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Sustentável ou produtivo? Pode ser os dois! Junção já é realidade para o agro

Ferramentas cotidianas desenvolvidas por entidades podem auxiliar produtores

Usada em 28-05-19 Usada em 16-07-19 Usada em 18-10-19

Gabriela Salazar, da redação

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O que você irá deixar para os seus filhos? Essa é sem dúvida uma pergunta que permeia o pensamento da grande maioria quando se pensa no futuro. Para dedicar o melhor para as próximas gerações, cada dia mais os empreendedores buscam por novas estratégias e planos de negócios que possibilitem alavancar suas produções, garantindo assim um ganho na rentabilidade.

A tecnologia no decorrer das décadas tem tornado esse processo ainda mais eficaz. A pergunta aqui, no entanto, não é quantitativa. Os desafios são muitos e para manter todo o sistema em pé, quem produz está diariamente à frente de diversos pontos decisórios. Que tal tornar esse questionamento o seu ponto hoje? Neste 05 de junho é comemorado o dia mundial do meio ambiente.

A temática tem se tornado cada vez mais latente no cotidiano da cadeia produtiva. Palestras, workshops e guias estão entre os conteúdos que tentam conscientizar sobre a produção sustentável. Mas, para dar vasão ao tema, é preciso quebrar um dos principais paradigmas que colocam a produção do agronegócio como a grande vilã.

O crescimento produtivo, inclusive, é uma demanda importante também para a sustentação do setor no futuro. Não é preciso optar por qualidade ou quantidade, é possível ter os dois. “A alta performance, desde que associada ao melhor uso das pastagens, melhoria dos índices de ganho de peso e reprodutivos, e redução do ciclo de vida dos animais, estão em linha com a produção mais sustentável”, explica o diretor Técnico Comercial da Agrotools (São Paulo/SP), Breno Félix.

Um dos principais fatores que levam o setor a possuir essa imagem negativa diante dos ambientalistas, é o de que a produção pecuária estaria contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Uma visão equivocada, segundo um estudo publicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, Brasília/DF), que pontua justamente o oposto.

“Este é um tema polêmico e que ainda requer aperfeiçoamento das metodologias, assim como uma segmentação clara das emissões relacionadas à produção forrageira, às estratégias de dietas adotadas, ao ambiente de produção dentro da porteira e o que acontece fora dela, além de comparar de forma coerente com as emissões da pecuária em outros países e modelos produtivos”, explana o diretor.

Somente diante de uma metodologia clara, segundo Félix, é que se poderá ter uma relação dos fatores que estariam sendo prejudiciais, e somente assim, buscar medidas de contenção neste cenário. Mas como, de fato, a prática sustentável pode ser aplicada hoje?

Para o diretor, aqui no Brasil, uma ferramenta de coleta e gerenciamento de dados para propriedades rurais desenvolvida pelo Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) pode ser considerada um ponto de partida para os produtores. E é assim, aos poucos, que o diretor relata que a aplicabilidade da rotina sustentável pode se dar.

“O Guia de Indicadores da Pecuária Sustentável (GIPS) é um começo, uma vez que ele permite identificar onde a propriedade se encontra, além de apresentar uma série de ações e recomendações que podem ser adotadas para garantir a melhoria contínua no âmbito da sustentabilidade na pecuária de corte”, diz o diretor.

Félix explica se tratar de um conjunto de procedimentos que facilitam a entrada do produtor no âmbito sustentável: preenchendo o GIPS, associando-se ao GTPS, conhecendo e gerenciando seu território produtivo e preservado, aplicando o Manual de Práticas e engajando seus vizinhos na mesma direção. “Entre as melhorias resultantes, podemos citar gestão territorial, manejo inteligente das pastagens, conservação dos solos, ganhos de produtividade, redução do ciclo de vida dos animais, sistemas integrados, entre outros”, orienta.

“As mudanças a serem implementadas passam por intensificação produtiva responsável, aplicação de práticas preservacionistas em linha com as diretrizes do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) além de, principalmente, adoção de tecnologias de gestão e monitoramento do território”, complementa Félix.

O foco principal atualmente é buscar, portanto, o equilíbrio entre os “desejos e desafios da preservação com a produção”, explica o diretor. E para isso, ele pontua que é necessário “levar em consideração as particularidades de cada propriedade rural, seu sistema de produção, perfil do produtor e paisagem na qual está inserida”. É preciso, então, primordialmente, se certificar que o modo de fazer hoje possibilitará a entrega, às próximas gerações, de um mundo tão bom – ou melhor – do que recebemos.

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