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Suinocultura paulista se destaca do País por independência produtiva

Produtores do Estado são classificados como exemplares por associação

Natália Ponse, da redação

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Com surgimento na segunda metade da década de 1960, a criação de suínos no Estado de São Paulo só desenvolveu maior ênfase na década de 1970, com a sua profissionalização e o avanço do sistema empresarial. Desde então, o produtor suinícola vem superando obstáculos sanitários e econômicos para aprofundar raízes e evoluir na atividade.

Responsáveis pela continuidade da procriação de animais, as matrizes suínas são um dos destaques do Estado. Apesar do volume comparado ao Brasil – de acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS, Brasília/DF), das 1.700 milhão de matrizes do País, 76 mil estão em SP – os produtores se destacam pela estruturação organizada. Com o apoio da Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS, Espírito Santo do Pinhal/SP), fornecendo consórcio para a compra de produtos, a produção independente é e segue fortalecida.

Esse tipo de organização, na opinião do diretor executivo da ABCS, Nilo de Sá, é fundamental para uma melhor negociação com o fornecedor. “Além disso, o Estado é um dos principais consumidores de proteína suína do País, sendo fundamental para o setor nacional como um todo”, complementa o executivo. Ele ressalta ainda o status sanitário do Estado, que é facilitado pelo baixo volume de matrizes. “Como o número é baixo, a ação acaba ficando mais concentrada e assim mais eficiente, mantendo a qualidade do produto”, diz.

A questão sanitária é também levantada pelo presidente da APCS, Valdomiro Ferreira Junior (foto lateral). De acordo com ele, o rebanho é sanitariamente saudável. “O Selo Suíno Paulista e as auditorias que ocorrem nas granjas chancelam o excelente nível do rebanho paulista”, pontua, fazendo um alerta para que o foco seja mantido no mantimento das ações sanitárias em todo o Estado.

O Selo Suíno Paulista ao que Ferreira Junior se refere é uma ação que visa zelar pela qualidade das granjas e, automaticamente, beneficiar o seu consumidor final. O selo contempla diversos aspectos, dentre eles cuidados com o processo produtivo, critérios éticos (preservação ambiental, segurança do trabalho e evitar mão de obra infantil) envolvidos nas diferentes etapas, desde o nascimento até o transporte do animal para o abate. “O Selo significa um avanço na produção obtendo resultados na organização, gerenciamento e no controle geral da granja. A conquista do referido selo é um diferencial que São Paulo possui e leva ao mercado varejista e atacadista a garantia de origem do nosso produto”, garante o presidente da APCS.

Além do selo e da questão sanitária, outros fatores contribuem para beneficiar a criação de matrizes suínas em São Paulo. Dentre elas, Ferreira Junior destaca genética, nutrição, instalações e ferramentas de informática, que ajudam nos índices de produção e produtividade. “A maioria dos produtores são empresários e possui um sistema de gerenciamento no foco custo x benefício. Na maior parte das propriedades existem várias atividades econômicas além da suinocultura”, explica.

Mesmo que destacada pelo seu ordenamento, a produção suinícola paulista, nas palavras do presidente da APCS, praticamente não recebe investimentos de grande porte provenientes dos governos em todas as instâncias. Segundo ele, a utilização de crédito de ICMS é uma política estadual que contribui para a atividade. “Ela deve ser mantida pelas nossas autoridades”, conta. Para os próximos anos, Ferreira Junior pretende unificar a comercialização em um pool de vendas. Até então, a associação vem fazendo o seu papel. “Criamos a Bolsa de Comercialização de Suínos no Estado de São Paulo, o Selo Suíno Paulista e o Consórcio Suíno Paulista. Essas são as três ferramentas pontuais da nossa organização”, finaliza.  

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