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SANTA tilápia – do consumo interno à exportação

Tecnificação e “poder de barganha” estão por trás da expansão da espécie

Tecnificação e “poder de barganha” estão por trás da expansão da espécie


Gabriela Salazar,
 da redação

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Vinda das águas doces do continente africano, a tilápia hoje é considerada a principal produção de pescado nacional, nos dando também o título de quarto maior produtor mundial. O sucesso da espécie se dá por inúmeras características que vão desde as facilidades da criação, como o baixo custo, até a aceitação do consumidor final.

Considerada a queridinha dos brasileiros, tanto para quem cria, como para quem consome, a tilápia ainda está longe de dividir a atenção do mercado com outra espécie. Atualmente, o consumo interno anual chega a 400 mil toneladas, de acordo com os dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Um número que pode ser ainda muito maior. Isso porque a ingestão de pescados no País é considerada abaixo do ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere vinte quilos per capita.

A espécie foi introduzida no País ainda nos anos 50, mas somente a partir dos anos 2000 iniciou a sua expansão, que deu origem ao status produtivo conhecido atualmente. Um estudo publicado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) salienta as dificuldades da aquicultura neste período e pontua a chegada de espécies melhoradas geneticamente como a grande salvadora do cultivo no Brasil.

A juventude deste mercado, no entanto, não foi empecilho para a sua tecnificação e rápida expansão. O Anuário Peixe BR de Piscicultura, disponibilizado gratuitamente pela entidade, aponta que somente no último ano o crescimento produtivo da espécie foi de 11,9%, sendo 400.280 toneladas produzidas em 2018. Tanto no Paraná, quanto em São Paulo, a tilápia representa mais de 90% da produção aquícola local.

Lá fora. Não demorou muito para que o País se tornasse também exportador da espécie e o salto, ao longo dos anos, mostra um futuro promissor para os produtores. “Pudemos constatar um aumento extremamente expressivo ao longo dos últimos anos. Em 2012, o volume exportado de tilápia chegava a 11mil (kg), já em 2018 esse número salta para 712.140 (kg). O crescimento progressivo ao longo de sete anos foi surpreendente”, comenta o presidente Executivo da Peixe Br, Francisco Medeiros, em entrevista ao nosso portal.

Os Estados Unidos lideram o ranking como maior consumidor de pescados, tendo 50% do produto necessário para o consumo interno originário da importação. Quando se refere à tilápia, 95% da demanda do país norte-americano é atendida por outros países. Entre os líderes de consumo da espécie, segundo a Peixe BR, estão o México, Irã e Israel – países que o Brasil já possui relações comerciais.

Para estreitar ainda mais a relação comercial com esses mercados, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) aprovou, em setembro do ano passado, o laudo técnico elaborado pela Embrapa Pesca e Aquicultura, que valida a prática do Drawback para a Tilápia e todos os seus subprodutos. De acordo com publicação da Peixe BR, solicitando do laudo, a aprovação permite que as empresas exportadoras adquiram, no mercado interno, todos os insumos necessários para produção, industrialização e comercialização da espécie e seus subprodutos sem incidência dos tributos federais, tais como IR, IPI, PIS e Cofins.

Aquicultura como um todo. O potencial hídrico brasileiro é um dos diferenciais que podem pôr o País entre as lideranças mundiais na produção aquícola. O baixo custo e as facilidades de produção colocam a espécie como uma líder, mas o setor como um todo, tende a crescer.

“O Tambaqui e o Panga são outras espécies que podem crescer muito no Brasil e têm potencial para atingir o mercado internacional. O Pirarucu também tem uma grande oportunidade no mercado externo, porém, algumas questões técnicas, especialmente ligadas à reprodução, necessitam ser aprimoradas para acessarmos a exportação”, pontua Medeiros.

Em relação ao futuro, o presidente Executivo da entidade é otimista e vê a tilápia como o carro-chefe para a chegada da aquicultura brasileira a mais mercados. “A produção brasileira representa 6,67% da oferta global da espécie, o que já é uma posição de grande destaque para a piscicultura brasileira. Tendo em vista o excelente trabalho sendo feito pela cadeia produtiva, sua tecnificação, seriedade e comprometimento, a expansão se elevará cada vez mais”, classifica.

Para Medeiros, também é importante salientar o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo governo federal junto à secretaria de Pesca e Aquicultura do MAPA. “Trabalham no fomento da piscicultura e na desburocratização do setor, especialmente no que se refere ao licenciamento ambiental e a cessão de águas da União. O futuro é muitíssimo promissor”, completa.

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