a forma com que
o alimento foi produzido em seu processo de decisão de consumo

A garantia da oferta uma vez que seguir tendo condições favoráveis à produção é indispensável.
Desenvolver formas de “contar menos com a natureza’’ incorpora custos e a imagem de recusa a
contribuir com o meio Ambiente.

A melhora da qualidade de vida no sentido amplo, da disponibilidade de alimentos melhores a
todos, até garantir que todos, ou seus descendentes, estejam por aqui nas próximas décadas.

A melhora da performance produtiva (se os temas acima não foram suficientes para sensibilizar), no
sentido de que todos sabemos que sustentabilidade financeira da produção passa por produzir mais
alimentos, com menos recursos, em menos tempo e com melhor qualidade. Quando mergulhamos
nestes 4 pontos, entendemos a sustentabilidade como valor, reduzimos o comportamento de que
crescer é simplesmente expandir fronteiras e aumentamos a consciência de utilizar melhor o que já
está disponível. Produtividade!

Voltando à questão da efetividade do que fazemos e da relevância disso, trazemos novamente o
tema velocidade. Está claro a todos que o planeta está exigindo de nós mais cuidados, o que significa
que, precisamos fazer mais. Se estamos no bom caminho como setor, temos uma vantagem nesta
corrida e não podemos desperdiçá-la. Fazer mais significa incorporar mais práticas ao que fazemos e
trazer mais atores para o palco. Fazer “o meu bem-feito” também inclui mobilizar e engajar mais;
significa reduzir o número de exemplos complicados e que podem ecoar e trazer imagem contrária
para todo o setor. Sermos efetivos inclui cuidarmos da cadeia como um todo pois esta cadeia é vital
para a sobrevivência do planeta.

Considerando o tema relevância de forma ampla, como técnico que sou, me reservo o direito de
tentar mobilizar os colegas para que nos tornemos mais relevantes aos olhos do mercado como um
todo. Precisamos cada vez mais entender o público que precisa ser alcançado para que a relevância
aumente. O consumidor final tem poder de decisão e, muitas vezes considera relevante informações
descabidas por pura ausência de material de qualidade em suas vidas. Sim, ausência! Comunicação é
sobre entender para quem falamos e termos a sensibilidade e habilidade de atingir o público.
Seguramente, a relevância do setor transbordará dos limites do próprio setor e esclarecerá muito
mais a mais seres humanos o que fazemos se calibrarmos a forma de transmitir as informações,
reforçando o holístico com toda a bagagem técnica disponível e ajustando a linguagem para atingir
cada vez mais pessoas. Seria como trazer uma grande torcida para motivar os jogadores que estão
em campo!

Observando a evolução da sociedade no tema sustentabilidade, temos presenciado passos largos e
exemplos que já permeiam nossas vidas com uma frequência não imaginada em menos de uma
década atrás. Painéis solares na quantidade e disponibilidade de uso da energia como vemos hoje,
automóveis elétricos, energia eólica, computadores e eletrodomésticos com muito mais
funcionalidade e consumindo menos energia, etc… Percebam a quantidade de exemplos de
evolução veloz, e em alguns casos disruptiva, tivemos e teremos no campo da energia; percebam o
grau de consciência contido nisso, consciência da possível escassez e da busca por alternativas mais
eficientes e que contribuam para o nosso planeta. Percebam como o consumidor absorveu
rapidamente tudo isso para seu conforto. E lembrem-se de que nosso setor produz ENERGIA básica
para a sobrevivência. Realmente podemos afirmar, em termos de efetividade, que estamos fazendo
nosso melhor?

Encerrando, trazer os fundamentos básicos da necessidade de alimento nos garante a certeza da
relevância de nossa atividade para a Humanidade; entender o momento do nosso planeta e a
relevância do nosso setor traz a responsabilidade de sermos protagonistas nas soluções e na prática
das mesmas. Considerar o básico para abordar o tema sustentabilidade é uma forma de tornar o
tema natural e agradável, o que, uma vez mais, trará menos reações e cada vez mais atores e ações,
afinal, precisamos reforçar o time, fazer mais gols e agradar uma torcida cada vez presente no
campo e disposta a selecionar e vibrar com os melhores jogadores!!!

Vamos Juntos, Agora?

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