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Pecuarista – dedicação comprovada em números

Somente no primeiro semestre, exportação da carne bovina cresceu mais de 25%

Gabriela Salazar, da redação

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Responsável pelo equilíbrio da balança econômica nacional, a pecuária é mais do que uma geradora de emprego e renda, mas de alimentos. Da atividade, somente ligada à bovinocultura, são mais de 40 subprodutos essenciais. Entre eles, alimentos como carne, leite, gelatinas e até mesmo, remédios. Sua inegável importância para o País se mostra em números. Na última semana, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgou os dados do primeiro semestre: 827.072 toneladas embarcadas, representando um crescimento de 25,5% em relação ao ano passado.

Em receita, o faturamento chegou a US$ 3,120 bilhões, acréscimo de 16,2% ante 2018. A previsão é de que no montante do ano, a exportação da carne bovina tenha uma alta de 10% em relação ao volume exportado no ano anterior. O presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, afirma que a estimativa será mantida neste segundo semestre devido aos acordos comerciais a serem firmados ainda neste período.

Por trás deste mercado grandioso está o trabalhador que se desdobra entre as mais diversas demandas do segmento para ofertar o que há de melhor na produção nacional. Neste 15 de julho, data em que se celebra o Dia Nacional do Pecuarista, o profissional tem muito a se orgulhar. Se hoje os níveis de confiabilidade só crescem é devido ao reconhecimento deste exímio trabalho, como enfatiza o pecuarista e presidente da Associação de Criadores de Brahman do Brasil (ACBB), Paulo Sérgio Scatolin:

“Não posso deixar de sentir muito orgulho em ser pecuarista, pois somos geradores de alimento nobre e riqueza para o povo brasileiro. Esse motivo básico é fonte de grande motivação, não só para trabalharmos em nossas fazendas, como, no meu caso, militar pela atividade”.

Dentre as principais oportunidades para este mercado estão as vendas externas e neste quesito, a qualidade fala mais alto e eleva o Brasil como principal exportador do produto. A China, principal importadora, deve se manter na liderança e auxiliar na consolidação da alta da exportação da carne bovina nos próximos anos. Isso porque, recentemente, em missão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), foi levantada a possibilidade de habilitação de novos frigoríficos para exportação ao país. Ainda que refletindo questões relacionadas aos casos de Peste Suína Africana, o mercado asiático mostra forte interesse na produção brasileira.

Acordos como o do Mercosul e União Europeia também reacendem as oportunidades de vendas externas, principalmente, para a produção agropecuária nacional. O pecuarista e presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Nabih Amin El Aouar, saliente que negociações como estas tendem a aumentar a capacidade e as exigências produtivas do País.

“Hoje, nossos importadores não desejam mais animais que vão para o abate acima de 30 meses e para que nós possamos produzir e colocar um animal para abate nesse período, temos que nos capacitar, melhorar nutrição, ter pastagem de melhor qualidade, fazer uma terminação com suplementação, um ótimo manejo e principalmente, aliar tudo isso a uma melhor genética animal, independente da raça bovina”, elucida.

De vilão a herói. Não faltam críticas à pecuária advindas de pessoas que não são do meio: poluição, desmatamento, malefícios da carne para saúde, entre tantos outros argumentos infundados. Pouco a pouco, a divulgação de informações sobre a atividade produtiva auxilia na desmistificação de pensamentos como estes.

Ponto que Nabih vê como fundamental para a mudança também da visão que se tem dele, o pecuarista. “Em termos de pecuária propriamente dito, eu considero o pecuarista um herói, até poucos anos era tido como um vilão. Veja como as coisas mudaram, na verdade todas essas afirmações inadequadas para o pecuarista estavam totalmente erradas”, afirma.

O presidente da ACNB, que também é médico cardiologista, faz questão, ainda, de salientar os benefícios do produto proveniente do trabalho pecuário, enumerando suas ricas contribuições nutricionais a saúde humana. “Hoje, a própria medicina comprova, a carne é uma das maiores fontes de proteína, ferro, vitamina b12, selênio e cálcio”, pontua.

A crítica sem fundamento, ainda parece o menor dos problemas no cotidiano do pecuarista. Os altos e baixos da profissão são constantes e exigem deste trabalhador estratégia de negócios. “Nosso País tem um clima estável, é livre de fenômenos violentos da natureza, mas também tem o lado ruim, são terras com topografias irregulares, pastagens desde muito boas a precárias e nos falta maior aprimoramento e capacitação do homem do campo”, explica Nabih.

Para ele, essa é uma das principais características a serem trabalhadas hoje, pensando no futuro da profissão.  Essa é uma das ações realizadas pela ACNB, segundo o presidente, o investimento em capacitação. “Nossa grande arma hoje dentro do setor pecuário é o conhecimento. Por meio do conhecimento, poderemos aproveitar ao máximo a nossa condição de produtores de leite, de carne, não adianta adquirirmos grandes tecnologias, pois sem conhecimento não poderemos utilizá-las”, conclui.

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