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“Liderança é como orquestra”, diz Sulivan Alves, primeira brasileira a coordenar Grupo do IPC

Gabriela Salazar, da casa

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Ao ser questionada sobre as características das mulheres na liderança, a Diretora Técnica Adjunta da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sulivan Alves, destacou a sensibilidade e percepção feminina, mas ressaltou a importância de se ter equipes mistas – em todos os aspectos – para trazer qualidades complementares para o ambiente de trabalho.

Por si só, a escolha de palavras de Sulivan, ou melhor, Sula, como gosta de ser chamada, mostra a característica mais importante de um líder: o altruísmo. Em sua essência, o bom líder é aquele que sabe olhar para o outro e enxergar potencial e assim, de fato, engajar pessoas.

Esse olhar cuidadoso acompanha a carreira da profissional desde início, quando ainda menina, mesmo sem ter raízes rurais, enxergou no agronegócio seu potencial, e a deve seguir por sua jornada também à frente do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e Meio Ambiente do Conselho Mundial da Avicultura (IPC, sigla em inglês), onde recentemente assumiu o posto da coordenação.

Sua indicação ao cargo veio como reflexo de sua dedicação. Doutora em Física do Ambiente Agrícola pela Universidade de São Paulo/ Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, mestre e graduada em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRuralRJ), Sula dedicou-se à pesquisa nas áreas de bem-estar e bioclimatologia animal e atuou também como Gerente executiva de Relações Institucionais e de Sustentabilidade da empresa BRF.

Sobre a decisão do Grupo, a profissional conta que não imaginava que se tornaria coordenadora. “Eu estava com o objetivo de representar a minha entidade (ABPA) visando contribuir para os aspectos de sustentabilidade e comunicação e, creio que em função disso, as demais coisas acontecem”. Sula, até então, participava como membro do Grupo de Trabalho de Bem-Estar Animal e Saúde e também no Grupo de Sustentabilidade e Meio-Ambiente, ambos do IPC.

O posicionamento da ABPA, bem como o reconhecimento do Grupo da dimensão da avicultura nacional, foram outros aspectos salientados pela profissional que levaram a indicação de uma brasileira ao cargo.

“A ABPA desenvolve um importante trabalho como associação e leva essa representação ao IPC. Essa foi uma união do meu conhecimento técnico com o trabalho da entidade que me ser escolhida como representante do Grupo”, enfatiza  e complementa: “A liderança é como uma orquestra, você não consegue fazer uma música complexa com um uma nota só. O trabalho de liderança  exige o reconhecimento da importância do outro, de saber coisas que você não sabe. O grande líder sabe olhar isso e  extrair o melhor”.

Representando o Brasil. Sobre a coordenação, Sula pontua a relevância da sustentabilidade para o agronegócio e defende a importância de comunicar tudo o que a atividade já faz para contribuir com esse aspecto e assim evitar a propagação de mitos. 

“Quando falamos em sustentabilidade sempre se pensa no pilar ambiental, mas a sustentabilidade também envolve outros aspectos. O Brasil tem uma série de ações muito importantes, nós geramos muitos empregos, fornecemos a proteína para mais de 150 países tanto pela qualidade do nosso produto, quanto pela sanidade. Temos sistema de integração verticalizado, um rigoroso controle com as inspeções, é um trabalho sério, mas temos mania de sempre olhar para o que ainda não temos”.

A profissional ainda faz um paralelo com a suinocultura, também representada pela ABPA, salientando o desenvolvimento econômico nas cidades onde existem essas atividades, podendo assim, contribuir com outras demandas essenciais da população como: nutrição, geração de empregos e educação.

“No momento em se gera educação você também gera uma maior diversidade e o respeito a ela e varias outras diferenças sociais. Essa é uma base muito importante. Nós temos muita coisa bacana para falar”, explica Sulivan Alves sobre o objetivo de explorar a comunicação sobre as ações realizadas pelo Brasil.

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