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Intercorte encerra 2018 com evolução

Encontro da pecuária percorre principais polos produtivos do Brasil

Natália Ponse, de São Paulo (SP)

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Desde a sua criação em 2012, a InterCorte já contou com a participação de mais de 27 mil pessoas, a maior parte pecuaristas, em eventos que percorrem algumas das principais regiões pecuárias do País para levar informação, conhecimento e tecnologia. Neste ano, o evento itinerante passou por Cuiabá (MT) em março, com a participação de 1.500 pessoas; Marabá (PA) em maio com 1.050 participantes; e é finalizada nesta sexta-feira (23) em São Paulo (SP), com dois mil inscritos.

O projeto é parte do “Integrar para Crescer”, plataforma de comunicação que envolve eventos e ações com o intuito de disseminar informação de qualidade, reverberando os temas e discussões relevantes ao setor. Além da InterCorte, a plataforma ainda promove eventos como a Interconf, InterGrãos e ações como o movimento #SomosdaCarne, a Beef Week, “Você Sabia” e “Caminho do Boi”, visando sempre o crescimento e fortalecimento do agronegócio no Brasil.

“Essa edição tem o perfil do projeto Integrar para Crescer, então inserimos outras atividades na programação como, por exemplo, um painel sobre leite. São três auditórios paralelos, uma ideia para integrar os parceiros”, comenta a diretora do Terraviva Eventos (empresa organizadora do encontro), Carla Tuccilio.

Os “caminhos” esse foram mais uma vez os nortes da InterCorte. Com o painel “Caminhos da Genética”, os presentes puderam conferir um apanhado de tudo o que foi novidade este ano. As palestras e exposições visam mostrar as mais recentes evoluções nesse segmento, especialmente sobre a genômica e as técnicas – proteômica, metabolômica e epigenética. O painel contou com a participação de Renata Branco Arnandes (diretora Geral do Instituto de Zootecnia); Mario Chizzotti, professor da Universidade Federal de Viçosa; e Cesar Franzon, gerente de Inovação e Rebanho da CRV-Lagoa.

“O ano passado já tivemos um grande painel do “Caminhos da Genética”, curadoria IZ e CRV Lagoa, e este ano nós voltamos com um painel de discussão sobre a Eficiência na Produção de Carne e reprodução. A Intercorte traz questões atuais para que o produtor tenha mais conhecimento técnico para sua produção pecuária com sustentabilidade e rentabilidade”, reforça Renata Branco Arnandes.

Outro “caminho” foi “Caminhos da ILPF”, que aprofundou questões relativas à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), estratégia de produção que integra diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área. O IZ colaborou com o universo da genética, da produção agropecuária sustentável e da qualidade do leite.

Segundo a diretora geral do IZ, os produtores tiveram uma visão completa dessa tecnologia: “Tratamos de forma bastante ampla dos diversos aspectos que envolvem a ILPF – desde o tipo de solo, sistemas de plantio, arranjos produtivos, manejo de pasto, nutrição animal, produção animal, índices reprodutivos e zootécnicos até a viabilidade econômica da implantação”.

O Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS) também marcou presença, realizando o painel “Carbono: uma visão pratica pela ótica da pecuária”, para apresentar as oportunidades de mitigação das emissões por meio de sistemas bem manejados de pastagens. “Um dos pilares de formação do GTPS é disseminar informações para os pecuaristas visando contribuir com o desenvolvimento da atividade no Brasil. A InterCorte é um espaço importante para levarmos nosso trabalho e ter a oportunidade de nos aproximar dos pecuaristas”, explica a coordenadora executiva do GTPS, Beatriz Domeniconi.

O objetivo, conforme explica a coordenadora do grupo, é oferecer aos participantes um painel com orientações técnicas relacionadas às emissões na pecuária e levar essa questão pela ótica prática. “A presença de professores e pesquisadores é uma forma de embasar cientificamente esse assunto que, muitas vezes, é trabalhado de forma ideológica. Pecuária não é apenas um sistema que emite, mas também uma atividade que depende da captação”, finaliza.

Entre as novidades do ano esteve o painel “Caminhos do Leite”, com palestras para debater o cenário atual e os desafios da produção leiteira no país, além da apresentação de casos de sucesso. Para concluir, os participantes participaram de uma degustação de mais de 100 variedades de queijos artesanais produzidos no Estado de São Paulo, em parceria com a Associação Paulista do Queijo Artesanal (APQA) e com o Caminho do Queijo Artesanal Paulista.

“Quisemos mostrar que a característica principal do queijo artesanal paulista é a inovação, e o resultado é uma grande variedade de queijos de alta qualidade. Mostra disso é a quantidade de medalhas que queijarias paulistas conquistaram no IV Prêmio Queijo Brasil, que teve quase 500 queijos avaliados, vindos de todo o País”, destaca o presidente da APQA, Christophe Faraud.

Outra inovação foi o espaço InterTechAgro, destinado à apresentação de startups, com uma programação de conteúdo específico, desenvolvida para apresentar tecnologias que facilitam a gestão das propriedades e geram mais eficiência à produção animal. “Não podemos deixar de prestigiar este setor. Após as apresentações, vinte jurados analisaram as finalistas, que foram reconhecidas no Prêmio Terraviva Startup”, explica Carla Tuccilio.

A InterCorte não interrompeu seus feitos inéditos por aí: o painel “Carne além do churrasco” trouxe à tona um assunto que normalmente não é abordado nos eventos do setor: alimentos preparados, que abastecem restaurantes, escolas etc. “O mercado dos alimentos preparados é enorme e o produtor precisa entender dele, já que faz parte do boi que ele vende”, conta a organizadora do encontro. Após os conteúdos, houve uma degustação aos presentes.

Os dois mil inscritos no evento também puderam conferir a feira de negócios, com a participação de empresas de referência na pecuária, lançando inovações tecnológicas para tornar a pecuária cada vez mais produtiva e rentável. A participação das companhias, inclusive, é um dos pontos reforçados pela organizadora do evento como uma evolução na história do evento: “Antigamente elas não entravam no auditório para falar se não fosse só sobre o produto, um discurso bem comercial. Entendendo que os produtores estavam mais interessados em informação do que em comprar produtos, as companhias passaram a participar do conteúdo”, diz Tuccilio. Com isso, a curiosidade do produtor é despertada e ele organicamente se dirige ao estande para saber sobre a parte comercial.

A relação produtor-indústria não foi a única revolução do setor. Envolvida desde a realização da Feicorte, feira que antecedeu a InterCorte, Carla Tuccilio acredita que a mudança de mentalidade do produtor foi uma das grandes mudanças. “Durante um bom tempo ele não queria aprender nada novo, pois já havia absorvido os conhecimentos dos pais e avôs. Agora, com a necessidade de manter a sua rentabilidade, ele não tem saída: precisa procurar informação”, conta. Para ela, a integração entre o pecuarista e as empresas ainda não é o ideal, mas já avança largamente quando comparada à de anos atrás – sinal de que eventos como este são imprescindíveis para o agronegócio brasileiro do futuro.

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