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Mercado suinícola projeta recuperação

Crescimento de exportação e abertura de mercados são algumas das tendências

Crescimento de exportação e abertura de mercados são algumas das tendências

Após os desafios de 2018, o suinocultor poderá ter um ano de recuperação. Apesar de um início de ano frustrante tanto nos volumes exportados, quanto no preço do suíno no mercado interno, os meses de fevereiro e março de 2019 trazem uma tendência de recuperação da demanda pela carne suína brasileira acompanhada de uma reação significativa dos preços pagos aos produtores, trazendo otimismo para o setor.

Os dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que no primeiro bimestre de 2019 o Brasil exportou 102,6 mil toneladas de carne suína in natura (5,65% mais que no mesmo período de 2018) com um aumento de 4% na receita (US$). China e Hong Kong lideram as compras e representaram 40,5% deste volume. A Rússia, que retomou recentemente as importações, já ocupa o terceiro lugar com 11 mil toneladas no mesmo período.

O impacto da Peste Suína Africana (PSA) na China é um atrativo para o setor no Brasil. Embora não sejam números oficiais, agentes do mercado já falam em perdas que superam 20% do plantel de matrizes suínas chinesas.

Além das questões mercadológicas, a PSA é motivo de preocupação para a suinocultura mundial, com a ameaça de se tornar uma pandemia, de consequências catastróficas para o setor. Os novos focos na Ásia, incluindo o Vietnam, que é o sexto maior produtor de suínos do mundo, e a recente tentativa de contrabando de carcaças de suínos da China para os EUA, aumentam o nível de alerta para questões de biosseguridade internacional.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, explica que apesar da possibilidade de aumentar o mercado brasileiro na China seja animadora, não é imediata. “Embora exista uma grande oportunidade de ampliar o embarque de carne suína para a China, é fato que existem fatores limitantes a este crescimento, como a necessidade de liberar novas plantas, o que demanda tempo e o cumprimento de exigências técnicas e burocráticas que acabam restringindo o número de indústrias que poderiam acessar este mercado”, salienta.

Insumos. Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostram que embora tenha havido uma pequena quebra na safra de soja, devido a estiagens prolongadas em determinados momentos, o que projeta uma redução de 4,9% deste grão em relação ao ano passado, o preço apresenta-se estável e em compasso de espera em relação às negociações entre EUA e China. Independente desta questão, não se espera grandes sobressaltos no preço da soja e seus derivados, não sendo motivo de preocupação para quem consome o farelo de soja. Por outro lado, o plantio da segunda safra (safrinha) se deu bem mais cedo que nos anos anteriores, determinando mais segurança a estas culturas, especialmente o milho que está muito concentrado na safrinha.

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Profissionais do setor precisam redobrar os cuidados relacionados à importação de animais e insumos devido à PSC (Foto: reprodução)

O sexto levantamento de grãos referente a safra 2018/19, espera-se que a produção da segunda safra de milho chegue a 66,6 milhões de toneladas, volume 23,6% superior ao registrado na segunda safra do ano passado. Com mais de 90% das lavouras já plantadas (tabela 1), a expectativa é de que o total produzido, somando as duas safras de milho chegue a 92 milhões de toneladas, ou seja, 15% (12 milhões de toneladas) a mais do que na safra 2017/18, segundo dados da MBAgro.

Mercado russo. A Rússia que já representou mais de 40% das nossas exportações (em torno de 250 mil toneladas em 2017) parece realmente que está alcançando a autossuficiência na produção de carne suína, bem mais rápido do que se imaginava. Segundo o USDA, no ano de 2018 a Rússia importou ao todo 60 mil toneladas, uma redução de 84% em relação ao ano anterior (375 mil ton). Segundo o USDA e a consultoria MBAgro, embora o Brasil tenha exportado 11 mil toneladas para este destino no primeiro bimestre de 2019, as projeções são de que a Rússia não importe mais do que 40 mil toneladas ao longo do ano.

“Se por um lado, em 2018 tivemos uma redução do volume exportado em relação ao ano anterior e a perda temporária de um grande comprador (Rússia) que agora volta comprando menos, por outro lado, passamos a vender para 96 destinos diferentes em 2018, contra 63 em 2017. Ou seja, ampliamos nossa abrangência, além de iniciarmos embarques para o quarto maior importador de carne suína, a Coreia do Sul”, comenta o presidente da ABCS.

Fonte: ABCS, adaptado pela equipe feed&food.

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