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BOVINOCULTURA

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Oferta em excesso desenha momento atual da pecuária brasileira 

Com produção a longo prazo, setor de corte exige novas estratégias para contornar crise
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Wellington Torres, de Uberaba (MG) 

Wellinton@ciasullieditores.com.br 

Referência no mundo todo, a bovinocultura brasileira se destaca pela eficiência e qualidade elevada dos cortes. No entanto, o cenário atual desperta alerta a pecuaristas perante ações estratégicas e profissionalização assertiva dentro da porteira para os próximos anos.  

Como destacou o presidente do Conselho Deliberativo da ANCP, João Guimarães, “talvez seja o momento mais difícil e importante ao mesmo tempo”. “Tudo o que fizermos agora, colheremos os resultados nos próximos anos”, frisou durante a 27ª edição do Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores.  

Para o presidente, a crise atual exige maior investimento, uma vez que o bezerro desse ano irá maturar entre 2026 e 2027, “dependendo da intensificação das fazendas” e da assertividade dos produtores ao lidar com a situação.  

Em análise, o Head de Proteína animal na Agrifatto, Yago Travagini Ferreira, detalhou a situação ao explicar o desenvolvimento das arrobas do boi gordo: “Vemos o preço bater as mínimas nos últimos quatro anos e, agora, sofrer com a pressão e excesso de oferta”. O cenário é “consequência dos anos de bonança, vividos durante 2020, 2021 e 2022”.  

“Quando avaliamos o tempo, na bovinocultura de corte se colhe as decisões que foram tomadas há dois anos, por conta, justamente, do período gestacional das fêmeas e da recria. De um animal que acabou de nascer até o ponto de abate, em média, falamos em algo em torno de 40 a 50 meses”, explicou  
 

A fim de amenizar as perdas, o Head indicou algumas ações, como saber avaliar a margem e o custo de produção: “É importante, em um período como esse, ter o controle operacional de toda a fazenda e conseguir traduzir isso em número, como o quanto tem que vender para ter retorno ou, pelo menos, para empatar dentro da situação atual, e, a partir disso, começar a tomar decisões mais assertivas, pensando na lucratividade”.  

Depois de controlar os custos, como complementou Yago, também é preciso pensar em reduzir os riscos da operação. “Se custa R$200 a R$210 e dá lucro, esse é o ponto desejável. Ter controle da operação é ideal para que o pecuarista consiga se manter por mais tempo na atividade, isso só ocorre com gerenciamento de risco e controle operacional alinhados”, afirmou.   

Para o restante de 2023, há o aquecimento gerado pelo mês de novembro, período do qual a demanda no atacado brasileiro cresce em decorrência das festas de final de ano. Contudo, sem forças para contornar o período desafiador. 

“Estamos no segundo semestre com os preços nas mínimas, então esperamos para o encerramento do ano uma recuperação relativamente tímida. Não devemos ver preços parecidos com o que convivemos no primeiro trimestre do ano, por exemplo””, finaliza Yago. 

https://www.revistafeedfood.com.br/pub/curuca/?numero=197&edicao=12050#page/54