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Queda de 25% no consumo da carne exige providências da cadeia produtiva

Associações destacam medidas para superar cenário econômico da atividade

Natália Ponse, de Cuiabá (MT)

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Referência na produção de grãos e pescados, outra força do Mato Grosso é a pecuária. A atividade está presente em todos os 141 municípios, reunindo mais de trinta milhões de cabeças e alçando a região ao maior rebanho comercial do Brasil. A proteína bovina do Estado está presente em 25% das exportações aos EUA, 23% das exportações brasileiras, colocando Mato Grosso na colocação de segundo maior exportador de carnes do País.

Registrando um abate diário de aproximadamente 24 mil cabeças, o MT também conseguiu diminuir a idade de abate dos animais nos últimos dez anos: 77% tem abaixo de 36 meses, sendo 15% com idade inferior a 24 meses. Além de conseguir acabamento em menor tempo, os produtores também conquistaram maior peso e menor área utilizada. Com isso foi evitado, nos últimos vinte anos, desmatamento em 18 milhões de hectares. Os dados foram disponibilizados durante o Seminário A Força do Campo, organizado pelo Santander em Cuiabá (MT).

“Produzir mais com menos” é o mote sustentável e vem sendo levado a sério pelos produtores. Ter conseguido seguir esta orientação é o que fez do Mato Grosso um dos responsáveis por fortalecer o Brasil na missão de alimentar o mundo. Em 2050, o mundo saltará dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões de pessoas.

No entanto, devido aos recentes acontecimentos após a Operação Carne Fraca e ao cenário político-econômico, o consumo de carne caiu significativamente no Brasil. Foi uma baixa de 25%, de 39kg/hab/ano em 2013 para 29 kg/hab/ano em 2016. Há 20 anos, 1kg de carne bovina comprava 2,2 kg de carne de frango, número que dobrou para 4kg. Por conta disso, apesar de apresentar visões diferentes, Associação de Criadores do Mato Grosso (Acrimat, Cuiabá/MT) e Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon, São Paulo/SP) destacam algumas das providências que devem ser tomadas dentro da cadeia brasileira para recuperar o fôlego no mercado.

De acordo com o diretor da Assocon, Eduardo Moura, a palavra-chave a ser seguida é produtividade. “Não dá mais para passar para o consumidor o preço da nossa ineficiência, o preço da nossa pecuária em sua maioria extrativista”, critica o representante da associação. Para ele, os mesmos erros vão levar o setor aos mesmos resultados, e que portanto é hora de mudar de rumo e interromper a briga pecuarista x frigorífico x supermercado. “Nós na produção privada também estamos incluídos nisso. Temos que ser produtivos ou o consumidor não é obrigado a pagar o preço”, reitera.

“Conversa de quem fala que precisa aumentar produtividade é conversa de comprador de boi”, cita o diretor Executivo da Acrimat, Luciano Vacari. Ele lembra do vasto parque industrial do Estado, que tem capacidade superior à abatida atualmente naquela região, mas defende o produtor. “Isso não é culpa dele, é culpa de quem não cuidou do seu negócio, pegou dinheiro fácil, às vezes público, e vai ter que pagar por isso. Não vai ser o produtor que vai pagar por isso”, reverbera e completa não ser justo, além de alguns produtores se esconderem em sua ineficiência, a indústria roubar o trabalho daqueles que são eficientes.

Não encontre defeitos, encontre soluções. É precisa recuperar a confiança do consumidor e voltar a impulsionar os valores e resultados da cadeia bovina. Em primeiro lugar, o diretor da Assocon aponta a necessidade de o governo federal atentar para um exemplo do Mato Grosso: a criação do Instituto Mato-grossense da Carne (IMAC, Cuiabá/MT), já que os grandes players mundiais de carne (Austrália, EUA e Uruguai, por exemplo) o construíram para investir em marketing e pesquisa. Ele critica o fato de que, com o escândalo Carne Fraca, não havia ninguém para representar a pecuária brasileira. “O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), Blairo Maggi, nos defendeu sozinho. Tivemos ações pontuais de sindicatos, mas não temos quem nos represente nacionalmente. O IMAC e instituições com ao Aprosoja são prova dessa necessidade”, complementa.

Já o representante da Acrimat defende o uso de tecnologia para sanar os problemas. “Não tem jeito de produzir a carne que queremos, com qualidade, sanidade, rastreabilidade e sustentabilidade constantes sem tecnologia, e isto já vem sendo feito diariamente no Estado de Mato Grosso”, diz e questiona: será que não seria plausível precificar a sustentabilidade? “O consumidor paga por todos os outros atributos, por que não por este também?”. De acordo com Luciano Vacari, as carcaças são abatidas no MT o peso médio de 17,[email protected]  a quarta do mundo, graças à tecnologia. “Em que momento da história o Brasil perdeu a mão do consumo de carne?”, lamenta.

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