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Gripe aviária: caso de H10N3 em humano não deve preocupar avicultores brasileiros

É improvável que outros casos desta cepa, em específico, ocorram

Wellington Torres, de casa

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Se tem algo que o período de pandemia, ainda enfrentado no mundo, tem ensinado a todos é a necessidade de manter atenção redobrada com doenças. Neste cenário, caso de cepa H10N3 da gripe aviária foi encontrado na China e despertou algumas dúvidas.

Segundo cobertura realizada pela CNN, o caso, confirmado pela Comissão Nacional de Saúde da China (NHC) no dia 1º de junho, foi referente a um homem de 41 anos da província de Jiangsu, no leste do país oriental. Paciente é considerado o primeiro humano infectado pela cepa e apresentou quadro estável, tendo recebido alta hospitalar dias depois. A observação médica de seus contatos próximos não encontrou nenhum outro quadro.

Vale ressaltar que, em explicação da NHC, a H10N3 é uma cepa do vírus de baixa patogenicidade, relativamente menos severa em aves domésticas, e o risco de se espalhar em grande escala (e infectar humanos de forma eficaz) é muito baixo. Contudo, em um cenário de pânico, como o mercado, especificadamente o brasileiro, deve agir para que informações errôneas não ganhem destaque?

Avicultura brasileira

Como pondera a diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sulivan Alves, “vírus como H5N1 e H7N9 protagonizaram infecções humanas graves, mas a maioria dos vírus da Influenza Aviária não infectam seres humanos”, por isso, é improvável que outros casos desta cepa, em específico, ocorram.

“É necessário atentar-se às práticas de biosseguridade como o controle de entrada de pessoas nos galpões, higienização de calçados, desinfecção de veículos, controle de pragas, entre outros, de modo a reforçar os cuidados sanitários nas granjas de todo o País”, indica Sulivan aos produtores brasileiros.

Para ela, o Brasil, em questão de saudabilidade e por levar as indicações à risca, encontra-se confiante em relação às condições que possui para manter e ampliar seu papel no globo, ao fornecer produtos de qualidade, em quantidades suficientes para atender os diversos países importadores e o mercado nacional.

“O MAPA, em consonância com as entidades representativas do setor, constantemente trabalha nas diretrizes relativas ao PNSA, à exemplo da portaria nº 275, de 16 de abril de 2021, que adiciona novas diretrizes às normas relativas à prevenção da Influenza Aviária e controle e prevenção da Doença de New Castle”, destaca a profissional.

Ainda de acordo com Sulivan, os diferentes órgãos e elos do setor trabalham diariamente para a manutenção de tal condição.  “[Eles seguem] salientando os investimentos feitos por décadas nas cadeias alimentares, sobretudo a avícola, e que se mostraram, de fato, resilientes e competitivas durante o momento crítico de enfretamento à pandemia da Covid-19, na qual a crise de saúde pública não se materializou em crise de segurança alimentar”, afirma, complementando que o País recebe inúmeras missões de auditoria de diversos países e clientes internacionais, todos os anos, “atestando a qualidade dos produtos”.

Brasil é o único grande produtor a nunca registrar a enfermidade em seu território (Mapa ilustrativo – Equipe f&f)

Gripe aviária em território nacional

Referente a como o Brasil lida com a gripe aviária, a diretora técnica conta que o País tem buscado trabalhar de forma proativa, baseando-se na realidade vivida por outros países que combatem a Influenza Aviária, “sem deixar de considerar as particularidades da produção avícola nacional”. 

“A Coordenação de Sanidade Avícola, do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, elaborou um manual de procedimentos de atenção a suspeitas e medidas de contenção de episódio de influenza aviária e doença de Newcastle, na tentativa de prover documento básico de referência às Superintendências Federais de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SFAs), Serviços Veterinários Estaduais (SVEs), criadores de aves e público interessado em geral, sobre as ações a serem executadas pelo SVO, como medida de prevenir, controlar e impedir a disseminação dos agentes dessas doenças no plantel avícola nacional”, exemplifica.

Sulivan também destaca que, durante o primeiro semestre deste ano, momento em que diversas grandes nações produtoras da Ásia e Europa registram surtos da enfermidade em núcleos avícolas, do qual milhares de cabeças de aves tiveram que ser abatidas para o controle dos surtos, “a ABPA revisou e reforçou aos seus associados o Protocolo de procedimentos de biosseguridade para visitas aos setores de aves e suínos, paralelamente a campanha voltada aos produtores avícolas para reforçar os cuidados sanitários nas granjas em todo o País”.

Recado ao avicultor

Por hora, Sulivan indica que o produtor se mantenha calmo, mas vigilante e rigoroso frente ao cumprimento das boas práticas de produção e medidas de biosseguridade executadas nas granjas diariamente.  “É necessário comunicar aquilo que fazemos de bom, que é alimentar o mundo com produtos seguros e de qualidade”, reforça.

Como forma de potencializar isso, a ABPA frequentemente estimula às suas associadas o reforço às medidas de prevenção.  Exemplo disto foram as campanhas recentemente realizadas em território nacional para recordar os cuidados necessários para prevenir enfermidades, realizada ao longo do primeiro trimestre deste ano. 

“O mais importante é seguir as orientações técnicas e manter todos os cuidados para preservar a unidade produtora de quaisquer enfermidades”, finaliza a profissional.

NOTA DO MINISTÉRIO

Procurado pela equipe jornalística da feed&food sobre a situação, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) emitiu a seguinte nota:

“Técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) seguem acompanhando as informações sobre o caso. Não é possível, ainda, fazer uma avaliação do possível impacto desse fato na imagem do segmento de avicultura. As informações iniciais indicam se tratar, até o momento, de um caso isolado, envolvendo cepa viral de baixa patogenicidade e com baixo risco de disseminação em larga escala”.

A Pasta também reforça que, em conjunto com os serviços veterinários estaduais, segue mantendo diversas ações de prevenção e de vigilância contra a influenza aviária, em que se destacam:

  • Acompanhamento dos casos de influenza aviária ocorridos mundialmente;
  • Manutenção de exigências específicas a serem cumpridas pelos países exportadores de aves e produtos avícolas ao Brasil para mitigar o risco de introdução da doença no país;
  • Realização de testes laboratoriais para influenza aviária nas aves e ovos férteis ingressados no país;
  • Fiscalização nos pontos de entrada no Brasil (portos, aeroportos e fronteiras) do ingresso de aves e produtos avícolas; 
  • Fiscalização de estabelecimentos de produção avícola;
  • Prontidão para investigação de quaisquer casos suspeitos de influenza aviária notificados ao Serviço Veterinário Oficial;
  • Manutenção de ações de vigilância ativa para a influenza aviária;
  • Exigência de adoção de procedimentos de biosseguridade em estabelecimentos avícolas, para a prevenção da entrada e disseminação de doenças;
  • Manutenção de Plano de Contingência para a pronta adoção em um eventual caso de influenza aviária; e
  • Constante atualização de procedimentos de prevenção e vigilância de influenza aviária, em consonância com as orientações internacionais sobre o tema.
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