in

Um prato cheio de desafios

Tantas barreiras fortaleceram o principal nicho econômico do País

Natália Ponse, da redação

[email protected]

A desvalorização do Real frente ao dólar e a instabilidade política e econômica foram receita de um prato que desceu amargo na garganta do produtor e do consumidor brasileiro. O ano de 2015 começou com bons resultados, mas em seu segundo semestre pôs à prova a agilidade na tomada de decisões e a adaptação dos envolvidos no agronegócio.

Aumento na receita das exportações das três principais proteínas e alta no volume exportado de frango e suínos foram resultados desta difícil época, de acordo com o analista Sênior do Rabobank Brasil (São Paulo/SP), Adolfo Fontes (foto lateral). “No caso das exportações de carne bovina, apesar de terem recuado cerca de 10% em volume, as receitas em moeda nacional apresentaram incremento de aproximadamente 15%.

Já para as exportações de frango e de carne suína, além de aumentos significativos em volume, as receitas em reais cresceram cerca de 27% e 14%, respectivamente”, destaca. Dados preliminares até o 3º trimestre, segundo o especialista, apontam que a produção da carne bovina recuou mais de 7% em 2015, enquanto a produção de frango cresceu 5% e a suína, cerca de 7%.

A carne bovina foi prato indigesto para o mercado interno. Os preços altos refletiram no carrinho da dona de casa, que com menor poder de compra recorreu a alternativas. As compras diminuídas ricochetearam de volta nas produções, já que segundo a Associação Brasileira dos Confinadores (Assocon, Goiânia/GO) o volume de animais confinados foi de quase 731 mil animais em 2015 (queda de 5% em relação ao ano anterior). Fator justificado, de acordo com a Assocon, pelo baixo consumo e pela menor oferta de animais para o abate (queda ao redor de 10%) no âmbito interno. Em termos globais, grandes importadores, como a Rússia, passam por dificuldades econômicas e reduziram suas compras, comprometendo as exportações de carne bovina – que estão 17% inferiores a 2014 (dados até outubro). “O segundo giro de gado no confinamento apresentou problemas de rentabilidade devido ao preço do boi gordo, que não acompanhou a elevação do custo de produção, especialmente do milho”, afirma o gerente-executivo da associação, Bruno de Andrade.

As exportações brasileiras de carne bovina também foram afetadas nesta refeição amarga: fecharam o ano de 2015 com faturamento de US$ 5,9 bilhões e embarcaram mais de 1,39 milhão de toneladas entre janeiro e dezembro. O resultado é inferior ao mesmo período de 2014, quando a exportação chegou ao recorde histórico de US$ 7,2 bilhões e 1,56 milhão de toneladas. Os dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec, São Paulo/SP) apontam que a queda resulta de problemas conjunturais que afetaram negativamente alguns grandes mercados do Brasil, como Rússia, Hong Kong e Venezuela. Se considerado somente o mês de dezembro, o faturamento das exportações de carne bovina atingiu US$ 534 milhões em vendas externas – crescimento de 1,71% em relação ao mês de novembro de 2015.  Já em volume o crescimento foi de 7% (se comprado com o mês anterior), com 133 mil toneladas embarcadas.

O alto preço da carne bovina fez com que a população fosse mais criativa na hora de montar a refeição. A parte bem temperada da refeição agro em 2015, então, foram os setores de aves e suínos, que surgiram como alternativa ao tradicional bife. O consumo per capita do frango previsto para 2015 é de 43 quilos, aumento de 1% na comparação com o ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA, São Paulo/SP). O consumo de carne suína também acompanhou este crescimento, alcançando 2,7% de aumento sobre 2014 (15 quilos), assim como a produção do produto, que atingiu 3,643 milhões de toneladas (+4,9%).

Os embarques destes dois itens também atingiram bons resultados. A alta do câmbio melhorou a rentabilidade dos exportadores na conversão para a moeda nacional, e a avicultura conseguiu ampliar sua participação no mercado e manter sua competitividade. O saldo acumulado dos embarques chegou a 4,304 milhões de toneladas, um recorde histórico, segundo a ABPA. Índice que manteve o Brasil na liderança mundial do setor, fazendo também com que expandisse sua participação nas exportações internacionais, com 37% do todo. No acumulado do ano, foram R$ 23,946 bilhões acumulados pelos exportadores.

Enquanto os novos mercados abriram as portas para aves e ovos, outras também foram reabertas para suínos. As previsões iniciais da ABPA sugerem que as exportações brasileiras deverão atingir 550 mil toneladas, elevação de 8,9% em relação às 505 mil toneladas obtidas no ano anterior.  Em reais, são estimados R$ 4,3 bilhões. A aceleração das vendas para o Leste Europeu em 2014 pressionou os valores de venda, que atingiram altas históricas. O grande destaque foi a Rússia, responsável por 45% do total exportado pelo País, com uma elevação média de 30% nas compras deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. “Em 2015 vimos uma readequação dos níveis dos preços a patamares equivalentes ao de anos anteriores, o que justifica a retração da receita”, afirmou a associação. Com a abertura de novos mercados, resta a esperança de que 2016 traga resultados mais seguros para o setor, e que este enfim possa seguir estável e sem grandes percalços.

Suinocultor tem experiência otimizada por meio da tecnologia

Um passo de cada vez