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Pecuária precisa de seus trabalhadores, enquanto eles precisam de subsídio

Em necessidade cíclica, números revelam importância de aporte em tecnologia

Luma Bonvino, da redação

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O Brasil dedica um dia dos seus 365 para a pecuária. Com ele, mais 1,7 milhão de trabalhadores da área – de acordo com o último censo realizado em 2006 – comemoram com a atividade. Entre diferentes modelos de produção, dietas, manejos e sistemas de organização, celebra-se o atual e futuro cenário do segmento. Porém, é justamente os novos passos que merecem os holofotes e, para elucidar respostas que a Agroconsult (Florianópolis/SC) mostra os tipos de pecuaristas que existem no País, ou seja, nas mãos de quais profissionais o segmento vai propagar resultados. O estudo foi realizado pela empresa com o apoio de outras instituições privadas durante o Rally da Pecuária 2016.

“São 300 mil pecuaristas que operam em níveis de tecnologia que viabilizam economicamente sua produção. 1,4 milhão operam em níveis que inviabilizam”, adianta o coordenador de Pecuária, Maurício Palma Nogueira (foto), sobre um problema que preocupa. No entanto, o profissional classifica os trabalhadores e proprietáros em três seleções, para entender mais a fundo a “fazenda” Brasil: o Grupo de Ponta (50 mil produtores); o Grupo Intermediário (250 mil produtores); e o Grupo em Exclusão (1,4 milhão de produtores).

Grupo de Ponta: Com produtividade acima de [email protected]/ha/ano, intensificando aceleradamente, interage com indústrias de insumos, frigoríficos e laticínios, frequenta eventos, tem acompanhamento da mídia e de consultorias. Dentre as técnicas, possuem maior intensificação dos pastos, confinamento e estratégias nutricionais e sanitárias, genética, reprodução, tendo até mesmo Integração – Lavoura – Pecuária – Floresta. O objetivo do perfil é manter o foco na rentabilidade, cuja atividade já é vista integralmente como um negócio.

Grupo Intermediário: Produtividade entre 3 a [email protected]/ha/ano. São cientes da tendência, mas hesitantes ou descapitalizados. São conectados com o setor público, ONGs, indústrias de insumos, frigoríficos e laticínios, eventos e mídia. Intensificação dos pastos, confinamento e estratégias nutricionais e sanitárias, genética, reprodução e a parceria com agricultores fazem parte da estratégia desse nicho que tem por objetivo viabilizar, mediante criação de condições, recolocação no jogo.

Grupo em Exclusão: Faixa de produtividade até [email protected]/ha/ano com um perfil maior de resistência e desconfiança, sendo mais tradicionalistas e ligados ao setor público e ONGS. Manejo dos pastos, mineralização, reprodução, uso de touros, foco no bezerro ou no leite são vocabulários em termos e técnica. Postergar a saída do mercado para a próxima geração é característica dessa parcela.

Com as seleções realizadas, Nogueira afirma: “50 mil pecuaristas estão operando com produtividade, no mínimo, 2,5 vezes acima da média nacional. Enquanto cerca de 250 mil estão em risco de serem excluídos pela intensificação tecnológica de maior eficiência”. Levando isso em consideração, o principal ponto é criar artifícios para que o segundo grupo se mantenha competitivo.

De acordo com Maurício, um grupo de fato será extinto e, para que essa não seja uma problemática em bola de neve, é indicado um planejamento de comunicação, estratificando por público-alvo, regiões e níveis de tecnologia.

Já para o engenheiro agrônomo e sócio-diretor da Agroconsult, André Pêssoa, políticas públicas de transição e aquisição de áreas são palavras-chave. “O negócio de terras no Brasil acontece no âmbito privado onde os produtores se comprometem a pagar uma terra adquirida em 4 ou 5 anos, geralmente em saca de soja, sem nenhuma interferência de recurso público e nem mesmo financiamento privado de instituições financeiras. Em regiões onde a agricultura é uma saída honrosa, cujos produtores não estão conseguindo fluir dentro do processo de intensificação tecnológica e estão perdendo patrimônio e renda – e causando até impactos ambientais em um tentativa de fuga dessa exclusão – essas políticas que pudessem mudar a posição, como acontece nos Estados Unidos para o financiamento na entrada de novos agricultores no mercado, por exemplo, seriam bem-vindas”, explica.

Pessôa reforça ainda que o processo de exclusão é inexorável e acontecerá bem como foi passado por todas as cadeias do agronegócio. “A pecuária é muito heterogênica: pouca gente com alto nível de tecnologia e muitos com pouco”. Sabendo disso, é importante que a cadeia produtiva seja capaz de criar programas inteligentes, criativos e inclusivos, para retardar esse processo em até 15 anos.

Esse “atraso” que também pode se unir com os desafios que se transformam em possibilidades, tem na abertura de novos mercados uma saída, que o profissional acredita ser fundamental, aliado com esforço em comunicar o importador de que a pecuária nacional tem um padrão de sustentabilidade bastante elevado que só tende a  melhorar, especialmente em moldes inclusivos, que não penalizem os produtores que ainda não correspondem a todos os preceitos desejados pelo mercado, mas, que os acolham os evolutivos no processo de fornecimento da cadeia produtiva.

Dessa forma, Maurício Palma Nogueira tem uma citação que deve ser levada como mantra nessa data emblemática. Para não esquecer: “Mais bezerros por vacas; Mais animais por hectare; Mais carcaça por animal; Menos tempo para terminação ou primeira cria.”

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