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Nutrição e ambiência ditam o futuro da criação de bezerras

No Encontro Lallemand 2025, professor João Costa apresenta avanços científicos e desafios práticos para maximizar desempenho e reduzir custos na fase inicial
Por Caroline Mendes
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Caroline Mendes, de Piracicaba (SP)

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A criação de bezerras leiteiras, historicamente pautada por métricas simplistas como sobrevivência ou ganho de peso ao desaleitamento, evoluiu para um campo de estratégias complexas que conectam nutrição, ambiente e gestão de custos. Essa foi a mensagem central da palestra do professor João Costa, da Universidade de Vermont (EUA), durante o Encontro Lallemand de Consultores e Nutricionistas 2025.

Cinco dias de diarreia representam o equivalente a 1,5 litro de leite desperdiçado por dia, por bezerro. Esse é um cálculo que precisa estar na conta econômica do produtor” – professor João Costa, da Universidade de Vermont (EUA)

Segundo Costa, os últimos dez anos trouxeram avanços que transformaram a compreensão do impacto dos primeiros 100 dias de vida. “Hoje, sabemos que investir em nutrição e bem-estar nessa fase inicial determina não apenas a saúde da bezerra, mas a produtividade futura do rebanho em termos de litros de leite e longevidade”, afirmou.

No campo nutricional, o professor destacou que ainda há grande variação entre países e sistemas produtivos. Enquanto parte significativa dos bezerros norte-americanos recebia menos de 6 litros de leite por dia, estudos mostram que ganhos médios de 700 a 1.000 gramas diários só são possíveis constantemente com fornecimento mais elevado — acima de 7 litros/dia ou 850g de MS. Essa estratégia com um desaleitamento gradual, associada a dietas sólidas de alta qualidade, tem como objetivo atingir pele menos 15 kg de consumo de carboidratos não fibrosos (CNF) antes do desaleitamento, isso favorece a maturação ruminal e garante crescimento acelerado durante e depois do desaleitamento.

Outro ponto crítico é a estratégia de transição alimentar. Para Costa, o desaleitamento deve ser guiado pelo consumo de concentrado, e não apenas pela idade ou dias de aleitamento. “O step-down feito em torno de 35 dias, associado a dietas líquidas mais intensivas no início, mostra-se eficiente para estimular a ingestão de sólidos e manter curvas de crescimento lineares, sem perdas de peso”, explicou.

O pesquisador também chamou atenção para a necessidade de olhar além das médias, avaliando a dispersão do desempenho entre animais. Doenças como pneumonia e diarreia, por exemplo, podem reduzir em até 230 gramas o ganho diário e aumentar significativamente o custo por quilo de peso vivo colocado. “Cinco dias de diarreia representam o equivalente a 1,5 litro de leite desperdiçado por dia, por bezerro. Esse é um cálculo que precisa estar na conta econômica do produtor”, ressaltou.

No aspecto econômico, Costa lembrou que o custo de criar uma bezerra até a primeira lactação em dados de fazendas do seu banco de dados subiu de US$ 2 mil em 2020 para US$ 2,8 mil atualmente nos Estados Unidos. No Brasil, o valor médio chega a R$ 12.400 por animal nas fazendas que ele analisou. Sendo que a alimentação da bezerra de 0 a 100 dias normalmente é um quarto desse custo, chegando próximo de 2500 a 3000 mil reais. \costa comentou, “Não podemos mais pensar apenas em manter o animal vivo. Precisamos medir custo por quilo de ganho, eficiência alimentar e retorno produtivo. Essa é a nova lógica do manejo nutricional de bezerras”, reforçou.

Além da nutrição, o ambiente de criação ganhou espaço na apresentação. Condições inadequadas de ventilação e conforto térmico aumentam a incidência de doenças respiratórias e comprometem o potencial de crescimento. A interação social também foi destacada: a criação em pares ou grupos reduz o estresse, melhora a adaptação ao manejo e contribui para melhores índices de desempenho.

Como conclusão, Costa apontou que a ciência já comprovou o impacto positivo do crescimento acelerado sobre a produtividade futura. O desafio agora é traduzir esse conhecimento em estratégias práticas, economicamente viáveis e personalizadas para cada fazenda. “O ganho de peso é importante, mas sozinho não basta. Precisamos de métricas mais complexas, que conectem manejo nutricional, ambiente e custo por quilo de ganho. Só assim vamos formar vacas mais produtivas e longevas”, finalizou.

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