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Preparo e união são segredo para controle de doenças na carcinicultura

Representante da FAO evidencia biosseguridade como foco da produção

Natália Ponse, de Natal (RN)

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Para se ter uma produção correta com relação à biosseguridade, é preciso um envolvimento mútuo de todos os produtores de camarão na adoção de recomendações pré-estabelecidas, sejam de quais países forem. Como em todas as etapas do cultivo, a principal preocupação neste setor é criar condições adequadas de qualidade de vida e, portanto, minimização de estresse. Os pequenos, médios e grandes carcinicultores devem conhecer e por em prática todas as orientações necessárias para prevenir enfermidades ou com elas conviver.

O Vírus da Mionecrose Infecciosa (IMNV), por exemplo, é de notificação obrigatória pela Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) e foi informada pelo Brasil em meados de 2002. Este vírus tem grande resistência aos métodos mais comuns de desinfecção em uso na aquicultura como a secagem e cloração.

A doença é um dos agentes patogénicos mais graves que afeta o cultivo do camarão branco do pacífico Litopenaeus vannamei – cultivado no Brasil e uma das mais importantes mercadorias da aquicultura mundial, com uma produção global no valor de quase US$ 19 bilhões.

Com origem brasileira, sendo seu primeiro registro realizado em uma fazenda de engorda de camarão marinho no Nordeste do País, o vírus causou perda de transparência do músculo abdominal e uma incidência persistente na mortalidade diária em animais a partir de 7g.

No entanto, a enfermidade não se instalou somente aqui. Quem explica é a representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Melba Reantaso, durante uma palestra na Feira Nacional do Camarão (Fenacam) deste ano, em Natal no Rio Grande do Norte: “Na Indonésia o primeiro registro foi em 2007, sendo que os surtos se estenderam até 2009 e até hoje são um problema, com mortalidade entre 10% e 30%”, explica a especialista.

Os surtos no Brasil atingiram mortalidades que variavam entre 55% e 79%. Na Índia, as perdas foram de 20% a 50%. Reantaso pontua que a doença evoluiu progressivamente em poucos anos, já que o vírus se dissemina por meio de fatores de stress, como a temperatura da água, por exemplo.

Mas é importante lembrar: as enfermidades fazem parte de qualquer segmento de produção animal. Na carcinicultura, em resposta ao desenvolvimento de técnicas de diagnóstico de enfermidades e a expansão territorial da atividade no mundo, novas epizootias de ordem viral são identificadas a cada ano.

Em outros países, as infecções virais no cultivo de camarões são frequentes e fazem parte da rotina diária de manejo das operações de cultivo. “Todos precisam estar juntos, preparados para a doença. Se cada produtor proteger sua fazenda e o ambiente aquático, tanto em pequena escala quanto em volume industrial, eles verão que o custo para prevenção é inferior ao do manejo de doenças. É preciso permanecer vigilante”, recomenda a representante da FAO.

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