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Fevereiro é marcado por altos e baixos no agronegócio

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FOTO: REPRODUÇÃO

BOI: novo caso atípico de “vaca louca” deixa setor pecuário em alerta

Um novo caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), mais conhecida como “mal da vaca louca”, foi confirmado no Brasil no dia 22 de fevereiro – desta vez, no Pará. Segundo pesquisadores do Cepea, esse fato manteve lenta a liquidez interna no encerramento do mês, além de resultar em um forte impacto ao setor devido à suspensão dos envios da carne bovina brasileira à China – o maior destino da proteína nacional –, conforme indica o protocolo sanitário oficial. Este cenário frustra as expectativas do setor nacional, que vinha registrando desempenho recorde das exportações nas primeiras semanas de 2023. Vale lembrar que, no início de setembro de 2021, dois casos atípicos do “mal da vaca louca” foram registrados (em MT e MG). Nos meses seguintes (outubro/21 e novembro/21), como resultado da suspensão dos envios da carne a alguns destinos, como a China, as exportações brasileiras caíram com força. No mercado interno, os preços de negociação da arroba bovina recuaram expressivamente em setembro e outubro de 2021. Assim, segundo pesquisadores do Cepea, o ritmo de exportações deve cair, mas agentes do mercado esperam que a retomada das vendas ocorra o mais brevemente possível, seja pela negociação entre as autoridades brasileiras e o mercado internacional, seja pela dependência mundial da carne brasileira.

SUÍNOS: preços do vivo e da carne sobem com força em fevereiro

Dos cortes ao animal vivo, os preços dos produtos suinícolas acompanhados pelo Cepea subiram com força em fevereiro. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, esse movimento refletiu a demanda aquecida e a oferta restrita dos produtos no mercado interno, sobretudo de animais em peso ideal para abate. No mercado atacadista da carne, as cotações da carcaça acompanharam o movimento altista dos preços do animal vivo, evidenciando a liquidez elevada mesmo diante das valorizações da proteína. Vale ressaltar, inclusive, que os aumentos dos valores da carne suína foram maiores que os registrados para as principais concorrentes, as proteínas bovina e de frango, o que reduziu sua competitividade frente às substitutas em fevereiro, visto que seu preço se distanciou das cotações do frango (geralmente mais barato) e se aproximou do valor da carne bovina, que costuma ser a mais cara das três.

FRANGO: poder de compra do avicultor paulista sobe; preço da carne se recupera

Os preços do frango vivo subiram em fevereiro, enquanto os valores dos principais insumos consumidos na atividade, milho e farelo de soja, se mantiveram praticamente estáveis e caíram, respectivamente. Esse movimento elevou o poder de compra do avicultor do estado de São Paulo frente a esses insumos. Dados do Cepea mostram que, na parcial de fevereiro (até o dia 22), os produtores paulistas conseguiram adquirir 1,74 quilo de farelo de soja com a venda de um quilo de frango vivo, 3,7% a mais que a quantidade registrada em janeiro. No caso do milho, o avicultor pôde adquirir 3,59 quilos com a venda de um quilo de animal, volume 3,8% superior, na mesma comparação. Quanto à carne de frango, os preços também subiram em fevereiro na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, interrompendo o movimento de queda que vinha sendo registrado desde o fim do ano passado. A reação dos valores da proteína esteve atrelada ao aquecimento da demanda durante o mês, que foi influenciado pela maior competitividade da carne avícola frente às principais substitutas (suína e bovina). De acordo com colaboradores do Cepea, o retorno das aulas também reforçou o aumento na procura pela carne de frango.

FARELO DE SOJA: após quatro meses em alta, cotações recuam

Depois de subirem por quatro meses consecutivos, os preços domésticos do farelo de soja caíram em fevereiro. A pressão veio da ausência de compradores no mercado spot, visto que grande parte desses agentes consumiram o derivado em estoque em fevereiro, aguardando a intensificação da safra 2022/23 no Brasil para efetuar novas aquisições de farelo. A retração dos compradores também esteve atrelada às expectativas de produção recorde do derivado no Brasil, prevista pelo USDA em 40,87 milhões de toneladas. Assim, na média das regiões brasileiras acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo de soja caíram 0,9% entre a média de jan/23 e a da parcial de fev/23 (até o dia 24). Frente a fevereiro do ano passado, a queda foi de 1,1%, em termos reais (IGP-DI de Jan/23). No entanto, vale ressaltar que o movimento de baixa das cotações foi limitado por expectativas de que o Brasil absorva parte da demanda global por farelo de soja. O USDA aponta que o Brasil deve embarcar o volume recorde de 21 milhões de toneladas na temporada 2022/23, enquanto a Argentina (principal exportadora global), apenas 26,2 milhões de toneladas, a menor quantidade desde a safra 2013/14.

MILHO: chuvas atrasam colheita da safra verão e semeadura da 2ª temporada

Chuvas na maior parte das regiões produtoras de milho nestas primeiras semanas do ano têm atrasado a colheita da safra verão e também a semeadura da segunda temporada. Assim, o foco dos agentes consultados pelo Cepea esteve voltado às lavouras em fevereiro. Os vendedores ativos no mercado priorizaram a entrega de lotes já contratados, enquanto compradores se mostraram abastecidos – muitos também evitaram adquirir novos lotes na segunda quinzena de fevereiro, devido ao período de carnaval. Diante disso, as negociações no spot nacional seguiram pontuais em fevereiro, e os preços, estáveis, apesar de dados oficiais apontarem safra recorde no Brasil na temporada 2022/23. No acumulado da parcial de fevereiro (entre 31 de janeiro e 24 de fevereiro), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (Campinas, SP) avançou 0,4%, fechando a R$ 85,83/sc de 60 kg no dia 24. Já a média mensal (até o dia 24) fechou a R$ 85,68/sc, 0,49% inferior à de janeiro. Quanto às estimativas de produção, a Conab indicou, no dia 8 de fevereiro, que a safra brasileira 2022/23 será 9% maior que a da temporada anterior, somando 123,74 milhões de toneladas. Para o USDA, o Brasil deve produzir 125 milhões de toneladas de milho, nove milhões a mais que na temporada 2021/22.

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