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Fazenda ON: resistir é comprometer resultados

Conectividade como problema do passado evidência uma resistência cultural

Gabriela Salazar, da redação

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Ao despertar, é bastante provável que ele seja o responsável por você não perder o horário. Ali, ao lado da cama e ao alcance das mãos, está o seu despertador, agenda, banco, e-mail e até entretenimento. As facilidades proporcionadas pelos smartphones para a gestão da vida pessoal são inúmeras e muitos já não imaginam como seria passar um dia sem ele.

Além da rotineira utilização destes aparelhos, é possível traduzir em números a relação de proximidade cada vez mais comum com esse tipo de ferramenta. De acordo com um estudo divulgado pela App Annie, responsável pelas análises mundiais do mercado, por dia o brasileiro usa em média 12 aplicativos. Em relação aos downloads, em 2017 o País ficou na quarta colocação com mais de seis bilhões.

As facilidades deste tipo de solução também estão tomando outros rumos, saindo da vida pessoal e adentrando o mundo dos negócios. E há quem aposte que em pouco tempo será impossível manter a rentabilidade e competitividade sem o uso de tecnologia. Dentro das fazendas, essa realidade já bate na porteira e muitos empecilhos do passado tem sido deixamos de lado.

A conectividade, o maior deles, não é um problema mais tão comum para quem atua nas comunidades rurais. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostram que o acesso à internet no campo aumentou 1.790,1% desde o último balanço, passando de 75 mil, em 2006, para 1.425.323 produtores em 2017. Destes, segundo a pesquisa, 61% já usam smartphones para realizarem algumas atividades.

E, ferramentas para atender essa demanda não faltam. Com o surgimento das startups encontrar soluções voltadas para todos os elos do setor, seja das commoditties, até a gestão do gado na pecuária de corte ou leiteira, se tornou muito mais fácil. As vantagens dependem do objetivo de cada fazendeiro. O que não pode, de acordo com o diretor Comercial da JetBov, Elder Bruno, é deixar a tecnologia de lado.

“5% dos produtores de carne utilizam a tecnologia como deveria. Temos um volume de pessoas estagnadas, tanto no uso de tecnologia, como de resultados. Acredito que em termos de mudança e de uso de tecnologia em mais cinco anos, quem não aderir ficará para trás e ficará em tudo. Muitos nem estarão na pecuária mais”, analisa o especialista, que atua na companhia responsável pelo aplicativo JetBov voltado para a gestão da pecuária de corte.

Barreiras porteira a dentro. Passado em termos os problemas de conectividade, outros fatores ainda impedem a inserção deste tipo de tecnologia dentro do segmento. Na visão de Bruno, a questão chega a ser cultural.

Habituados com a rotina do campo tradicional, muitos produtores e funcionários temem a utilização destas ferramentas por considerarem difíceis de operacionalizar. Bruno conta que a mão de obra pode ser o grande limitante na hora de inserir essas ferramentas. Há casos, segundo ele, em que o produtor solicita o uso de aplicativos, mas parte dos funcionários não aceitam incluí-los na rotina.

Essa resistência dentro do setor, de acordo com profissional, já é esperada, tendo em vista que é comum haver uma “curva” de adoção tecnológica, em que muitos precisam ver os demais tendo resultados positivos para somente então aderir.

Quem ganha? O funcionário, se bem treinado, ganha experiência profissional e agrega valor a sua carreira. Já o produtor, facilidades dentro da fazenda, que vão desde mão de obra especializada até o ganho de tempo para atividades que demandam mais tomadas de decisões. Ponto enfatizado pelo gerente Comercial da JetBov: “Quanto vale a hora do pecuarista pesando um animal? Onde esse profissional agrega mais valor para o negócio? É analisando, não ali pesando, ele tem que tomar decisão”.

Os resultados também já são quantificáveis. Uma analise realizada pela própria JetBov mostra que raros são os produtores que, sem o uso de ferramentas de gestão, conseguem chegar aos 18 arrobas por hectare.  

O gerente Comercial também reforça que a adoção da tecnologia além de facilitar a rotina dos profissionais, possibilita a realização mais adequada das atividades, devido à boa gestão do tempo. “A pecuária vivia muito com ’deixa para pesar semana que vem’, mas se a pesagem tem que ser feita hoje não pode deixar passar”, salienta.

Para quem deseja inserir mais tecnologia e automação aos negócios, algumas dicas podem auxiliar para que o processo seja o mais simples possível. Confira:

  • Momento certo

O melhor momento para buscar as ferramentas de gestão, de acordo com o profissional, é quando o teu negócio não te entrega as informações que você precisa. Problema comum do manual é ter apenas as anotações. As soluções digitais proporcionam análises por meio desses dados e deixam para o fazendeiro apenas a tomada de decisão como tarefa.

  • Sensibilização

Dado o momento certo, é hora de tomar a decisão mais importante: sua com você mesmo. O fazendeiro precisa estar determinado a deixar o manual para trás e entrar no mundo digital – mesmo que aos poucos.

  • Mobilização da equipe 

Vista como a grande barreira na atualidade, para Bruno, de nada adianta um fazendeiro sensibilizado, se a sua equipe não compreende a importância deste tipo de gestão para os negócios. Antes mesmo da escolha da solução, é preciso expor aos membros da equipe em que isso irá beneficiar o seu trabalho e também os resultados.

  • Avaliar sua necessidade

Nas lojas de aplicativo o que não faltam são soluções. Entre as empresas, o fornecimento de ferramentas que automatizam os processos também é grande, mas, nada impede o fazendeiro de escolher diversificar suas ferramentas. Entretanto,  é preciso estar atento a sua real necessidade para não investir em produtos que não te entregarão o que, de fato, precisa.

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