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Indústria da carne tem evidências de sobra para reconquistar o consumidor

Agronegócio deve se apoiar em argumentos sensatos – e eles existem

Natália Ponse, da redação

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Ao não seguir a premissa básica de ouvir os dois lados, a mídia incendiou o Brasil e demais países com informações deturpadas e ampliadas sobre o negócio das carnes brasileiras, baseando-se na Operação Carne Fraca. A cadeia produtiva foi questionada e colocada em risco a exportação de mais de cinco milhões de toneladas para 150 países, sem contar com a possível redução no consumo do mercado interno. Em tempos de mídias digitais, assuntos sérios ganham velocidade e, muitas vezes, caricaturas grotescas, prejudicando a credibilidade construída em décadas.

Nessa novela as empresas exportadoras, taxadas como vilãs, estão amargando prejuízos devido a operação. Para evitar que novos episódios como este impactem negativamente o setor, o presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (Abmra, São Paulo/SP), Jorge Espanha, aconselha a criação imediata de um grupo, líder ou comitê de crise, que “gerencie de forma rápida, ampla e exaustiva um plano de comunicação que reflita a realidade dos fatos, esclareça a importância do trabalho realizado e tenha em mãos um guia de fatos e dados a ser divulgado por todos da cadeia: do produtor ao agente máximo do governo”. Para ele, transparência, dados e fatos são cruciais na recuperação da credibilidade.

Para ter processos de respostas mais afinados, a indústria precisa passar a agir com rapidez e assertividade. A lição foi indiscutível e a união dos vários elos das cadeias produtivas também é fundamental. “Ações isoladas não são tão fortes como ações em bloco. O consumidor precisa cobrar qualidade e segurança alimentar. Se detectar problemas, deve exigir correções. Afinal, ele é o centro de tudo, pois a produção existe para atender às suas necessidades”, esclarece Espanha.

A confusão instaurada na mente do consumidor tem raiz, aponta o presidente da Abmra, na imprensa, que precisaria fazer o seu trabalho com ética e imparcialidade, ouvindo todos os envolvidos e consultando especialistas para publicar a informação com respaldo técnico. “O problema foi sério, mas pontual, envolvendo apenas 0,4% dos frigoríficos brasileiros. As ‘verdades midiáticas’ ocupam o nosso dia a dia e, por isso, é imperativo que se dê prestígio aos canais de comunicação que tenham senso crítico, seriedade com os temas de impacto e diligência nos seus processos antes da divulgação”, conclui. Para caminhar novamente de mãos dadas com o consumidor brasileiro, a indústria precisa, na opinião de Espanha,  se atentar a dois pontos:

  • Reforçar estratégias de comunicação e marketing, reforçando valores e diferenciais;
  • Mapear mídia usando big data e pesquisas de opinião para elaborar campanhas de esclarecimento e educação sobre os valores das proteínas animais, a importância do setor para o País e a qualidade do controle sanitário;

“Deixando mais claro, o uso de big data pode mapear os IP dos usuários e ajudar a avaliar tendências de informação para as principais mídias. O importante é que seja divulgado um plano no qual todos tenham participação para levar informações corretas, esclarecedoras e alinhadas para o mercado”, explica o executivo.

Evidências comprovam a qualidade da produção brasileira. É preciso fazer o consumidor entender que o Brasil não atingiria a condição de maior exportador mundial de carne bovina e de frangos e o quarto maior de carne suína se não tivesse construído uma cadeia produtiva eficiente e profissional. A ocorrência de desvios pontuais, segundo ressalta Jorge Espanha, pode ocorrer ainda que o todo seja forte e competente. De qualquer maneira, as indústrias precisam reforçar suas estratégias de comunicação e marketing, fortalecendo os seus valores e diferenciais. “De outro lado, a imprensa tem papel essencial, na medida em que leva para o público a realidade da cadeia produtiva, que é profissional em sua essência”, destaca.

Para chamar a atenção do consumidor para as verdades que envolvem a cadeia produtiva, associações e empresas se mobilizaram para mostrar de forma clara e ilustrativa o quão confiável o sistema nacional se consolida. Um exemplo é o vídeo divulgado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA, São Paulo/SP) junto ao Portal Brasil, exaltando os números e conquistas da cadeia.

Os argumentos não param por aí. O Brasil possui o maior rebanho comercial e está entre os três maiores exportadores em diversos produtos, com um selo de inspeção de quase 100 anos, validado internacionalmente. “Uma parcela significativa da produção de carne provém de fazendas média a altamente tecnificadas. Propriedades que utilizam sistemas de produção mais intensivos, como semi-confinamento e confinamento, suplementação completa dos animais, melhoramento genético com foco em melhoria dos atributos de carcaça, capacitação constante de colaboradores e sistemas de gestão altamente apurados e confiáveis. Na parte de uso de maquinários também avançamos bastante, no sentido de otimizar os processos dentro da propriedade e diminuir perdas no processo produtivo”, ressalta o gerente Técnico da Associação Brasileira dos Confinadores (Assocon, Goiânia/GO), Bruno Andrade.

A sanidade brasileira é, de longe, um dos grandes atrativos para o mercado exterior. O caso mais recente de alguma enfermidade que atingiu a produção foi há 10 anos e 10 meses, quando foi registrado apenas um caso de febre aftosa em Mato Grosso do Sul. Demonstrando maturidade e responsabilidade, o Brasil adotou medidas sanitárias eficientes na época, que evitaram novos focos. “Além disso, o Brasil é considerado como risco insignificante para diversas outras doenças, como vaca louca, por exemplo. A melhora nos serviços de defesa animal nos Estados foi significante e apesar de temos ainda o que melhorar, avanços sensíveis já foram tomados”, complementa Andrade, que não deixa de acrescentar outro fator de credibilidade: a consciência do produtor rural.

Preocupado cada vez mais com aspectos sanitários, produtivos e relacionados ao meio ambiente, o produtor rural brasileiro obedece a uma das mais restritas e rigorosas leis ambientais do mundo, mesmo em um País que já registra 61% do território preservado. O setor que gera mais de 6 milhões de empregos é também responsável por ¼ do PIB nacional, registrando alta de 135% em suas exportações ao longo dos últimos dez anos.

“Os números estão a nosso favor e não existem evidências de qualquer problema sistêmico em nossa cadeia relacionado à segurança alimentar. Existem sim problemas pontuais, como em todos os segmentos da economia, seja na ordem legal ou nos processos executados. Mas, em relação a nossa cadeia de produção, eles estão sendo corrigidos muito antes de se chegar à gôndola do supermercado”, finaliza Bruno Andrade.

Uma lição que fica não só para a indústria, mas também para o consumidor. Em um País com severo sistema de fiscalização é fácil identificar uma boa carne na hora da compra. O Selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) assegura que o produto foi inspecionado pelos fiscais e agentes do Ministério da Agricultura e está apto para consumo. Por isso é sempre imprescindível que a carne tenha essa identificação na etiqueta interna. Caso o produto tenha sido manipulado pelo açougueiro, é possível pedir que ele mostre a etiqueta do produto que foi porcionado ou manipulado.

Com as informações corretas em mãos e munido de boas fontes para continuar atualizado, o brasileiro pode ver o agronegócio como um amigo responsável e grandioso, que não mede esforços para apresentar qualidade e bons números sem deixar de lado questões claramente essenciais para a saúde humana e animal. Desta forma, fica fácil identificar o que é verdade ou mentira na mídia e nas redes sociais.

Após ler esta matéria, você consegue identificar qual destas opções é mentira sobre o agronegócio brasileiro?

xportadoras, taxadas como vilãs, estão amargando prejuízos devido a operação. Para evitar que novos episódios como este impactem negativamente o setor, o presidente da Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (Abmra, São Paulo/SP), Jorge Espanha, aconselha a criação imediata de um grupo, líder ou comitê de crise, que “gerencie de forma rápida, ampla e exaustiva um plano de comunicação que reflita a realidade dos fatos, esclareça a importância do trabalho realizado e tenha em mãos um guia de fatos e dados a ser divulgado por todos da cadeia: do produtor ao agente máximo do governo”. Para ele, transparência, dados e fatos são cruciais na recuperação da credibilidade.

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