Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Publicidade

Desafios da mão de obra na Suinocultura Pós-Pandemia

Quatro dicas para enfrentar os desafios deste novo cenário

FOTO: REPRODUÇÃO
FOTO: REPRODUÇÃO

A suinocultura experimentou mudanças significativas no período pós-pandemia, especialmente no comportamento e expectativas dos trabalhadores. Essa transformação trouxe à tona desafios antigos e novos em atrair e reter mão-de-obra nas granjas. Muitos gestores relatam incertezas sobre como assegurar a permanência dos colaboradores, evidenciando a necessidade de se repensar a gestão de equipes.

A pandemia, com suas experiências de isolamento e perdas, incitou os trabalhadores a reavaliarem suas vidas e aspirações profissionais. Especialmente os mais jovens estão buscando mais do que serem meros “peões”; eles aspiram a ambientes de trabalho que ofereçam respeito e oportunidades de crescimento. Esta mudança de perspectiva não é apenas uma questão ética, mas também uma estratégia decisiva para impulsionar o desempenho e os resultados financeiros das granjas, afetando tanto a rotatividade de pessoal quanto a eficiência de quem permanece.

Neste contexto, torna-se imperativo para os gestores de granjas adaptar suas estratégias às novas expectativas e comportamentos dos trabalhadores. Neste artigo eu trago 4 dicas essenciais para enfrentar os desafios deste novo cenário, concentrando-o em estratégias eficazes para melhorar o desempenho das equipes operacionais e a estabilidade da mão-de-obra, com o intuito de aprimorar tanto o desempenho das equipes quanto os resultados financeiros do setor.

1) Atualize as práticas de gestão para o novo cenário da força de trabalho

O período pós-pandemia marcou uma mudança significativa nas expectativas dos trabalhadores, motivada por uma série de fatores. A experiência do isolamento social e as dificuldades enfrentadas durante esse período trouxeram uma nova percepção sobre o que valorizam em suas atividades profissionais. Muitos tiveram tempo para refletir sobre suas vidas, aspirações e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Houve um despertar coletivo para a importância dos cuidados pessoais e familiares, do respeito, do reconhecimento e das oportunidades de crescimento no local de trabalho.

Além disso, os trabalhadores, especialmente os mais jovens, não se contentam em ser apenas mais um na equipe; eles buscam um papel mais significativo e ambientes onde tenham oportunidade de se desenvolver como pessoas.

Para a suinocultura, um setor tradicionalmente resistente a mudanças na gestão de equipes, essa nova realidade representa um desafio bem significativo. E essa resistência tem impactado fortemente o desempenho e o engajamento das equipes e, consequentemente, sobre os indicadores chave de desempenho das granjas.

Neste cenário, torna-se essencial abandonar a visão de que o problema reside nos trabalhadores e compreender que adaptar-se a essas novas expectativas é um passo fundamental para atrair e reter talentos.

2) Capacite supervisores e encarregados para criar ambientes de trabalho acolhedores

Diante das transformações do ambiente de trabalho pós-pandêmico, é vital para os gestores de granjas capacitarem supervisores e encarregados no estabelecimento de ambientes motivadores e acolhedores. Estes profissionais, que mantêm contato direto com as equipes operacionais, desempenham um papel chave na promoção de relacionamentos de qualidade e na definição do clima organizacional.

A capacitação destes líderes deve focar em competências essenciais como comunicação eficaz, resolução de conflitos, gerenciamento de relacionamentos e técnicas de engajamento. Estas habilidades são fundamentais para criar um clima de trabalho baseado na confiança e no reconhecimento, onde os colaboradores se sintam parte integrante e valorizada do sucesso da granja. Além disso, é importante que critérios além das habilidades técnicas sejam considerados na avaliação e seleção de futuros supervisores, valorizando as competências relacionais e de liderança.

Supervisores e encarregados devem ser incentivados a equilibrar tarefas operacionais com o apoio e desenvolvimento de suas equipes, adotando uma gestão mais empática e eficiente. Esta abordagem, focada tanto na eficácia operacional quanto no bem-estar da equipe, contribui para a retenção de talentos e melhoria do desempenho geral da granja.

3) Implemente Treinamentos de Liderança com Foco Prático e Realista

A eficácia dos treinamentos de liderança na suinocultura depende de uma abordagem prática, que ultrapasse os limites das teorias de gestão tradicionais. Os métodos convencionais, focados em aspectos teóricos e técnicos, muitos até com enfoque simplesmente motivacional, frequentemente falham em proporcionar resultados práticos e efetivos para o contexto de granja. Um treinamento eficiente deve conectar o aprendizado com sua aplicação direta nas rotinas diárias, focando em resolver desafios específicos do setor e aprimorar habilidades de gestão reais.

Portanto, ao selecionar um processo de desenvolvimento de líderes, é fundamental questionar como o aprendizado será implementado na prática e como o progresso será mensurado. Essa estratégia garante que o investimento em treinamento se traduza em melhorias concretas na performance da equipe e na eficiência operacional da granja, refletindo-se na evolução do desempenho zootécnico e econômico da produção.

4) Utilize um método para desenvolver liderança profissionalmente

No desenvolvimento de lideranças, é fundamental adotar um método estruturado que considere as peculiaridades do ambiente de produção de suínos. A liderança eficaz não segue uma fórmula padrão; ela precisa ser adaptada à cultura específica da granja, ao nível de maturidade dos líderes e às suas necessidades individuais das pessoas e do negócio. Além disso, deve ser contextualizada no dia a dia da granja, com foco na mudança de comportamentos e atitudes, evitando a rotina automática e estimulando um desenvolvimento contínuo e intencional.

A partir da minha experiência no setor e na educação de adultos, desenvolvi o Método BPL (Boas Práticas de Liderança), um programa de treinamento específico para a suinocultura. Este método oferece ferramentas práticas e personalizadas para o desenvolvimento de lideranças, assegurando que o investimento em treinamento gere resultados tangíveis no desempenho das equipes e na eficiência operacional das granjas. O BPL é direcionado não apenas a diretores e gerentes, mas também aos supervisores e encarregados, personagens-chave no engajamento e retenção de talentos nas granjas.

Conclusão

Para os gestores da suinocultura, adaptar-se a essa nova realidade pós-pandemia é fundamental. Mas essa adaptação não é apenas sobre compreender e responder às necessidades dos trabalhadores; é sobre assegurar a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade do negócio. É um investimento que se traduz em equipes mais engajadas, menor rotatividade e melhores resultados para a granja. Neste novo cenário, a capacidade de um gestor de adaptar sua liderança será o diferencial para o sucesso.

FOTO: REPRODUÇÃO
Leandro Trindade é Médico Veterinário, com mais de duas décadas de atuação na suinocultura, com especialidade em engajamento de equipes de granjas (FOTO: REPRODUÇÃO)

LEIA TAMBÉM:

Empresas apostam em ações e produtos inovadores durante SBSBL  

Vendas externas de suínos caem, mas podem ser recorde em 2023

“Os temas abordados nesse ano foram muito bem escolhidos”, afirma CBO  

Você está em
Texto 100%