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“Girolando” cobra mais atenção ao setor

Associação enviou carta em que solicita atenção às dificuldades enfrentadas

A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando enviou uma carta à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina, solicitando medidas contra a importação de leite, queda do preço do leite e alta nos custos de produção. De acordo com o comunicado, assinado pelo  presidente da entidade, Odilon de Rezende Barbosa Filho, os aumentos de preço do concentrado e da suplementação, dentre outros fatores, preocupam os produtores.

O presidente ressalta na carta os impactos da pandemia sobre a economia nacional e receia que setor sofra também com a queda da demanda. Em relação a previsão de baixa dos preços pagos pelos laticínios, Odilon salienta que muitos produtores poderão deixar a atividade por não poderem arcar com essa conta.

Confira abaixo o comunicado na íntegra:

“Manifesto da Girolando em favor do produtor de leite

Excelentíssima Senhora Ministra,

Preocupada com a situação pela qual começa a passar os produtores de leite do Brasil, dentre eles nossos mais de 4 mil associados, a Associação Brasileira dos Criadores de Girolando vem solicitar uma ação imediata do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para solucionar o fato antes que a pecuária leiteira sofra danos irreparáveis.

Como é sabido, 2020 foi um ano de muitos desafios, mas o produtor de leite não se rendeu e continuou produzindo, mesmo com as crescentes altas nos custos de produção. Nos últimos nove meses, o aumento nos preços do concentrado foi de 20,89%, o da suplementação mineral de 9,59%, conforme apontam dados do Cepea. Em outubro, o farelo de soja fechou acima de R$3.000,00/ton. e a saca do milho já atingiu R$ 80,00. Vale lembrar que essas altas no custo foram maiores nos Estados grandes produtores de leite, como Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul. 

Como o produtor poderá arcar com esse custo elevadíssimo a partir de agora que os laticínios já sinalizaram que vão reduzir consideravelmente o preço pago pelo litro do leite? Essa é uma pergunta que tem tirado o sono de todos nós, pecuaristas, neste momento. O desespero é tão grande que muitos já estão pensando em vender seus animais para o abate, pois na pecuária de corte, a realidade é outra, com a arroba cada vez mais valorizada e faltam bovinos para suprir a demanda da indústria frigorífica.

Sabemos que o consumo interno de leite pode sofrer queda por conta dos danos econômicos gerados pela pandemia. Mesmo diante desse panorama tão incerto, fomos surpreendidos com novas liberações das importações de leite. Tal medida já está comprovada que não beneficia o produtor, mesmo quando tomada em anos mais sólidos do ponto de vista econômico. Com toda essa conjuntura atual, este é o pior dos cenários para a retomada de grandes volumes de importação.

O produtor rural não tem condições financeiras de suportar a baixa no preço do leite, a alta dos custos e a redução de mercado. Isso pode levar a uma saída de muitos produtores da atividade, deixando inúmeras famílias sem ter condições de tirar do agronegócio seu sustento. Ou seja, o risco social de tal situação também é grande.

Como a excelentíssima Ministra bem sabe, os pecuaristas apoiaram fortemente o atual governo por acreditar em seus ideais de mudança e de construir um Brasil novo e produtivo, onde todos tenham o direito de viver com dignidade.

Por isso, acreditamos que esse governo não hesitará em tomar as medidas necessárias para estancar esse grave problema.  Vale lembrar que a pecuária leiteira é a única atividade presente em todos os municípios brasileiros, sendo fonte de renda para milhares de famílias.

Certos de que mais uma vez Vossa Excelência atuará firmemente em prol do nosso agronegócio do leite, desde já agradecemos o empenho e aguardamos um retorno para que possamos tranquilizar nossos associados e produtores de todo o Brasil.

Atenciosamente,

Odilon de Rezende Barbosa Filho

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando”.

Fonte: Girolando, adaptado pela equipe feed&food. 

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