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Novembro: reflexo da boa fase do agro

Marcos Fava Neves é especialista em planejamento estratégico do agronegócio

Marcos Fava Neves é especialista em planejamento estratégico do agronegócio

Na área internacional, novembro trouxe mais complicações. Apoio velado de Trump em dois gestos na direção dos protestantes de Hong Kong joga acidez na relação com a China, que não gostou. Recentes declarações também podem postergar um possível acordo com os EUA para depois das eleições americanas, enfim neste momento ficou mais distante. Há problemas recentes também com a França e isso deve se refletir em menor crescimento nos fluxos comerciais para 2020.

No Brasil, as notícias são melhores com o PIB crescendo 0,6% no trimestre e matéria do Wall Street Journal falando da virada da economia brasileira, e ainda novas perspectivas de redução da taxa de juros. O Relatório Focus de 2 de dezembro de 2019 (Banco Central) traz expectativas para o IPCA de 2019 em 3,52% e de 2020 em 3,60%. O PIB fecharia em 0,99% este ano e 2,22% em 2020. Para a taxa Selic espera-se 4,50% e 4,50%, respectivamente, e, finalmente, para o câmbio, R$ 4,10 no final de 2019 e 4,01 no final 2020.

A variável mais importante agora, sem dúvida, é o clima sobre a nossa safra, que precisa ser grande para aproveitarmos todas as oportunidades que se colocam. Em alguns locais precisou ser feito o replantio e em outros também têm atraso, o que pode colocar em risco maior a segunda safra de milho. Pela CONAB, na estimativa de novembro, são esperadas 246,4 milhões de toneladas, um aumento de quase 2% sobre a safra anterior, 4,3 milhões de toneladas a mais. A área é de 64,1 milhões de hectares, aumento de 1,4% sobre o ciclo anterior. O algodão volta a crescer, com 2% a mais de área. No milho, esperam quase 1% a mais de área na primeira safra (4,1 milhões de ha) e produção de 26,3 milhões de toneladas e na segunda safra outras 71 milhões. Há também uma contagem de terceira safra, com mais alinhamento com o período do hemisfério norte, que a CONAB diagnosticou nos estados chamados SEALBA (Sergipe, Alagoas e Bahia) e no Amapá e Roraima.

Pelo Rabobank deveremos ter 1 milhão de hectares de milho a mais plantados na segunda safra (total de 13,4 milhões de hectares), o que levaria a soma em 5%, para 18,4 milhões de hectares, esperando preços entre R$ 40 a 42/saca. Nesta safra, a produção será de 100 milhões de toneladas aumentando o uso no mercado interno em 6%, com exportações de 30 milhões de toneladas. O etanol usará 2,5 milhões de toneladas. Para 2019 a ANEC (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) prevê exportações de 41 milhões de toneladas (3 milhões acima da última projeção).

Pela CONAB, na soja são esperadas praticamente 121 milhões de toneladas, quase 5% a mais que a safra anterior. O Rabobank crê em aumento de 1,7% na área plantada, atingindo 36,5 milhões de hectares e produção de 121 milhões de toneladas. Preveem grande queda na produção dos EUA. A ANEC estima exportar, neste ano, 72 milhões de toneladas de soja.

As exportações do agro brasileiro cresceram 0,8% em relação a outubro de 2018, somando US$ 8,41 bilhões contra US$ 8,35 bilhões do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O propulsor desse crescimento foi o milho, com 91,3% a mais, vendendo US$ 1,02 bilhão no volume de 6,14 m.t. (+97,6%). Destaque também para algodão com aumento de 43,7%, vendendo US$ 440,73 milhões; carne bovina com US$ 806,61 (+30,4%); e carne suína com US$ 148,51 milhões (+38,5%).

Já carne de frango caiu 7,8% chegando a US$ 529,13 milhões, complexo soja caiu 10,9% atingindo US$ 2,27 bilhões, assim como produtos florestais, U$$ 906,0 (-15,6%). As importações brasileiras aumentaram 1,3% (US$ 1,21 bilhão) e o superávit foi de US$ 7,2 bilhões, 0,67% maior. Ministério da China anunciou importações de 3 milhões de toneladas de produtos de suínos neste ano de 2019. Já saiu o dado de novembro para as carnes, a exportação cresceu 28% sobre o mesmo mês do ano anterior, sendo que os preços da carne bovina subiram 22% em dólar, preços da carne suína subiram 30% em dólar e os preços da carne de frango 6%. Imagina isto tudo em reais a R$ 4,20.

Fonte: Marcos Fava Neves, adaptado pela equipe feed&food. 

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