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Suinocultura: como fornecer energia e reduzir custos?

Matias Djalma Appelt, da Vaccinar Nutrição Animal, é especialista nutrição

Em períodos de alta nos preços das matérias primas utilizadas nas rações de suínos, atender a demanda energética nas diferentes fases, é um dos maiores impactantes nos custos destas rações. A inclusão de ingredientes energéticos como óleos vegetais ou gorduras de origem animal, vem sendo reavaliada em função dos grandes impactos nos custos das rações. Como exemplo podemos citar o aumento no preço do óleo de soja, que chegou à aproximadamente 125%, se comparadas as cotações em janeiro de 2020 e agosto de 2021.

Quais ingredientes são utilizados com a finalidade de fornecer energia?

Os principais ingredientes energéticos utilizados nas rações de suínos são milho, sorgo, trigo, arroz, óleos vegetais, gorduras de origem animal, resíduos de indústria alimentícia (farelo de bolacha e macarrão), açúcar, entre outros.

Os cereais em sua grande maioria são utilizados como fontes de energia devido aos altos níveis de carboidratos em sua composição nutricional, principalmente amido. Alguns ingredientes proteicos como soja, canola, girassol, DDGS e farinhas de origem animal apesar de não serem considerados ingredientes energéticos, mas por possuírem carboidratos e lipídios em sua composição, além de inclusões altas nas fórmulas, também contribuem com energia. Já os óleos e gorduras, compostos principalmente por lipídios, disponibilizam aproximadamente o dobro de energia que os carboidratos e proteína, por esse motivo são utilizados nas rações.

Qual a importância de uso de óleos ou gorduras nas rações de suínos?

Os óleos e gorduras são compostos de ácidos graxos essenciais, além de fontes energia disponível, a qual é obtida por meio de hidrólise dos lipídios, estes são armazenados no organismo como reserva energética, são componentes de membranas celulares, e são precursores de vitaminas e hormônios. Atuam também na melhora da palatabilidade e aroma das rações, aumentando o consumo e consequentemente o desempenho zootécnico.

Redução de pó e melhora de processos produtivos são outros benefícios encontrados com inclusões destas fontes de lipídios, sendo estes sempre dependentes das inclusões nas rações.

Apesar de serem fontes de energia muito utilizadas na dieta de suínos, estes ingredientes têm alta capacidade de oxidação, quando não fabricados, manejados e armazenados de forma correta. Este processo de oxidação indisponibiliza os lipídios para digestão e absorção, além de restringir o consumo em função da mudança de aroma e sabor da ração. Por esse motivo deve-se cuidar muito com a qualidades destes ingredientes.

Quais as estratégias possíveis para substituição de óleos e gorduras?

Existem muitos ingredientes energéticos ou aditivos que podem auxiliar na substituição parcial e até total do óleo de soja ou de outras fontes de lipídios com altos preços, no entanto a inclusão é dependente de diversos fatores e deve ser feita de maneira gradativa para que os animais tenham uma adaptação mais adequada as mudanças na dieta.

Os óleos de palma e coco vem sendo estudados e utilizados nas rações de suínos, pois apresentam uma grande quantidade de ácidos graxos de cadeia média, os quais apresentam maior potencial de absorção intestinal, quando comparado a óleos com altos teores de ácidos graxos poli-insaturados, como o óleo de soja. Estudos demonstram que o uso destes óleos na forma hidrolisada, micro encapsulados e combinados com outros ingredientes tem possibilidade de uso sem prejudicar o desempenho.

A utilização de dextrose e maltodextrina, que são carboidratos de cadeia simples (mono e dissacarídeos), também são utilizados como fontes energéticas, principalmente em dietas de leitões (fases de creche) e fêmeas em fase reprodutiva, porém com uma especificidade maior em função de apresentarem preço mais elevado.

A Lecitina apesar de não ser um ingrediente energético, é utilizada com aditivo emulsificante, a qual age como detergente, reduzindo as moléculas de lipídios em glóbulos menores chamados de micelas, possibilitando assim uma maior eficiência na digestão e absorção destes, ou seja, facilitando o uso da energia contida nos óleos e gorduras.

A combinação de diferentes ingredientes energéticos, como farelo de bolacha, macarrão e outros resíduos da indústria alimentícia dá origem a concentrados e suplementos energéticos, os quais tem como finalidade combinarem fontes energéticas vindas de carboidratos (amido e açúcares), lipídios e em alguns casos enzimas. Estes produtos são viáveis nutricionalmente e economicamente, porém deve-se ter muito cuidado com a qualidade e composição deles.

Os aditivos enzimáticos, por apresentarem capacidade de quebrar moléculas maiores, tornando-as mais digestíveis, quando utilizados potencializam a utilização de nutrientes que seriam indisponíveis para os animais, dentre estes a melhora na digestibilidade de energia é um ponto que é de suma importância. Por apresentarem inclusões baixas, em sua grande maioria apresentam viabilidade econômica, podendo além da melhora na digestibilidade, baixar o custo das rações sem impactar no desempenho.

Indiferente do ingrediente ou do aditivo que for utilizado com objetivo de substituição parcial ou total de óleos e gorduras, deve-se sempre fazer a inclusão com cautela, avaliando as recomendações, particularidades das fases de vida, possibilidade de uso, disponibilidade, preço e capacidade de cada fábrica de ração, sob orientação de um Nutricionista.

A Vaccinar possui em sua linha alguns produtos que têm o objetivo de substituir óleos e gorduras das rações de suínos, sendo eles:

SuiEnergy 50, Pro Energy 50 e Sweet Energy: Concentrados energéticos compostos de diferentes ingredientes, com perfil de fornecimento de energia a base de lipídios e carboidratos. Produto para uso em fábricas de rações, deve ser adicionado e misturado na dieta, conferindo além de energia, maior palatabilidade e aromas as rações, aumentando consumo, potencializando a produção de leite e desempenho das leitegadas;

BioEnergia Suínos: Concentrado energético composto de óleo de palma, fonte de ácidos graxos de cadeia média, e enzimas, formulado com objetivo de substituição parcial ou total do óleo de soja;

Suple-Marrãs: Suplemento energético e protéico, de pronto uso, recomendado para ser adicionado diretamente no comedouro. O produto proporciona maior atratividade da ração, maior consumo e melhora no desempenho de matrizes suínas;

SupleVacc MS: Premix a base de carboidrolase, com objetivo de melhorar a digestibilidade de polissacarídeos não amiláceos, disponibilizando seus nutrientes, entre eles energia, e reduzindo seus efeitos deletérios aos animais.

Fonte: Vaccinar, adaptado pela equipe feed&food.

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