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Suspensão da vacina contra aftosa em 2019 pode ser revogada por incertezas

“Não temos como fornecer reforço das doses em 45 dias”, afirma vice-presidente do Sindan

“Não temos como fornecer reforço das doses em 45 dias”, afirma vice-presidente do Sindan

Gabriela Salazar, de Vinhedo (SP)

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O Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (Pnefa) instaurado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF) como o plano definitivo de estratégia em diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, Paris/França) deve ser iniciado este ano para que o Brasil possa atingir o status de livre da doença sem vacinação até 2023.

Os malefícios dessa descisão, segundo o vice-presidente do Sindicato Nacional da Industria de Produtos para Saúde Animal (Sindan, São Paulo/SP), Emílio Salani, podem causar problemas preocupantes na economia nacional caso haja reincidência do vírus no Brasil. “A chance de benefícios com o status é menor do que o risco de se obter novamente focos da doença no País”, explica.

Segundo as exigências colocadas no plano, a partir de maio de 2019 os Estados que fazem parte do chamado Bloco 1, Rondônia e Acre, não poderão mais vacinar seus gados. O alarmante dessa medida é o risco de novas contaminações devido à paralisação da fabricação da vacina, que se dará gradativamente.

Apesar da ocorrência das mudanças estar setorizada regionalmente, caso a enfermidade acometesse uma das regiões, a produção não seria mais capaz de atender ao surto. “Se entrasse o vírus em Rondônia, onde temos atualmente 10 milhões de cabeças de gado, após maio de 2019 não teríamos condições de fornecer o reforço da vacina em 45 dias”, afirma Salani.

Atualmente, o processo de fabricação e liberação das vacinas pelo laboratório que fiscaliza sua qualidade leva aproximadamente seis meses. Segundo o vice-presidente do sindicato, as vacinas bivalentes, que não possuem o vírus reagente C3, também não seriam capazes de suprir um surto deste tipo de bactéria específica: “Os vírus A e O, contidos na vacina bivalente, não atenderiam o surto C3. A retirada foi feita pela solicitação do ministério, pois não temos a doença no País”.

Ainda este ano os estoques da trivalente serão zerados. “Nós vamos vender essa campanha agora de maio, que contém 220 milhões de doses, sendo de 30% a 35% referente à vacina que ainda tem o vírus C. As doses de novembro já serão 100% bivalentes”, reitera Salina.

Logística. A estruturação do plano foi feita com base no guia de trânsito animal nacional, que redesenha o País, dividindo-o em blocos. Sendo o Bloco 1 formado por Rondônia e Acre, com corte da vacinação em maio de 2019; seguido pelo Bloco 2, composto pelos Estados do norte; Bloco 3, com toda região nordeste, exceto a Bahia; e Blocos 4 e 5 com as regiões sudeste e centro-oeste.

A preocupação nessa metodologia é a garantia de proteção nas fronteiras, já que segundo Salani, os países que fazem divisa com o Brasil não se mostram interessados em tratar do assunto. “Na última reunião que tivemos, Paraguai e Uruguai afirmaram que não tem interesse de falar sobre isso agora”, relembra.

Para o vice, o possível desinteresse dos países vizinhos é motivado por fatores econômicos. “O Uruguai, assim como o Brasil, é livre da febre aftosa com vacinação e exporta para muitos países, como o Japão. Só que o nosso País é vinte vezes maior e é potencial exportador de proteína animal”, explica Salani.

O último surto registrado na fronteira foi há sete anos no Paraguai, que precisou sacrificar boa parte de seu rebanho. Na ocasião, o Brasil iniciava seu processo para erradicação da doença com a vacina, prevista para ocorrer até 2013. Esse status deve ser obtido cinco anos após o previsto, e segundo declaração da OIE, a classificação será dada ao Brasil em maio deste ano.

Medida emergencial. Salani também afirma que o processo de aplicação incorreto da vacinação pode ter provocado os abscessos nos animais que foram exportados aos Estados Unidos, no ano anterior, provocando a suspensão da exportação. “Esse fator pode ter acelerado o processo do ministério na decisão de acabar com a vacinação”, ressalta.

O vice aponta que o sindicato não irá se posicionar veementemente contrário à decisão do ministério. “Nós não fomos, não somos e nunca seremos contra a retirada da vacina, nós não vivemos de desgraça, vivemos de trocar produtos por valores, nós vivemos de vender sanidade, vender segurança e saúde”, brada Salani, que completa: “O Sindan apoia que a medida poderia ser tomada a partir de 2021, para que pudéssemos esperar passar essa fase política e econômica que o País está vivendo. O receio é que percam o interesse, mas para isso é necessário trabalhar e apresentar campanhas para incentivar os produtores a se adaptarem”.

A entrevista realizada com o vice-presidente ocorreu na Central de Selagem de Vacinas Contra Aftosa durante o primeiro dia do Road Show para jornalistas do agronegócio, evento promovido pela Texto Comunicação (São Paulo/SP) que seguirá por diversas empresas e instituições do setor até o dia 16 de março.

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