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Lucro na pecuária: especialista defende foco no desempenho animal como chave para maior rentabilidade

Durante o Encontro de Intensificação de Pastagens, Adilson Aguiar apresentou análises comparativas que mostram como decisões de manejo influenciam diretamente no lucro por hectare
Por Felipe Machado
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Por Felipe Machado, da Redação

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Durante o Encontro de Intensificação de Pastagens, promovido pela Scot Consultoria em Ribeirão Preto (SP) nos dias 24 e 25 de setembro, o consultor Adilson Aguiar apresentou a palestra “Perícia do lucro: um olhar de investidor sob sua operação”. Com base em extensa análise técnica e econômica, Aguiar defendeu que a chave para maior lucratividade na pecuária está em priorizar o desempenho individual dos animais, e não necessariamente aumentar a taxa de lotação dos pastos. “Maximizar o desempenho animal é a estratégia mais eficiente. A taxa de lotação deve ser aumentada apenas até onde não comprometer esse desempenho”, afirma o palestrante.

A palestra mostrou que, apesar da fórmula para calcular a produtividade da pastagem ser simples — desempenho por animal vezes taxa de lotação, os fatores que condicionam esses dois componentes são altamente complexos. São seis fatores para o desempenho animal e dez para a taxa de lotação, alguns com controle parcial ou nenhum controle. Ainda assim, Aguiar organizou essas variáveis em três classes tecnológicas: tecnologias de processo (sem custo), de baixo insumo e de alto insumo. A adoção dessas tecnologias, segundo ele, é essencial para sustentar o crescimento da produtividade de forma rentável.

A análise comparou dados de quatro experimentos realizados com capins braquiarão, tanzânia e mombassa, durante o período das águas, em diferentes estratégias de manejo. A conclusão foi clara: quando se prioriza o desempenho animal, mesmo com menor número de animais por hectare, o ganho em arrobas é mantido ou até superado, e o custo por arroba produzida tende a ser menor. Em um dos casos, ao optar pelo melhor desempenho, o lucro aumentou em R$ 2.800 por hectare, mesmo com menor lotação.

Adilson Aguiar, durante sua palestra no Encontro da Scot Consultoria, destaca que priorizar o desempenho animal pode gerar até R$ 2.800 a mais por hectare (Foto: FeedFood)

Aguiar também destacou o papel da suplementação. A inclusão de concentrado (0,6% do peso vivo) aumentou tanto a taxa de lotação quanto o ganho de peso diário, além de reduzir o tempo necessário de confinamento. Contudo, ele alertou que o custo da suplementação deve ser avaliado com cuidado. “Só o manejo correto do pasto, priorizando desempenho animal, já pode render até 120 gramas a mais por dia, sem nenhum custo adicional”, ressalta. Em diversas simulações, a suplementação foi capaz de equilibrar cenários com foco na lotação, mas a estratégia mais rentável ainda foi priorizar o desempenho animal desde o início.

Ao encerrar, Aguiar reforçou que decisões de manejo devem ser pensadas como um investidor analisa um ativo, buscando equilíbrio entre custo e retorno, considerando as limitações ambientais e biológicas. “O produtor precisa entender que aumentar a lotação sem considerar os impactos sobre o desempenho compromete o lucro final. É preciso olhar para o animal e não só para a quantidade”, conclui. A palestra foi um dos destaques do evento, ao trazer uma abordagem prática e econômica sobre um dos dilemas mais comuns na pecuária intensiva.

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