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Sustentabilidade: compromisso e competitividade de dentro para fora do agro

Taciano Custódio, head de sustentabilidade do Rabobank na América do Sul 
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Foto: Rabobank

É fato que a atitude do mercado em relação à sustentabilidade tem amadurecido muito nos últimos anos, e com esse avanço caminhamos para um lugar muito promissor no que diz respeito ao legado enquanto sociedade que produz, desenvolve e consome. É inegável que nossas ações têm impactos no planeta e seguimos em busca de maneiras de tornar essa pegada cada vez mais positiva. Com isso, cresce o mercado que visa a compensação dos efeitos gerados por nossas ações: o crédito de carbono. 

A estratégia, adotada em escala mundial, tem como objetivo mitigar os impactos causados pelos gases de efeito estufa (GEE), que contribuem para os efeitos negativos das mudanças climáticas. De acordo com a consultoria norte-americana McKinsey & Company, o Brasil tem potencial para gerar até USD 26 bilhões por ano em créditos de carbono provenientes de soluções baseadas na natureza (NBS ou nature based solutions) e criar entre 550-880 mil empregos adicionais, o que incentiva a adoção de práticas mais sustentáveis, além de desempenhar papel fundamental na redução global das emissões. 

Nesse contexto, o agronegócio se destaca como um dos setores mais relevantes no tema, tanto por enfrentar riscos relacionados com as mudanças do clima e seus impactos na produção, mas também por ser protagonista nas soluções que contribuem com a redução das emissões e, sobretudo, por seu papel de alimentar a população, o que oferece diversas oportunidades para o negócio. O Brasil, por exemplo, vem se consolidando como uma grande potência agroambiental com ações em prol do agro sustentável e de baixas emissões. A consultoria BCG prevê que seria possível diminuir em até 1,83Gt CO2e (ou bilhões de toneladas de emissões de gás carbônico equivalente) entre 2023 e 2030, por meio da combinação de três frentes – agricultura sustentável, créditos de carbono NBS e bioenergia. Todas conectadas ao agro mais competitivo e eficiente, com maior acesso a mercados e promotor ativo de uma economia de baixas emissões. 

Atentos a essas oportunidades, outros segmentos concentram esforços no apoio ao tema, como as instituições financeiras, que têm fomentado a sustentabilidade como investimento necessário, um atributo fundamental para a competitividade dos produtores, apoiando o crescimento do agro sustentado em pilares que consideram o impacto social e ambiental das operações. Um exemplo é vincular iniciativas sustentáveis como critérios para análise de crédito e prazo em operações financeiras, entendendo que os produtores rurais que investem em técnicas e ferramentas inovadoras irão colher resultados expressivos – seja com ganhos em produtividade, acesso a novos mercados, reputação, rentabilidade, redução de custos, além do benefício para a pegada ambiental, o desenvolvimento local e o amadurecimento da própria atividade rural como um todo. 

O Brasil tem a grande oportunidade de atuar tanto no aumento de eficiência no campo e na produção de alimentos, quanto de mitigar os efeitos adversos das mudanças do clima por meio de práticas mais sustentáveis como a agricultura de precisão, agricultura regenerativa ou sistemas integrados de produção. A disseminação dessas práticas, que inclui também o acesso ao crédito, é de fato um desafio para o País, que envolve governo, agentes privados, setor financeiro, academia, entre outros. Além disso, o caminho está na construção conjunta dos diversos atores citados, em modelos de ocupação de território que incluam a valoração dos serviços ambientais prestados pelos produtores, de maneira que o Brasil possa reconhecer a importância do pequeno produtor para além da produção de alimentos.

Dentro do universo de oportunidades, é importante esclarecer que o cenário é promissor, mas ainda muito recente. A jornada é um projeto de longo prazo, que deve ser incorporado com diligência para se estabelecer de maneira sólida nas práticas de produção. Por isso, é fundamental que o produtor mapeie e gerencie os impactos das suas atividades e tenha consciência da própria pegada ambiental. Ao compreender as fontes de emissão e sequestro de carbono, é possível identificar as tendências e como adotar práticas que tornem o negócio ainda mais sustentável e eficiente. 

Nesse sentido, os créditos de carbono podem auxiliar no financiamento da inovação, ao reconhecer técnicas produtivas avançadas e de conservação da vegetação nativa. No caso do Brasil, estamos muito bem posicionados em relação ao cenário mundial, que considera a sustentabilidade como atributo relevante no comércio internacional de commodities. O País já é reconhecido por produzir alimentos com qualidade e segurança. Além disso, ao incorporar cada vez mais valor nos atributos sustentáveis, o setor ajuda a expandir esse compromisso que vai deixar um legado mais positivo para o meio ambiente e para as próximas gerações. 

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