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Produção sustentável de grãos é prática necessária no agro

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Gabriela Couto, da redação 

gcouto@ciasullieditores.com.br 

Muito se fala da produção sustentável de grãos, mas como ela é na prática? Como o produtor pode adotar esse método? Bom, para se criar uma produção sustentável de grãos é necessário manter um recurso natural essencial, que é o solo – cuidar dele pensando no futuro da produção. É interessante que o produtor pense que aquele espaço será utilizado pelos seus filhos, netos e bisnetos.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e engenheira agrônoma, Roberta Carnevalli, afirma que o primeiro passo para se ter uma produção sustentável de grãos é cuidar do solo, “mantendo a vida dele ativa, tendo uma boa quantidade de raízes, com correção de nutrientes e boa porosidade”. “Uma estrutura física adequada do solo. A partir do momento que temos os nutrientes e bastante matéria orgânica das raízes, naturalmente temos uma vida boa e diversa, fazendo com que funcione por muito tempo”, explica.  

Segundo a pesquisadora, se o espaço não estiver bem cuidado e for só explorado, sem a troca ativa de nutrientes, a sustentabilidade da produção será inexistente e ele não servirá para ser usado no futuro. “Manter a sustentabilidade e usar o solo por um longo período, depende também da quantidade de químicos que você está colocando. Falamos sobre maneirar nos químicos, mas sabemos que não podemos radicalizar e todo mundo virar orgânico. Se for assim, não vamos alimentar os bilhões de habitantes. Então, o ideal é racionalizar, aplicar somente se precisar aplicar, para não levar a degradação”, complementa. 

Para manter a produção sustentável é necessário, além de cuidar bem do solo, realizar o manejo adequado da água, mantendo as nascentes conservadas e a mata ciliar dentro da propriedade bem cuidada. A lida com a água é de extrema importância para que o recurso não se torne escasso. “Tem outra questão: uma produção ambientalmente sustentável acontece quando você pensa em estocar mais carbono, do que emitir. Então, você está indo pelo lado dos gases do efeito estufa, de colocar carbono da atmosfera, que causa vários problemas que estamos vivendo, como o desequilíbrio ambiental climático”, reflete.

Neste cenário, a instabilidade climática que vivemos pode afetar diretamente a produção. Em 2022, o País teve uma quebra de safra de 15% por conta das mudanças do clima. De acordo com Roberta, a La Niña afetou a produção do Paraná, tendo um rendimento 40% menor que o esperado. “Precisava chover e não choveu, a temperatura na região Sul, que costuma ser mais amena, chegou a 40° graus. Teve solo que chegou a 56° graus e não tem o que sobreviva em um solo nessa temperatura”, exemplifica.

A pesquisadora também pontua que existem algumas iniciativas do setor para incentivar a sustentabilidade e auxiliar nas mudanças climáticas, diminuindo a emissão de carbono, como o conhecido selo ‘Carne Baixo Carbono’, que é uma diferenciação de produto para os produtores que estocam mais carbono, do que emitem. “O produtor, para conseguir o selo, precisa seguir uma série de requisitos de um protocolo. São feitas avaliações na propriedade dele, provando que ele está estocando mais”, reforça.

Embrapa lança ‘Programa Soja Baixo Carbono’

E, agora, a produção sustentável de grãos, ganhará um aliado: a Embrapa lançou o ‘Programa Soja Baixo Carbono’, que segue o mesmo princípio. A ação contará com um protocolo que o produtor poderá seguir para ter a fazenda monitorada e conseguir o selo para diferenciação de produção e um valor no mercado.

“Hoje nós temos muitas exigências de mercado vindo de fora do Brasil, de quem compra. A maior delas é a questão das mudanças climáticas e da emissão de gases de efeito estufa. Os importadores questionam muito, então, cabe a nós, desenvolver cada vez mais tecnologias para ajudar nessa área”, afirma.

O programa ‘Soja Baixo Carbono’ está na fase de parcerias e construção das diretrizes técnicas. A pesquisadora ressalta que o principal intuito do projeto é ajudar o produtor mudar a questão de estoque e emissão de carbono em relação ao que faz na região. Para isso, a Embrapa vai realizar o monitoramento do Brasil inteiro nos próximos dois anos, e além de desenvolver o protocolo, também irá checar as fazendas para fazer a validação e, em 2025, colocar o selo no mercado, validado e funcionando.  

O futuro é sustentável

Para Roberta, o ponto mais importante de produzir de maneira sustentável é ter comida amanhã – pensar no futuro. “Já foi o tempo do extrativismo, do qual você tinha apenas animais ou cultura até sugar tudo que tinha na terra, para depois mudar de local. Isso não pode existir mais. Nós temos que manter as florestas em pé, temos que otimizar o uso de nossas áreas, e o Brasil ainda tem milhões de hectares que podem ser melhorados. Cultivar com sustentabilidade é você garantir que vai continuar produzindo ali por muito tempo. A nossa vida é muito curta diante do que fica na terra. Estamos só de passagem, por isso, temos que deixar uma condição segura para aqueles que vem depois”, reforça.  

Vale ressaltar que a sustentabilidade no agro está em alta no momento, uma vez que existem muitos projetos e eventos sobre o tema. Roberta acredita que nos próximos anos o assunto ficará mais sério e a sustentabilidade passará a ser uma obrigação. “Acredito que antes de me aposentar – faltam 15 anos ainda – vou ver a sustentabilidade como uma obrigação e não mais como um diferencial, sendo assim, se o produtor não estiver respeitando, não será um produtor profissional”, expecta, ao frisar que existe uma movimentação para isso, de fato, acontecer.

No novo agro, a produção de grãos sustentável é algo necessário, e como reitera a profissional, não pode ser vista apenas como um diferencial de mercado, vai muito além disso. Os produtores devem seguir esse modelo pensando no planeta e nas gerações futuras, afinal, o solo seguirá fértil e bom para o plantio de muitas outras safras. “Os programas não estão dificultando a vida do produtor, muito pelo contrário, eles mostram alternativas econômicas e viáveis, para que ele produza com sustentabilidade, ganhe dinheiro e ainda conserve o meio ambiente”, finaliza.